Folha de S.Paulo - Educação - Rendimento de cotistas em universidades caiu com o passar do tempo - 28/04/2013


Vamos discutir as cotas nas universidades e institutos federais novamente? O tema é chato, polêmico e, quando você pensa que já ouviu de tudo, novos fatos mudam o quadro. Até pouco tempo atrás, a coisa que mais se dizia em favor das cotas é que não se viam diferenças entre o desempenho dos cotistas e dos não cotistas. De repente, novas pesquisas revelam a verdade dos fatos: existe diferença no desempenho sim, e os cotistas conseguem desempenho inferior aos não cotistas. O que isso implica? Naquilo que todos já sabemos. A grande maioria dos cotistas nunca entrariam numa faculdade se não fossem pelas cotas. E isso tem a ver com falta de conhecimento, pura e simplesmente. A grande maioria deles tem grande déficit de conhecimentos que deveriam ser obtidos no ensino médio. Na verdade, isso não é nada que eu não soubesse antes. Aliás sempre achei estranha essa história de que o desempenho era o mesmo. E falo como professor de ensino médio, que trabalha em favor dos estudantes e de seu aprendizado. 
Acredito que o ensino médio precisa mudar sim, mas acho que o governo não sabe nada de nada sobre a realidade do cidadão comum, ao menos, com a mesma precisão que tem o profissional em sala de aula. Eu vejo meus alunos chegando tarde nas salas de aula a noite porque precisam trabalhar durante o dia. E, pior ainda, saem cedo, porque nas suas ruas ha toque de recolher. A maioria deles dorme durante a aula, devido ao desgaste físico. Como podem conseguir bom desempenho nas avaliações oficiais? Durante suas vidas acadêmicas sempre foram tratados como incapazes, e agora lhes é imposta uma avaliação completamente fora dos contextos e realidades que eles deveriam ter. Vejo homens e mulheres no ensino noturno com grande dificuldae, mas com grande esforço. Eles querem aprender. Apenas não conseguem.
Bom, essa pesquisa lança mais gasolina na fogueira. Esperemos os novos capítulos dessa novela.


Cotistas têm desempenho inferior entre universitários

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ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
Alunos de graduação beneficiários de políticas de ações afirmativas, como cotas e bônus, têm apresentado desempenho acadêmico pior que os demais estudantes nas universidades públicas do país, mostram estudos recentes.
As pesquisas também concluem que a diferença de notas perdura até o fim dos cursos e costuma ser maior em carreiras de ciências exatas.
Universitários que ingressaram em instituições públicas federais por meio de ação afirmativa tiraram, em média, nota 9,3% menor que a dos demais na prova de conhecimentos específicos do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia cursos superiores no país.
No caso das universidades estaduais, cotistas e beneficiários de bônus tiveram nota, em média, 10% menor.
Os dados fazem parte de estudo recente dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da UFF (Universidade Federal Fluminense), com base no Enade de 2008, que pela primeira vez identificou alunos que ingressaram por políticas de ação afirmativa.
Foram analisados os desempenhos de 167.704 alunos que estavam concluindo a graduação nos 13 cursos avaliados em 2008, como ciências sociais, engenharia, filosofia, história e matemática.
"Encontramos diferenças razoáveis. Não são catastróficas como previam alguns críticos das ações afirmativas, mas é importante registrar que existe uma diferença para não tapar o sol com a peneira", diz Waltenberg.
Para ele, o desnível atual é um preço baixo a se pagar pela maior inclusão. Mas ele ressalta que, com a ampliação da política de cotas (que atingirão 50% das vagas das federais até 2016), é possível que o hiato entre as notas se amplie.
EVASÃO MENOR
Pesquisa recente feita pelo economista Alvaro Mendes Junior, professor da Universidade Cândido Mendes, sobre o resultado de ações afirmativas na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revela que o nível de evasão entre os cotistas na universidade é menor do que entre outros estudantes.
Mas os dados levantados por ele --que acompanhou o progresso de alunos que ingressaram em 2005 em 43 carreiras-- confirmam as disparidades de desempenho.
O coeficiente de rendimento (média das notas) de alunos não beneficiários de ações afirmativas que se formaram até 2012 foi, em média, 8,5%, maior do que o dos cotistas. Em carreiras como ciência da computação e física essa diferença salta para, respectivamente, 43,2% e 73,2%.
Editoria de Arte/Folhapress

Rendimento de cotistas em universidades caiu com o passar do tempo

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DE SÃO PAULO

Pesquisa dos acadêmicos Delcele Queiroz e Jocélio Teles dos Santos sobre desempenho dos cotistas em 2005, ano de adoção da política na UFBA (Universidade Federal da Bahia), indicava "resultados bastante animadores".

Os autores ressaltavam que em alguns cursos como engenharia civil e comunicação social, a fatia de cotistas com coeficiente de rendimento entre 7,6 e 10 era maior do que entre os demais alunos.
Segundo Delcele, que é pedagoga e professora da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), dados para anos subsequentes mostram um retrato menos favorável em termos da diferença de rendimento entre não cotistas e cotistas, embora confirmem o aumento da diversidade social e racial na universidade.
Estudo recente de Delceles e de Santos mostra que, entre os que ingressaram na UFBA em 2006 e cursavam o sétimo semestre, a fatia de cotistas com notas médias entre 7 e 10 era menor que a dos demais alunos em 12 cursos muito concorridos, incluindo engenharia civil e comunicação.
Delcele acredita que, quando foram adotadas, as cotas absorveram um estoque de alunos de escolas públicas com bom rendimento que não tentavam o vestibular ou ficavam muito próximos de serem aprovados.
"Passado esse efeito, a situação em termos de desempenho que temos visto é mais próxima da realidade", diz.
O desempenho acadêmico de cotistas ainda é pouco estudado no Brasil. A adoção de ações afirmativas pelas universidades começou a ganhar fôlego a partir de meados da década passada.
Daniel Marenco/Folhapress
Priscylla Barros, da UFF, diz ter herdado dificuldades da escola estadual
Priscylla Barros, da UFF, diz ter herdado dificuldades da escola estadual
Estudos de casos isolados costumavam indicar desempenho próximo entre beneficiários de ações afirmativas e demais alunos.
Algumas pesquisas mais recentes têm revelado um quadro diferente, de rendimento pior de cotistas. O desempenho mais fraco é explicado por especialistas pela fragilidade na formação dos alunos de escolas públicas estaduais e municipais.
BASE MAIS FRACA
A estudante de Publicidade da UFF Priscylla Barros, 20, sente na graduação dificuldades herdadas de uma base fraca do ensino básico em escola pública estadual.
"Eu vou bem nas disciplinas técnicas do curso, como desenho e criação gráfica, mas sinto dificuldades ligadas à base fraca em inglês, em conhecimentos gerais".
A pesquisadora Delcele defende a política de cotas, mas afirma que as universidades têm falhado na adoção de políticas para "acolher os cotistas e contribuir para sua permanência e desempenho nos cursos".
DIVERSIDADE
Segundo Maria Eduarda Tannuri-Pianto, da UnB (Universidade de Brasília), a cota racial adotada pela instituição em 2004 atingiu o objetivo de promover a inclusão.
Autora de um estudo em parceria com o pesquisador Andrew Francis, ela diz que apenas em 50% dos cursos "mais seletivos" da UnB pretos e pardos tinham rendimento "ligeiramente inferior" ao dos não cotistas.
Ao longo do tempo, segundo ela, porém, o desempenho dos cotistas no vestibular tem piorado em relação ao dos primeiros cotistas beneficiados.
Editoria de Arte/Folhapress

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