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Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, catolicismo e Bento XVI


Não sei se já disse isso, mas sempre gostei de ciências. E percebo que esse gosto nasceu da astronomia.
Eu morei em São Paulo em minha infância, até os 13 anos de idade, e lá por ocasião de um passeio escolar, tive a oportunidade de conhecer o Planetário na USP. Até hoje tenho nessas lembranças uma das mais felizes de minha vida. Pude aprender coisas e tocar coisas que de outra forma porvavelmente estariam apenas nas imagens nos livros.
Quando criança, lembro de ver as primeiras imagens de Cosmo, no horário nobre aos domingos após o Fantástico. Como era criança, meus pais não me permitiram ver o programa. Mas confesso que ficava na cozinha (onde estava minha cama), tentando pegar algumas imagens pelas frestas da porta do quarto dos meus pais.
Me deliciava com aquelas imagens! Como possa me explicar melhor...? A forma como Sagan explicava temas relevantes sobre a ciênncia, sua importância e atuação na vida dos seres humanos é fantástica. Mesmo hoje em dia, tanto tempo depois, ainda é um deslumbre aquele material. 
De tudo o que e dito, só discordo de uma coisa: eu creio na existência atuação de Deus. Não um Deus carrasco, um Deus maquiavélico e manipulador. Não creio na atuação cega desse Deus, e atuação as vezes sem sentido.
Creio num Deus de amor. Que tem pelo homem sentimentos. Quando olho para meus filhos, e me percebo responsavel por eles, imagino quanto dEle mesmo acabo por ser também, e pensar também.
Nesse aspecto, Carl Sagan e eu divergimos consideravelmente. Mas percebo que, como Sagan, nasci para trabalhar a divulgação científica.
Querendo as pessoas, ou não; percebendo, ou não, todos precisamos das ciências. Me assusta pessoas que reduzem tudo às coisas mais simples sem responsabilidade qualquer no que fazem e dizem. Atribuindo muitas vezes à religião, à Deus, ao padre, pastor, santo, diabo... mas não se responsabilizam de nada, justificando uma falta de conhecimento pela qual são responsáveis. Sim! São responsáveis por que simplesmente desistem da oportunidade de passar a conhecer, oq ue quer que seja, e com isso, com a tomada de conhecimento, ser responsável, por si mesmo e pelo que ocorre ao seu redor.

Estive em um município h´uns dias atrás onde as pessoas sofrem muito com o Mal de Chagas. 
Há uma pequena comunidade no município, onde é possível encontrar até 6 pessoas doentes numa mesma família. Famílias com 8 ou nove pessoas, tendo 6,7 doentes de Chagas? E autoridade alguma toma providência para resolver esse problema! Dizem que é da vontade de Deus...as vezes que é castigo dEle. As vezes que é para testar a fé...
Digo que Deus não está nisso. Deus está nas providências tomadas para que se descubra a cura desse mal, assim como da aplicação de recursos para controle e extermínio do mal entre comunidades como essa.
A religião pode oferecer conforto que a ciência não tem, mesmo nesses casos. Mas oração apenas, não irá reduzir o número de óbitos e nem o sofrimento das pessoas chagásicas. Não sei sobre muitos assuntos. Alias  reconheço-me ignorante sobre quase tudo. E até sobre o que penso saber algo, percebo que apenas arranho a superfície.
A influência da religião muitas vezes é nefasta. Ontem reli sobre um problema sério que ocorre em alguns lugares, notadamente na Tanzânia. Problema relativo à ignorância religiosa. Á práticas antigas e que persistem sobretudo nas regiões mais pobres, necessariamente, em conhecimento.
Conta que nessas regiões, onde a população é tipicamente negra, nascer albino é uma maldição. As pessoas albinas são perseguidas e mortas para que seus orgãos sejam usados como amuletos da sorte. Se uma jovem for virgem, ou criança, o amuleto tem valor dobrado.
Sabemos que as crendices fazem algo semelhante com animais também. Em alguns lugares um grama de chifre de rinoceronte é considerado o mais poderoso e caro remédio contra impotência sexual. Bile de urso tambem contra males como câncer e outras enfermidades.
Na minha infância tive muitos problemas com bronquite. E diziam que sangue de carpa era o remédio. Depois me inventaram um preparado com broto de bananeira que, pela descrição dos efeitos, pode causar uma violenta reação alérgica. Deveria tomar 3 vezes. Conforme foi dito aos meus pais, "se ele sobreviver, nunca mais terá ataque de bronquite."
Imagine só...
Saúde é um bem raro e caro demais. Remédios ajudam, e bons remédios se conquistam com a ajuda da ciência. De forma semelhante, não apenas o uso da ciência para criar os remédios, mas também para usa-los da forma correta, para os males corretos.
Sei que o conhecimento das ciências ajuda a planejar o presente e o futuro com os recursos que temos, nos livra da manipulação das crendices, e nos livra, inclusive das manipulações com a informações da própria ciência.
Recomendo a leitura do textos:
Porque entender de ciência?
Carl Sagan foi para o céu
Como a vida começou?


Há 540 anos nascia Copérnico, um dos pais da astronomia moderna

Nicolau Copérnico contribuiu para a mudança de paradigma na astronomia



Retrato de Nicolau Copérnico em 1580 Foto: Reprodução
Retrato de Nicolau Copérnico em 1580
Foto: Reprodução

De olho em Marte e asteroides rasantes, a astronomia ganha destaque no noticiário e ocupa, cada vez mais, um espaço central nos avanços e esforços científicos do século 21. Não seria assim se um indivíduo nascido há exatos 540 anos nesta terça-feira não fosse fascinado pelos céus. O polaco Nicolau Copérnico (Torun, 19 de fevereiro de 1473 — Frauenburgo, 24 de maio de 1543) recolocou o Sol em seu devido lugar, criou um modelo heliocêntrico e forneceu o ponto de partida para a astronomia moderna. Seu livro derradeiro, De revolutionibus orbium coelestium ("Das revoluções das orbes celestes"), foi publicado em seu último ano de vida e ensejou a chamada Revolução Copernicana.



A contribuição de Copérnico para a ciência é mais complexa do que se supõe normalmente. Não se pode dizer que ele tenha criado a teoria do heliocentrismo nem que tenha revolucionado sozinho a astronomia. De acordo com Nigel Bannister, professor do departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, no Reino Unido, o cientista não poderia ser considerado “o pai da astronomia moderna”, como muitas pessoas o tratam. “Títulos assim são sempre problemáticos. Não há dúvida de que Copérnico deu enormes contribuições à astronomia, e é certamente um dos gigantes na história da astronomia como uma ciência moderna, mas existem muitos outros que fizeram descobertas ou postularam teorias que são tão importantes quanto. Eu tenderia a chamá-lo de um dos pais fundadores da astronomia moderna, já que seu trabalho promoveu uma grande mudança na compreensão do sistema solar e do nosso lugar no universo”.
Seu trabalho promoveu uma grande mudança na compreensão do sistema solar e do nosso lugar no universo
Nigel Bannisterprofessor da Universidade de Leicester
No século 16, época de Copérnico, a teoria de Ptolomeu, de que a Terra encontrava-se no centro do universo, não era apenas observação empírica, destituída de instrumentos apropriados, mas também de crença religiosa. Para substituir o geocentrismo pela ideia de que era o nosso planeta que girava em torno do Sol, o cientista e matemático polonês partiu de fundamentos gregos propostos por Aristarco de Samos 1,8 mil anos antes. “Como era praxe no renascimento, ele foi buscar nos clássicos gregos uma inspiração”, afirma Augusto Damineli, professor de pós-graduação do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). “Ele retomou a ideia de que seria mais natural que os corpos menores girassem em torno do maior (o Sol). Remontou então esse sistema que havia sido abandonado 250 anos antes de Cristo e colocou nele os avanços dos sistema geocêntrico (excêntricos, epiciclos e deferentes)”.
O polonês contribuiu para a ideia de Aristarco com relações matemáticas que faltavam no trabalho original. “Mas, infelizmente, seu argumento matemático estava errado”, afirma Bannister. “Embora tenha posicionado o Sol corretamente no centro do Sistema Solar, para reproduzir os movimentos dos planetas em sua descrição matemática, ele manteve as órbitas perfeitamente circulares que Ptolomeu havia proposto. Então Copérnico, assim como Ptolomeu, ainda precisava usar epiciclos para explicar os movimentos dos planetas. Seus epiciclos eram menores do que os de Ptolomeu, com certeza, mas era a abordagem errada”.
Mais tarde, Johannes Kepler descobriu que órbitas elípticas eram a resposta para descrever os movimentos planetários. “A tal ‘Revolução Copernicana’ precisou de várias outras contribuições para acontecer”, explica Damineli. Assim, segundo ele, a mudança de paradigma se deve ao resultado combinado da teoria de Copérnico com avanços posteriores, de nomes como Kepler, Galileu Galilei, Tycho Brahe e Isaac Newton.
A igreja e o geocentrismo
A religião acompanhou Copérnico desde cedo. Órfão aos 10 anos de idade, o garoto foi criado pelo tio, então bispo de Ermland. Mais tarde, uma de suas irmãs virou freira, e um de seus irmãos, padre. Já adulto, Copérnico conciliou suas atividades como astrônomo, matemático e jurista com o trabalho de cônego na Igreja Católica de Frauenburgo.​

Paradoxalmente, as ideias de um cientista tão influenciado pela igreja iam de encontro ao que a religião pregava. Para o catolicismo, a Terra era o centro do universo. Tratava-se de suposição válida, contando os instrumentos de observação disponíveis, a tendência ao antropocentrismo e uma interpretação rígida da bíblia. Contudo, mesmo naquela época, Copérnico não era uma voz única. Havia outros cientistas com ideias semelhantes, a quem o polonês ofereceu leituras de sua teoria antes que ela fosse publicada.
Nova vida a uma ideia antiga
O livro De revolutionibus orbium coelestium veio a público apenas em 1543, pouco depois da morte de Copérnico, aos 70 anos. Devido ao falecimento do autor e a um capítulo inicial relativizando as posições defendidas pelo cientista - supostamente escrito por outra pessoa, à sua revelia -, o material não causou grande controvérsia. Assim, o astrônomo foi poupado do fanatismo religioso que levou, no século 17, Galileu Galilei à prisão.



Estátua de Nicolau Copérnico na Varsóvia Foto: Marek and Ewa Wojciechowscy/Wikimedia Commons / Divulgação
Estátua de Nicolau Copérnico na Varsóvia
Foto: Marek and Ewa Wojciechowscy/Wikimedia Commons / Divulgação

Além de suas próprias e revolucionárias descobertas no campo da física e da astronomia, Galileu defendia e aprimorava a visão de Copérnico, em contraposição ao geocentrismo defendido pela Igreja Católica. Com essa posição, foi conduzido aos tribunais da inquisição. Acusado e ameaçado, teve de se retratar. O cientista estava certo, mas a igreja não concedeu tão rapidamente. Somente 350 anos após a morte de Galileu, no dia 31 de outubro de 1992, o papa João Paulo II reconheceu os enganos cometidos pelo tribunal eclesiástico.
Muito antes da inquisição, colocar a Terra no centro do mapa espacial foi um erro. Já se teorizava que o nosso planeta orbitava o Sol antes do nascimento do astrônomo polonês, em 1473. Mas os cálculos e a coragem do cientista foram responsáveis por “dar nova vida a uma ideia muito antiga e por sua adoção na ciência moderna”, segundo Bannister. Hoje, depois de muito tempo, apoiado pela astronomia e por cientistas como Copérnico, o homem enxerga mais longe.


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