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Profissionais qualificados estão em falta no mercado

Kleyzer Seixas
  • Margarida Neide | Ag. A TARDE
    Engenheiro mecânico, Fábio Heinzen conquistou vaga de coordenador de manutenção há 60 dias
O mercado de trabalho no Brasil vive uma dicotomia: de um lado, são mais de sete milhões de desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e, do outro, empresas de norte a sul do País com dificuldades para contratar mão de obra. Atualmente, os profissionais mais escassos são engenheiros, os superqualificados na área técnica e aqueles que desempenham funções ligadas ao avanço tecnológico, com faixas salariais que variam de R$ 2 mil a R$ 9 mil, segundo estudos da IBM e  da Page Personnel. O tempo para recrutamento é, em alguns casos, de até 120 dias. 
O motivo principal da escassez é a falta de qualificação. No caso da engenharia, não é que existam poucos habilitados.  São, no total, mais de 32 mil registrados para atuar  na Bahia. E, por ano,  mais de mil deles chegam ao mercado oriundos, em grande parte, das  36 faculdades de engenharia do Estado.
A conta não fecha porque a quantidade de qualificados não é suficiente para acompanhar a crescente demanda de obras e trabalhos na indústria, motivada pelo crescimento econômico do País nos últimos anos. Na Bahia, a principal demanda é por engenheiro mecânico e eletricista, que tem vasta atuação na indústria e construção. Fábio Heinzen, engenheiro mecânico, por exemplo, conquistou uma vaga na Eternit há 60 dias. Coordenador de manutenção, ele destaca a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. 
Para áreas de formação técnica, especialistas em carreira apontam ainda falhas na formação. "As escolas técnicas  formam multiprofissionais, mas a qualidade está aquém do esperado", afirma Luís Fernando Martins, da Page Personnel.
Aliado ao problema, ainda existe resistência aos cursos técnicos, por conta da valorização do nível superior.  "É justo querer fazer faculdade, que é prestígio no Brasil, mas não podemos abandonar a essência do curso técnico. E, se nada for feito, vamos pagar um preço caro", diz Daniel Magno, da Máxxima Centro de Carreira.
Novas profissões - Na Bahia, faltam soldadores, inspetores de solda e de equipamentos. "E quem quer fazer isso? Ninguém. A família quer o filho doutor, e ele vai estudar em  faculdade particular. E como teremos mão de obra para suportar o crescimento do País?, questiona Magno.
Quanto às profissões surgidas a partir da revolução tecnológica, existem mesmo poucos habilitados. As empresas têm reconhecido cada vez mais a força da comunicação virtual e investido nas novas tendências. Das mais de 1.200 corporações entrevistadas pela IBM, quase dois terços  têm apostado em estratégias voltadas para a rede, universo que reúne 1,5 bilhão de pessoas, mais de um sexto da população mundial, por um motivo muito simples: as empresas querem estar onde os clientes estão.
E a grande parte dos usuários da rede passou a fazer uso da plataforma com maior intensidade, de 2009 a 2011, em apenas dois anos. Para acompanhar esse ritmo, as corporações precisam de agilidade. Investem na renovação de  sistemas, mas se deparam com um entrave: a raridade de especializados.
O mundo passa por um processo de mudança, motivado pela revolução tecnológica, que não afeta apenas as relações sociais, mas também a dinâmica do trabalho e suas oportunidades. Assim como aconteceu na Revolução Industrial, quando foram extintas funções e criadas outras, agora, ocupações como de telefonistas, por exemplo, estão sendo substituídas por sistemas automatizados. Mas, em compensação, existe uma demanda na área de tecnologia da informação, com possibilidades nas áreas de cloud computing, dispositivos móveis, business analytics e social business, prioridades de negócios para as indústrias, segundo a IBM.
E com a mudança, surge também a necessidade de um perfil mais dinâmico. "O jovem profissional, embora envolvido nas redes sociais, precisa adaptar a rede para o mundo corporativo. O mercado precisa de gente que atue nessa área de colaboração, troca de informação, com uma tecnologia que linque com a rede social", afirma o porta-voz da IBM, Ricardo Manzano.

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