O papa, o Brasil e a ciência

Habemum papam! E para tristeza de alguns, ele é argentino. 
Sim , senhores, uma nova mão divina dirige a igreja católica doravante... E o governo brasileiro respira aliviado a não escolha de um papa brasileiro.
Aliviado?!Porque!?
Bem, em primeiro lugar, porque apesar do Brasil ser um pais democrático, e ser um Estado laico, não raro, a igreja interfere poderosamente nas decisões do governo. Isso ocorre porque a igreja no Brasil ainda tem grande força de manobra, e com as novas mídias sociais, consegue manipular os seus fiéis direcionando-os para os interesses da Fé.
Assim, temas polêmicos como Aborto, transgênicos, divórcio, homossexualidade, adoção de filhos por casais gays, contracepção... acabam perdendo força no Brasil.
Se a escolha do  novo Papa contemplasse um Brasileiro, seria muito complicado para esse governo que teve na igreja católica seu braço aliado mais forte e presente desde a criação do PT, não se alinhar com os interesses da igreja. Seguramente haveriam embates ideológicos, no mínimo, desgastantes.
É incrível, mas a adoção deste ou daquele pontífice pode criar grandes problemas para os interesses do governo.
No Brasil, várias políticas públicas batem de frente com os interesses da igreja católica. Para esta, alimentos transgênicos, experimentos com o uso de células tronco, adoção de medidas de contracepção usando métodos químicos e esterilização definitiva; entre outros temas, são assuntos que deveriam ser banidos das pautas de discussões e ações governamentais. A igreja não consegue entender que alimentar pessoas é muito mais complicado do que parece, e que nosso planeta, infelizmente, não conseguirá produzir a contento para alimentar as futuras gerações se continuar o crescimento populacional nos níveis atuais. Para resolver esse impasse, é preciso reduzir esse crescimento, e aumentar a produção de alimentos, diminuindo a ação de pragas, ou fazendo com que alimentos se desenvolvam mais rapidamente, sejam mais resistentes às pragas, e produzam de forma diferente do que hoje produzem (arroz transgênico apresenta uma dosagem diferenciada de vitaminas, por exemplo).
A igreja não consegue entender que gerar filhos é, hoje em dia, uma opção, que deve ser adotada por casais responsáveis. porque colocar um filho neste mundo exige tempo para cria-los, orienta-los e dinheiro para sustenta-los. Para obter dinheiro, abrimos mão de tempo, o que torna essa equação dificil de resolver, sobretudo quando se tem muitos filhos. Além disso, homens e mulheres tem expectativas diferentes daquelas que nossos avós tinham sobre casamento. Homens esperam que suas esposas sejam sexualmente ativas. Mulheres querem maior participação masculina na vida doméstica. Eles pedem mais delas para eles, e o inverso também é verdadeiro. Um casal com muitos filhos perde esse foco. Os filhos tomam nosso tempo e energia.
Mas mudando um pouco o foco, percebe-se que, uma igreja mais atuante. Se essa atuação é favorável ao cidadão comum,é outra história. O envolvimento da igreja com o Nazismo no Século XX, coma escravidão durante o Império, mostram que os interesses da igreja podem pender com grande força para o lado mais forte e perigoso. A mesma igeja que diz abraçar e acolher, ainda exclui homossexuais. Em lugar algum no mundo essa igreja lida bem com essa parcela da população, seja educando e trazendo-os para o lado dela, seja simplesmente aceitando. A igreja, contrario ao que Cristo fez com a mulher samaritana a beira do poço, não acolhe os diferentes e indignos. Ela rotula e exclui.
Apesar do novo Papa ter posturas conservadoras, e ser da vizinha Argentina, sua atuação, no Brasil, acaba sendo menos abrangente e poderosa do que seria se viesse pelas mãos de um brasileiro. Com isso, não há exagero algum em afirmar que, o governo respira aliviado a escolha de um Argentino.
Isso cria problemas de outra ordem: para nós, brasileiros, fica proibido fazer piadas com argentinos de hoje em diante. Se bem que, apesar do papa ser argentino, o patrão dele é brasileiro. E isso é o que conta.

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