ESPIONAGEM CONTRA O BRASIL: Dilma fala em “interesses econômicos e estratégicos” dos EUA, mas deixa de lado, entre outros pontos, um, fundamental: as luvas de pelica de seu governo para com o terrorismo | Ricardo Setti - VEJA.com



09/09/2013
 às 19:54 \ Política & Cia

ESPIONAGEM CONTRA O BRASIL: Dilma fala em “interesses econômicos e estratégicos” dos EUA, mas deixa de lado, entre outros pontos, um, fundamental: as luvas de pelica de seu governo para com o terrorismo

O atentato terrorista cometido pelo Hezbollah no aeroporto de Burgas, na Bulgária, em julho do ano passado: Brasil usa luvas de pelica para tratar de tema ultra-sensível para as grandes potências (Foto: Getty Images)
A presidente hoje voltou à carga, visivelmente indignada diante de evidências de que parte da espionagem teria se voltado contra a Petrobras, detentora de tecnologia de ponta na exploração de petróleo em águas profundas e das enormes reservas da camada do pré-sal. A espionagem, segundo Dilma, tem em vista “interesses econômicos e estratégicos”.
A presidente tem razão — aliás, espionagem tem sempre esses dois objetivos em mente, além do político e do especificamente militar. No post anterior, procurei apontar, como já fizera anteriormente, por que razões um país como o Brasil se torna alvo “natural” da espionagem de outras nações, no plano da realpolitik que rege as relações internacionais.
O post, porém, só sobrevoou a questão.
Há pontos ali que podem perfeitamente ser desenvolvidos, e que a presidente Dilma não tocou nem de longe, hoje.
Mencionei, graças a lembrete do amigo Caio Blinder, titular de brilhante blog no site de VEJA, a questão da Tríplice Fronteira — Brasil-Argentina-Paraguai –, onde há muitos anos os EUA acreditam, com boas razões, aninharem-se focos de arrecadação de dinheiro e de outras atividades ligadas ao terrorismo no Oriente Médio.
O Brasil, com o lulopetismo no poder, finge que não vê e não toma providências minimamente sérias a respeito. E é bom lembrar o quanto, depois dos atentados às Torres Gêmeas em 2001, o terrorismo passou a ocupar um papel central, decisivo, determinante na política externa, na estratégia militar e na visão do mundo da superpotência americana.
Como sabemos, essa preocupação atingiu níveis de obsessão, próximos à paranoia, durante o governo do presidente George Bush, com o país reinterpretando leis, criando outras ao arrepio da Constituição e atropelando seu público compromisso histórico com as liberdades democráticas e os direitos humanos para admitir, com eufemismos horrorosos, práticas hediondas como a tortura, as prisões secretas em países aliados e a condenação de pessoas sem julgamento, além de erguer o símbolo de barbárie que se tornou a prisão existente na base militar de Guantánamo, em Cuba.
A diplomacia do lulopetismo, extremamente light com governos bolivarianos e com rivais e mesmo inimigos dos Estados Unidos, é boazinha em relação à questão do terrorismo. Não adota, como os EUA e muitas outras nações, posturas para classificar como tais notórias organizações terroristas — a começar pelos narcoterroristas e bandidos das Farc, as chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, grupo armado que vive de sequestros, extorsão, tráfico de drogas e assassinatos sob encomenda.
Como se sabe, o PT velho de guerra coexistiu e coabitou com as Farc no chamado Foro de São Paulo, entidade que congrega partidos e grupos de esquerda da América Latina, até que os bandidos colombianos deixaram formalmente a entidade. (Confira aqui a lista de partidos e entidades que participam.)
Continuam, na verdade, de alguma forma representados, porque uma tal Marcha Patriótica colombiana que, sim, o integra, é uma organização marxista muito próxima às Farc no espectro político do país, prega uma “solução negociada para o conflito armado” e condena a mão firme dos últimos governos colombianos, que vêm impondo derrota sobre derrota aos terroristas.
Não são apenas as Farc que deixam de ser consideradas terroristas, por uma política de luvas de pelica do Itamaraty que considera tais gestos uma “interferência nos assuntos internos” de outros países.
Essa mesma política tem mantido o país em uma vergonhosa atitude de permanecer em cima do muro mesmo em casos escabrosos de violações de direitos humanos que os governo lulopetisnas deixaram de condenar na ONU, praticados por países como o Irã, a Síria, o Sudão, a Coreia do Norte e a China.
Integrantes da milícia do Hezbollah em cerimônia no Líbano: para os EUA e a União Europeia, são terroristas. O Brasil, como sempre, silencia (Foto: independent.co.uk)
As delicadas luvas de pelica impedem que, além das Farc, outras organizações que notoriamente praticam o terrorismo recebam vista grossa dos governos lulopetistas. Como, por exemplo, o Hezbollah no Líbano.
Ora, dirão, o Hezbollah é um partido político legítimo no Líbano e, além do mais, pratica uma intensa ação social, propiciando escolas para crianças, abrigos para idosos, alimentação para os pobres.
O problema é que, no meio disso tudo, o Hezbollah tem um braço armado cujos integrantes sequestram, matam, incendeiam e jogam bombas, tudo financiado pelo Irã dos aiatolás atômicos. É tido como organização terrorista pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela Austrália…
Não foi por outra razão que, semanas atrás, o grupo que inclui o maior número de países civilizados do mundo — a União Europeia — incluiu o braço armado do Hezbollah na sua lista de entidades terroristas. A medida implica a congelação de ativos que o grupo possui em países comunitários e em um controle mais estrito de seus movimentos na Europa.
Foi o fecho de prolongadas negociações que se travam desde o começo do ano, quando órgãos de inteligência europeus descobriram evidências de que o Hezbollah estava por trás de um atentado terrorista ocorrido na Bulgária — membro da UE — em julho do ano passado. Na ocasião, um terrorista suicida que se fez passar por cidadão americano explodiu um ônibus com 42 turistas israelenses que deixava o aeroporto de Burgas, no sudoeste do país, rumo a um resort, matando cinco turistas e o motorista, e causando ferimentos em 32 outras pessoas.
O alcance da decisão da UE pode ser medido pelo fato de que o Hezbollah não apenas é um partido político como participa da coligação que governa o Líbano. A decisão de separar seu braço político do militar teria o objetivo de convencer aos grupos radicais do movimento a se passar para a vertente moderada.
Os países que mais insistiram em isolar os terroristas do Hezbollah foram o Reino Unido, a Holanda e a França. Como as decisões desse tipo na UE precisam obter a sempre difícil unanimidade dos 28 membros, foi necessário vencer as reticências do grupo formado principalmente pela República Checa, a Irlanda, Malta e Chipre.
“É muito bom que a União Europeia tenha decidido definir o Hezbollah como o que é — uma organização terrorista”, disse o chanceler hol.andês, Frans Timmermans. A chefe da diplomacia euopeia, a britânica Catherine Ashton, por sua vez, lembrou que a medida permitirá congelar os recursos do grupo terrorista, dificultar sua arrecadação de fundos e, portanto, “limitar grandemente sua capacidade de ação”.
Enquanto isso, no Brasil…

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