Perguntar não ofende: os defensores radicais dos animais não dão remédios aos seus, quando doentes? E em quem acham que os remédios foram testados? | Ricardo Setti - VEJA.com


Acho que as pessoas tem direito de se manifestar pelo que quiserem e pelo que acharem que é correto. Mas descobrir um santo, para cobrir outro é uma tolice. Não é demais acreditar que falta conhecimento a quem investindo-se dos poderes de super-heróis, invade um centro de pesquisas e, sem saber exatamente o que lá se passa, mas confiando apenas em seus olhos e, ao faze-lo invalida 10 anos de pesquisas sérias.
Nos anos 40 e 50 do século passado, os americanos fizeram testes em seres humanos para descobrir como acontecia a evolução de doenças como a sífilis e o cancro. Muitos morreram sem saber nem o que lhes estava matando. O mesmo ocorreu durante a Segunda Grande Guerra, quando os alemães usaram dos prisioneiros para efetuar muitos testes de medicamentos e venenos, assim como outras coisas.Muitos desses fatos são atribuídos a Mengele, mas sabe-se que ele não o único médico que usou cobaias humanas em experimentos a serviço do 3º Reich. Fico me perguntando se as pessoas que entraram naquele centro de pesquisas, não terão, elas ou parentes seus, necessidade de remédios, hoje ou num futuro próximo, e que não estarão nas prateleiras das farmácias simplesmente porque não foram desenvolvidos a tempo. Carecemos de medicamentos contra os diversos tipos de Câncer, doenças de caráter degenerativo, antibióticos de alta potência, tuberculose (!), entre outros. A decisão apaixonada de adentrar o centro e promover a destruição elaborada não foi inteligente, e demonstra mais que desconhecimento: preconceitos e total ignorância sobre o que é a ciência, e como ela se desenvolve.


28/10/2013
 às 15:30 \ Tema Livre

Perguntar não ofende: os defensores radicais dos animais não dão remédios aos seus, quando doentes? E em quem acham que os remédios foram testados?

Beagles (Foto: stuffpoint.com)
Beagles (Foto: stuffpoint.com)
A enorme polêmica gerada pela retirada de 178 cães beagle do Instituto Royal de pesquisas, em São Roque (SP), por militantes fez virem à tona inúmeras informações sobre a utilização de animais para pesquisas de medicamentos.
Constatou-se, entre outros pontos, que diminuiu drasticamente nos últimos anos a extensão da utilização de animais, em muitos casos substituídos por simulações complexas de computadores, bem como o percentual de cães ainda empregados para esse fim — algo como 1% do total de animais envolvidos.
Foi reafirmado, também, o compromisso de grandes instituições de pesquisas com a utilização de anestésicos e outros meios para reduzir ao máximo o sofrimento dos animais.
Da mesma forma, ficou evidente, pela palavra de pesquisadores e médicos respeitados de diferentes universidades e hospitais, que, para o combate a determinadas doenças, é por ora impossível evitar os testes de medicamentos em diversos tipos de cobaias.
Como animais domésticos ficam doentes e veterinários prescrevem remédios para uma enorme gama de doenças, pergunta-se aos opositores mais intransigentes aos testes em cobaias: em quem eles imaginam que os remédios que seus bichinhos tomam para curar-se foram testados antes de ir para o mercado?

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