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Amanhã tem prova da Ufba, mas nem todos estudaram o conteúdo inteiro

Estudantes que ficaram sem aulas durante a greve de 115 dias dos professores terão que mostrar o conhecimento acumulado

19.01.2013 | Atualizado em 19.01.2013 - 09:51
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Anderson Sotero

anderson.sotero@redebahia.com.br



O ano letivo ainda nem acabou, mas a estudante Ana Valéria Oliveira, 18 anos, que ainda está cursando o último ano no Colégio Estadual Anísio Teixeira, já vai colocar à prova o que aprendeu (e o que não aprendeu também) ama nhã e segunda-feira na 2ª fase do vestibular da Universidade Federal da Bahia (Ufba).



Ela não é a única. Assim como Ana Valéria, outros estudantes da rede estadual de ensino, que ficaram sem aulas durante a greve de 115 dias dos professores no ano passado e passaram na 1ª fase do vestibular da Ufba, terão que mostrar o conhecimento acumulado seja na escola, cursinhos ou por conta própria. Apesar de já ter que enfrentar a 2ª fase, os estudantes só vão finalizar o ano letivo em 28 de fevereiro. Ao todo, 464.238 mil alunos da rede estadual de ensino ainda estão tendo aula.



“Aproveitei o tempo para estudar mais. Nunca vi a escola como aliada. Só me ocupou tempo e, com a greve, a situação piorou”, conta Ana Valéria, que concorre a uma vaga no curso de Gastronomia. A estudante diz que se sente preparada para as provas, mas que correu atrás do conteúdo por conta própria, e se matriculou no cursinho Universitário. 



A seleção para a 2ª fase da Ufba foi feita a partir das notas no Enem. Um total de 11.162 candidatos, entre estudantes das redes pública e particular de ensino, disputa 4.796 vagas.  Nesta etapa, a relação é de três candidatos por vaga. Alguns cursos, no entanto, têm concorrência menor por causa da quantidade de inscritos.






Ditadura 
“Estou um pouco preocupado porque, em História, paramos na ditadura”, lamenta o estudante do 3º ano do Colégio Central Adson Alves, 18, que passou na 1ª fase para o curso de Administração. Para se preparar, ele conta que leu resumos da internet e estudou sozinho. 



Candidata a uma vaga de Engenharia de Minas, a também aluna do Colégio Central Heylane Garcia, 17, fará a prova também sem ver conteúdos importantes. “Alguns assuntos como Física Moderna, Geometria e Soluções, em Química, estão faltando ver”.



O sentimento é compartilhado por Juan Messias, 18, que concorre na Ufba a uma vaga de Letras Vernáculas e Língua Estrangeira Moderna. “Eu sou radical, por mim, esse ano letivo inteiro seria cancelado. Tive que correr atrás por minha conta”, diz o estudante que fez cursinho no Universidade para Todos.  “É uma revisão, que não substitui as aulas. Se for considerar só o colégio, posso dizer que vou para a prova na cara e na coragem”, completa.



Aulões 
Para tentar contornar os efeitos da greve, a Secretaria Estadual de Educação (SEC) informou que realizou 384 aulões em 13 bairros diferentes da capital e 11 municípios, além de criar em Salvador e Feira de Santana escolas-polos com aulas voltadas para alunos do 3º ano. 



“O conteúdo dos aulões teve tudo que vai ser tratado nos exames. Eles foram transmitidos através de vídeos-conferências”, afirma a diretora de Atendimento à Rede Escolar, Eliana Carvalho.



Ela ressalta ainda que parte dos alunos “não se interessaram”. “Acho que o conteúdo foi suficiente para o Enem e para o vestibular, mas teve alunos que não se interessaram. Não houve participação efetiva”, emenda.



No entanto, estudantes reclamam das ações do governo  para amenizar os prejuízos da greve. “O problema é que até hoje eles não conseguiram passar todo o conteúdo”, diz a estudante Yanca de Alencar, que estuda no Colégio Estadual Manuel Novais. 



Sobre os aulões da SEC, a estudante destaca que não teve acesso. “Não fiquei sabendo de nada. Na escola, os alunos não foram informados. Só teve aula normal mesmo”. 



Com o sonho de se tornar um engenheiro civil, o estudante Victor Sá Lima, 17, conta que as aulas no Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição, em Miguel Calmon, no Norte do estado, foram finalizadas na semana passada. No entanto, ele diz que o preparo foi deficiente. 



“Eu estudava de manhã, mas ainda tinha aulas no vespertino e noturno”, conta o estudante aprovado para a 2ª fase da Ufba que conseguiu uma vaga para o curso de Engenharia Civil na Univasf. Ele reclama ainda que o conteúdo era dado de forma “acelerada”. 



Especialistas admitem o prejuízo provocado pela greve dos professores estaduais, mas indicam que agora é importante relaxar e usar bem o que aprendeu, na hora das provas. “A preparação para o vestibular não é feita somente  no 3º ano. A formação de competências e habilidades é criada desde o Ensino Fundamental”, destaca a professora do Ifba e doutora em Educação, Telma Brito.



Para ela,  o processo é muito mais “complexo” e é preciso que a qualidade do ensino da rede pública seja revista desde as primeiras séries.  



* Colaborou Thais Borges




Particulares já atingiram limite de vagas, diz associação
Uma instituição privada de ensino superior que cobra uma mensalidade abaixo de R$ 500 vai ter muita dificuldade de ofertar um ensino de qualidade. A estimativa é do presidente da Associação Baiana de Mantenedoras do Ensino Superior (Abames), professor Carlos Pereira. “O problema é que esse é o custo médio por aluno. Para se manter cobrando esse valor, é provável que a instituição não consiga”, diz. 



Atualmente, as mensalidades de faculdades e universidades privadas costumam variar de R$ 450 a R$ 1,3 mil, segundo o presidente da associação. Pereira ressalta ainda que, desde 2008, o mercado já atingiu o pico de absorção. Em 2010, segundo dados do Censo de Ensino Superior, tinham cerca de 150 mil vagas de instituições privadas na Bahia, sendo 127 mil somente em Salvador. “De lá para cá, houve um pequeno crescimento de apenas 2%. Não há razão para as instituições criarem novos cursos, a não ser Engenharia e Medicina que ainda tem uma lacuna”. 



Para ele, a quantidade de vagas é “uma facilidade” para quem quer ter nível superior. “O que há de facilidade é que havendo vagas e as pessoas concluindo o ensino médio é o  requisito mínimo para estudar. É importante destacar que o ensino superior deve ser uma extensão do ensino médio. O vestibular é uma invenção brasileira”.


VEJA ONDE ACONTECE AS PROVAS
Em Salvador:
Instituto de Geociências (Ondina)
Paf I (Ondina)
Paf III (Ondina)
Paf V (Ondina)
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (São Lázaro)
Colégio Odorico Tavares (Corredor da Vitória)
Faculdade de Educação (Vale do Canela)
Escola de Administração (Vale do Canela)
Escola Politécnica (Federação)
Pavilhão de Aulas do Canela (Vale do Canela)



No interior:
Camaçari – Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães
Alagoinhas – Centro Territorial de Educação Profissional do Agreste de Alagoinhas (Cetepa)
Cruz das Almas – Centro Educacional Cruzalmense CEC
Santo Antônio de Jesus – Colégio Estadual Francisco Conceição Meneses
Itabuna – Colégio Estadual de Itabuna
Jequie – Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães
Juazeiro – Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães
Barreiras – Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável / ICADS / Ufba
Vitória da Conquista – Instituto Multidisciplinar de Saúde – Campus Anísio Teixeira / Ufba
Feira de Santana – Centro Integrado de Educação Assis Chateaubriand

Lamento pelo engano a que esses estudantes são submetidos. Não foi uma greve de 115 dias que os prejudicou, mas toda uma vida de estudos sem sintonia com as suas reais necessidades. No meu primeiro ano como professor, ouvi uma coordenadora me perguntando com sarcasmo, ainda nas primeiras unidades do ano letivo "Em que aquela matemática servirá para a vida de um estudante que vai trabalhar no comércio?" Nessa época eu dava aulas de matemática para jovens da 6ª série. É essa visão mesquinha que faz com que alunos de escolas públicas tenham menos informações que os estudantes de escolas particulares. 
Recentemente vi alguns estudantes ficarem surpresos com alguns livros de ensino médio que estavam comigo. Se surpreenderam porque julgaram que havia conteúdo demais num único livro. Ao passo que os livros que eles haviam recebido do governo continham bem pouca informação sobre qualquer dos conteúdos propostos. 
Querido aluno, acorde. Seus professores do ginásio, e das primeiras séries do ensino médio não querem persegui-lo, criar dificuldades para vc. Antes, querem livra-lo desse momento horrível chamado vestibular, ou faze-lo passar por esse momento com menos sofrimento.
A esses jovens que deram seus testemunhos, todo ano, há estudantes que dizem exatamente a mesma coisa: sentem-se despreparados e com poucas chances de aprovação no vestibular. Lembrem-se que não foi apenas greve que tirou as aulas de vcs. Aliás, sei de colegas que resolveram dar aulas e todo dia ouve pérolas de seus alunos "vcs fazem greve e nós é que pagamos". "Vocês ficaram sem aumento e agora querem descontar em nós". 
Perdão para o que vão dizer, mas a falta de compromisso com a educação sempre deveria partir inicialmente do estudante. Professores são pagos para dar aulas, ensinar. Mas, a maioria absoluta dos estudantes estão na escola para qualquer coisa, exceto aprender. Estão lá para namorar, para socializar, para comer a merenda, para carregar livros, para não ficar em suas casas enchendo a paciência de suas mães... mas não para estudar.

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