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Dependência tecnológica entre crianças preocupa médicos

Fabiana Mascarenhas
Ana Clara tem apenas 5 anos, mas já sabe baixar os vídeos da  Galinha Pintadinha  no tablet que ganhou do pai no último Dia das Crianças.  Jean Luís tem 10 anos e passa mais de oito horas por dia jogando videogame pela internet.  Já Valentina, de 12 anos, acorda e dorme ao lado do seu Iphone porque não consegue se desvincular por muito tempo do facebook e do whatsapp.


Essas crianças fazem parte de uma geração que tem como principal ferramenta a tecnologia. É através dela que as pessoas se relacionam, trabalham, estudam, brincam, se divertem, conhecem pessoas, namoram e têm até relações sexuais virtuais.
A tecnologia dita o modo de vida atual da população e, graças a ela, a humanidade avançou em diversas áreas, mas é essa mesma tecnologia que também tem influenciado no desenvolvimento de alguns transtornos mentais. E isso não exclui aqueles que estão entre os seus principais usuários: as crianças e os
adolescentes.

Estima-se que aproximadamente 5% dos jovens que usam as redes sociais ou jogam online possam ter algum problema decorrente do seu uso. Não à toa  que a dependência tecnológica na infância e adolescência foi um dos principais temas discutidos no XXXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado entre os dias 23 e 26 de outubro, em Curitiba.
Vida virtual - Como afirma o psiquiatra da Infância e de Adolescência e fundador e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (GEAT), Daniel Spritzer, a ideia não é "demonizar" a tecnologia. "Não pretendemos colocá-la em um pelotão de fuzilamento, mas não se pode negar que o crescente uso da internet e dos jogos eletrônicos está influenciando a saúde mental e física de crianças e adolescentes", afirma.
A preocupação é tamanha que o chamado o transtorno da dependência da internet  será incluído no apêndice da 5ª Edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como uma condição que merece mais estudos. Os profissionais dividem a dependência tecnológica em subtipos: jogos eletrônicos, redes sociais, smartphones, além do conteúdo sexual on line, o chamado cibersexy.


Os jogos eletrônicos, principal motivo pelo qual adolescentes masculinos fazem um uso problemático da internet, por exemplo, movimentam uma indústria bilionária. Nada menos que 87 bilhões de dólares ao ano. "A evolução tecnológica dessas diversas plataformas tornou possível um grau crescente de realismo das imagens, sons, interatividade e velocidade dos jogos. Esses aspectos estimulam a dependência, pois aumentam a intensidade dos estímulos, intensificam o envolvimento do jogador com o conteúdo do jogo", explica o psiquiatra da Infância e da Adolescência e pesquisador em neuroimagem, Felipe Picon.



De modo diferente, mas não menos estimulante, as redes sociais também atraem cada vez mais esse público. São elas as responsáveis por mais de 60% do tráfego da rede no Brasil.



Segundo especialista em Psicoterapia de Infância e Adolescência, Aline Restano, as redes sociais atraem jovens sobretudo por conta do poder de socialização. O facebook, o instagram e outras redes sociais, diz a médica, permitem aos usuários adicionarem novos amigos, serem atualizados sobre o que acontece com eles, verem fotos, saberem sobre seus interesses e terem acesso a outras informações pessoais. "Basta criar um perfil para interagir com os atuais amigos e conhecer outras pessoas baseado em interesses semelhantes. É tudo o que eles querem nesta fase", afirma.

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