Apenas alternativa a seguir

Venho já ha alguns anos como as pessoas agem e falam. E como é fácil julgar e condenar alguém baseado em valores que carregamos conosco, mas que aplicados em contextos diversos aos nossos, podem ter outros significados além daqueles que costumamos valorizar tanto.
Essa semana tive a oportunidade de passar por uma situação estranha.
Desde Fevereiro sou estudante da UFBA no curso de Farmacia noturno. Tem sido uma experiência muito lucrativa sob os aspectos dos relacionamentos e do aprendizado.
Na última quinta-feira, estive na UFBA, a noite, e lá no restaurante universitário pude ajudar uma jovem. Enquanto estava jantando, uma estudante surgiu e nos ofereceu, para compra, trufas. Conhecendo as dificuldades que muitos estudantes atravessam, resolvi ajudar a moça e comprar algumas. Tivemos uma conversa rápida e produtiva.
Sai do refeitório, fui direto para a sala de aula 04 para fazer uma avaliação, após a qual, me dirigi para a sala 05, e apresentar um seminário com os colegas.
Ao sair, depois da aula, dirigi-me para o carro e segui com os colegas para casa, deixando-os nas suas pelo meio do caminho. Cheguei, tomei banho, brinquei com meus filhotes e depois fui dormir.
Sexta-feira cedo acordei, tomei todas as providências para ir para a escola e procurei minha carteira. Nesse momento me dou conta de have-la perdido. Virei a casa, procurei no carro, Nada!
Fui a escola, cabeça quente, coração acelerado.
Sai por volta das 11:00h e retornei à UFBA. Procurei o D.A. Não estava lá. Os vigilantes, não tinham nada para me entregar. Fui ao Colegiado, e de lá levado a uma sala com uma jovem chamada Danila que se mostrou bastante solicita. TEntou ajudar como pode, após ouvir minha história. Tomou meu número após algumas tentativas de contatos, e, prometeu que, se descobrisse algo, me comunicaria.
Fui ao R.U. e lá também, nada.
Dirigi-me à delegacia, no Shopping Barra. Lá chegando, depois de alguns minutos, recebo uma ligação. Danila me liga : "Senhor Lúcio, achamos a sua carteira! Uma funcionária trouxe a carteira junto com uma história estanha. Mas o senhor a ouvirá no Serviço Técnico"
Sai feliz da vida em direção ao dito setor. E chegando lá, apresentei-me. Estamos aí, por volta das 14:00h.
A funcionára, Miraildes, (que doce coincidencia), me informa que a funcionária chegou coma carteira, informou ser minha vizinha e conhecer Célia, mas que não queria a responsabilidade de devolver a carteira.
Para minha surpresa, a funcionária, uma vez chamada, apresenta-se como moradora do São Lourenço. De fato, uma pessoa conhecida, mais por Célia que por mim.
Enfim, a carteira me é devolvida, com todos os meus pertences, exceto, 300 reais que deveriam estar dentro dela. A funcionária ao entregar a carteira no setor técnico, informa que a conhece os donos dela, portanto a abriu. Solicita a funcionária que veja exatamente o que dentro dela há, e informa que o dinheiro que consta no bolso dela é o salário que havia recebido da empresa paraa qual trabalhava.
Informa aidna que não queria a responsabilidade de devolver a carteira, e que tendo-a achado, achou ppor bem traze-la imediatamente pois "uma câmera podia ve-la e sabe Deus o que poderia gravar".
Bom, na minha opinião, essa funcionaria pegou o dinheiro. E não me preocupei em dizer nada contra ela, apesar da insistência do colegiado em abrir uma sindicância, simplesmente não o fiz, porque creio que o mal se desfaz por si somente.
Mas não apenas por isso. Imagino uma funcionária perdendo seu emprego por uma ação minha, ainda que legítima. Isso não me trarai meu dinheiro para mim, mas poderia tirar o pão da boca dos filhos dela. E isso me preocuparia.
Me ocorre que ocasionalmente alguém acha uma carteira, uma pasta ou qualquer outro objeto, e devolve. Vez ou outra aparecem pessoas que, devolvendo uma grande fortuna, são homenageadas, e a ação acaba por se transformar numa manchete muito lidaa e tomada com grande surpresa pelas pessoas.
Todos aprendemos quando criança a devolver o que não nos pertence. Seja quem for, seja o que for. Não há para mim, grande surpresa em que sejam devolvidos dólares, ouro, ações ao portador, ou qualquer outro objeto de valor encontrado por terceiros. A mim, estranho é que exatamente a não devolução, ou  a retenção do achado.
Talvez por isso é que com tanto desprezo por nosso suor e nosso esforço, vemos nossos governantes desviar milhões, ou usar da influência dos seus cargos para obter favores que, doutra forma, seriam custosos e pouco provavelmente obtidos.
Bom, numa casa como a ufba, esperamos encontrar pessoas com elevada formação, o que, segundo as estat´sticas, concorreria para que a dita carteira fosse encontrada e devolvida sem a devida subtração do dinheiro.
Dizem os especialistas que uma boa formação acompanha melhores ações no sentido de manter a boa e regular honestidade. Esta seria, fruto de uma boa formação. Contrariando a estatística, entretanto, são exatamente as pessoas nos melhores cargos, com melhores salários, e com melhor formação, que se encontram as maiores e mais perigosas ações de desvios do dinheiro público. Temos portanto, que no Brasil, as cadeias estão cheias de pessoas com pouca educação formal, mais por falta de acesso aos bons advogados, que por serem menos honestos que os de melhhor formação. Estes, se cercam de bons advogados, e uma rede que acaba por protege-los, desde a elaboração e aplicação das leis.
Achei a carteira, perdi meu dinheiro dentro de um ambiente onde se pensaria que, teoricamente, as pessoas por terem melhor formação, teriam uma conduta mais honesta e mais honrosa. Ledo engano. Como disse um colega, se perdemos a fé na humanidade, perdemos a fé em nós mesmos.
Nesse ponto, diferimos dos nossos governantes apenas numa coisa: a oportunidade. Sim, os governantes tem a oportunidade de desviar milhões, se beneficiar de leis que os protegem, e asseguram que eles viver bem, ainda que rspondendo a inquéritos longos e que no final acabam dando em absolutamente nada.
Somos tão corruptos, aqui na base, quanto os que estao no topo da pirâmide econômica e social dessa nãção. E isso é duro de engolir.

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