Copa à brasileira, por favor!

Preciso vir mais a este espaço. A constatação é óbvia, posto que um blog é um espaço para ser alimentado diariamente, ou, ao menos, com maior frequência do que a que venho demonstrando aqui. Quando estou nas ruas da cidade, dirigindo, sinto grande vontade de me manifestar e escrever. Mas a preguiça, ou mesmo o conformismo me impedem de faze-lo.
Este é um foro livre onde posso opinar, mas tenho sido negligente em faze-lo aqui, me expondo mais em outras mídias sociais, como o Facebook.
Bom, mas queria deixar a minha opinião pessoal sobre a Copa 2014. Sinceramente, percebo que há um misto de sentimentos e ressentimentos no brasileiro.
Foi-nos prometido um evento de ordem mundial, que acolheria pessoas do mundo inteiro, como sempre se espera e se prevê, e que para isso o país precisaria e passaria por uma série de mudanças estruturais importantes. Como sempre se espera nesses momentos, o evento passaria, mas as melhorias ficariam. Até aí, nada demais. Havia ainda a promessa de que não haveria investimentos públicos em obras nos estádios, e que estes, construídos ou apenas melhorados para os padrões do evento, teriam investimentos particulares, e algum incentivo do Estado (redução na cobrança de impostos, ou outras formas de incentivos, sem aplicação direta de dinheiro público). Cremos na promessa de que obras de melhorias nas vias públicas, fossem dentro das cidades, fossem entre elas, ocorreriam para a melhoria da vida do cidadão comum. Teríamos, como resultado dos investimentos, profundos investimentos em hospitais e segurança.
Que momento seria mais adequado que esse para vender uma imagem de povo ordeiro, festeiro, receptivo e inteligente? Me pergunto porque os empresários não investiram no aprendizado da língua inglesa para seus funcionários. Em 7 anos, estes funcionários poderiam ter aprendido, e repassado seus estudos aos colegas de trabalho. Num evento desse porte, que diferencial teria um fast food, uma loja qualquer que seja, com um funcionário que fala, com clareza uma língua universal! E seria um diferencial bastante para fazer que a propaganda estrapolasse as fronteiras naturais. Imagino um europeu retornando à sua pátria, e falando do tratamento recebido no comércio local. Penso que o empresário perdeu ótima oportunidade, e o funcionário do comércio também. Este poderia ter se esmerado, e numa época de vacas magras, teria um diferencial e tanto para justificar sua permanência no posto de trabalho: afinal, ele é um empregado que agrega valor à empresa, trazendo o cliente, fazendo-o retornar, e trazendo dinheiro de origem estrangeira, muito mais valorizado. Sabe-se que alemães, japoneses e chineses são povos dados às viagens. O retorno deles seria garantido, e, considerando o boca-a-boca, seguramente trariam mais alguns. Afinal, considerando que o estrangeiro poderia comer, dormir, passear, com ajuda dos nativos, seria este um estímulo e tanto para que aqueles, ao retornarem para suas pátrias, depois de algum tempo, voltassem, ou, indicando os serviços locais, prestassem um importante serviço para os comerciantes brasileiros.
Claro que poderia haver um estímulo das autoridades, como, a redução nos impostos a pagar ao Estado, pelo investimento feito em educação para o funcionário. E se considerar o efeito cascata gerado, onde um empresário estimulando seus funcionários, acabaria por estimular que o concorrente o fizesse com os seus, haveria uma cidade com cursos em profusão, para atender as necessidades reais do comércio, formação de profissionais de ensino com qualidade diferenciada, e potencialmente um natural estímulo à melhoria do ensino nas escolas. Todos ganhariam!
Fico preocupado com essa falta de visão em coisas tão óbvias!
Recentemente, na escola onde trabalho, vi uma aluna do segundo ano do ensino médio se queixar de que teria de responder a uma avaliação de língua inglesa, e que ela, não teria obrigatoriedade de aprender uma segunda língua, porque afinal, segundo o raciocínio dela, é brasileira e aqui se fala e se escreve em portugues. Esse raciocínio é típico de pessoas que pensam pequeno. E como são comuns essas pessoas, seja em número, seja em atitude! Poderia enumerar vários motivos para a necessidade do ensino de uma segunda língua, nesse caso, mais especificamente, o inglês:
Ao aprender o inglês temos a oportunidade de ler, ouvir e entender uma língua universal, falada no mundo inteiro, e que, portanto, abriria portas para o auto-aprendizado e para a comunicação.
De forma geral, as melhores literaturas estão escritas em inglês, aprender o ingles, nos dá a possibilidade de aprender o que há de mais novo, coerente e adequado em cada área do saber humano.
Estive num hospital no início do ano e vi um homem chegar e ser levado para outro hospital porque naquele onde estava ninguém conseguia se comunicar com o cidadão. Pensei como seria bom se eu mesmo soubesse o ingles e assim pudesse ajudar o taxista e os enfermeiros daquela instituição.
Ao aprender uma segunda língua passamos a interagir com os povos que falam aquela língua. Talvez por isso, nos países onde o ingles é levado a sério tenhamos cidadãos que falam e agem com mais eficiência em razão dos interesses de uma comunidade, mais que com os interesses pessoais.
De forma bem geral, nossa língua é resultado da soma de muitas outras línguas, entre elas, o ingles. Afinal, futebol, cachorro quente, informática e basquetebol e outras são palavras que se originaram no ingles e foram devidamente aportuguesadas.
Bom, comecei falando de copa, e veja por onde acabei seguindo: tentando convencer o leitor da importância de aprender ingles! Uso desse momento para expor vários pensamentos, mas de cara, o que mais me ocupa é que a Copa como está, difere em muito da que nos foi prometida, cheia de oportunidades e com franca possibilidade para o povo brasileiro. Aparentemente, so quem ganhou mesmo foi Ronaldo fenômeno e os articuladores da copa, Pelé, a FIFA e os seus patrocinadores.
Não vejo que haja inteligência nesse movimento que se levanta agora contra a copa. É preciso separar os fatos: ter a copa é ótimo para o país. Ruim é a forma como o governo gerencia os recursos públicos para fazer cumprir com suas metas, todas no curto prazo e com objetivos pouco interessantes para o povo em geral.
Afinal, o povo quer ir para as ruas diariamente com segurança, poder ir trabalhar em paz, num transporte público confortável, rápido, seguro e barato. Se precisar, quer ir a um hospital onde possa ter seu mal identificado e devidamente tratado, de forma rápida e pronta. Ter estádios de primeiro mundo é muito bom, tê-los com preços módicos no ingresso melhor ainda. Poder entrar e comprar a cerveja, refrigerante ou alimento que se desejar, melhor ainda. Mas educação, segurança, transporte, saúde com qualidade são muito mais importantes.
Vale dizer que essa falta de percepção quanto ao que é importante e urgente é que torna nossos governantes funcionários de qualidade inferior.
Precisamos de salários dignos, emprego e renda, que possam garantir nossas moradias. Meus filhos hoje estudam em escola particular, mas essa deveria ser apenas uma opção, não uma escolha obrigatória porque o Estado não se responsabiliza por oferecer creches em quantidade, localização e qualidade necessários para os filhos dos pobres.
De forma idêntica, o filho adolescente, ou pré-adolescente deveriam ter acesso a um escola pública em consonancia com a realidade do mundo atual. Professores precisam de treino continuado. Não por serem incompetentes, mas porque sempre há o que se aperfeiçoar. Na maioria dos casos, professores que recebem bons salários conseguem assessorar seus estudos e equipamentos de forma mais eficaz que o Estado pode prover. Quase todos os meus colegas tem um notebook ou um microcomputador. Quase sempre adquiridos com grande esforço. Na maioria das vezes, sabem usar muito pouco do aparelho, porque não tem tempo para aperfeiçoar seus conhecimentos em informática. Querem, mas não tem tempo para conciliar seus afazeres profissionais, com o tempo de dedicação ao aprendizado de informática. Não falo apenas de manusear um editor de textos, ou uma planilha, mas operar aplicativos voltados para suas áreas de ensino, usar a internet com mais eficiência e pró-atividade. Promover novas formas de ensino pede tempo para pensa-las, e opera-las. É necessário que se gaste algum tempo também com formas eficientes de controlar se os métodos aplicados foram eficientes e produziram os resultados desejados. Ou seja, é preciso tempo e estratégia para que o professor avalie o seu trabalho de forma a aperfeiçoa-lo. E esse tempo, o professor não dispoe, porque precisa dar aulas em várias escolas, ou gasta-lo com correção de provas aos montes, preparar provas aos montes, corrigir exercícios. Alguém vai dizer isso é próprio do magistério. E é mesmo! A forma talvez é que não seja a mais correta, mas para se encontrar uma mais coerente é preciso tempo. E como eu disse, é tudo o que o professor não tem!
De  novo, divaguei. Mas acho que mesmo assim passei meu recado.
Por último, acho pertinente fazer um comentário sobre os resultados de alguns jogos. Em particular o que Cristiano Ronaldo perdeu para a Alemanha. Uma coisa aprendi com o esporte: em alguns dias ganhamos, noutros perdemos. Aliás, isso é parte da vida, e se não me engano é mais valioso aprendizado que o esporte pode trazer para uma criança. A vida é mais "não" que "sim". Para todos nós! As vezes estamos por cima, as vezes por baixo. E não importa quanto nos preparamos para um determinado, o que não significa que devamos fazer as coisas "a toque de caixa" e sem preparo adequados; mas que as vezes o imponderável ocorre e estraga nossos projetos. Ronaldo pode ser muito bom jogador, mas às vezes outros se mostram melhores.
O mesmo vale para nossa seleção. Torço para que alcancem o Hexacampeonato. Mas se não alcançarem, não será por falta de coragem, investimento de qualquer natureza, mas porque afinal, num campeonato, todos querem o mesmo prêmio. E a máxima de que "ganha o melhor", serve mais para nos impulsionar para a melhora do que para ter a certeza de que ganha sempre o melhor. Ninguém apostaria em Davi, todas as fichas estavam em Golias. Anos de preparo nos campos de batalha, instrumentos bem manejados, aparelhos de primeira e a torcida toda do lado dele. Mas sabemos qual foi o final da história. E nem quem apostou do lado de Davi concordou com o resultado. Imagino Galvão Bueno narrando o encontro de ambos e surpresa no final "Golias cai! Tropeçou para trás, sofreu um mal súbito? Lançaram algum rojão no campo? Deram comida estraga para ele? Davi, contra tudo e contra todos, sobe o corpo inerte e decepa-o! Muito bem amigos da Rede Globo, vamos usar o tira-teima e ver o que teria ocorrido.

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