Acidentes, pragmatismo, educação.

Acidentes acontecem no mundo inteiro. Alguns, são verdadeiras tragédias anunciadas, com catálogo e tudo.
Quando adolescente, tive a oportunidade de assistir um vídeo educativo, salvo engano seu nome era Forças da Natureza; e nele se falava das piores forças da natureza e onde elas agem com maior frequência.
O vídeo chegava a comparar, por exemplo, o comportmento de alguns povos. Enquanto uns usavam seus poucos recursos alimentares para "aplacar"a ira dos deuses, em festivais religiosos, rezas, e coisas do tipo; outros, de forma bem mais pragmática, preparavam a população para os eventos cataclismáticos.
Sabe-se que o Japão, por sua constituição geológica convive com terremotos e maremotos há séculos. E a populaçao acostumou-se a sofre-los. Desde meninos as pessoas são criadas para a convivência com estes eventos. As pessoas sabem como proceder quando os eventos acontecem, de forma que não podem evita-los, mas podem torna-los menos letais. Sabem como agir tanto para minimizar riscos quando acontecem, quanto para ajudar os que sofreram menos com qualquer devastação. Algo semelhante ocorre nos EUA, onde várias regiões convivem com outras forças de natureza tempestiva também. Furacões, nevascas, terremotos, vulcões... os americanos convivem com essas realidades e sabem como viver com elas. Não fogem para áreas menos perigosas do país. Eventualmente, quando ocorre um dano, as regiões afetadas precisam de dinheiro para se reerguer, e para as ações próprias do momento. Entretanto, as pessoas não vivem apenas esperando as ações do governo.
Essa situação ocorrida numa boate no RS, muito me assusta. inclusive por não ser um evento natural, ao contrário bastante previsível, seria perfeitamente possível não apenas evita-lo, mas, em sua ocorrência, não trazer tamanha dor.
Para os que julgam que morreram porque chegou sua hora, deixo claro que não comungo desse pensamento. Essa linha "maktube" de pensamento não creio que seja razoável, nem inteligente.
Num mundo Cartesiano, talvez. Mas esse mundo em que vivemos, definitivamente, não o é. E precisamos lidar com o imponderável com tanta inteligência quanto com o perceptível e ponderável.
Fazer um show pirotécnico dentro de um espaço fechado já não é lá uma boa idéia. Mas é possível desde que se tomem as providencias devidas, no tempo devido. Agora que o pior aconteceu, fico me perguntando se as casas de shows daqui de minha cidade, SAlvador, também não apresentam os mesmos problemas que aquela. E algumas perguntas me ocorrem:
Os extintores não funcionaram ou não foram manuseados corretamente?
As saídas de emergência não estavam corretamente sinalizadas?
Como placas de saídas de emergência convergiam para um banheiro?
Porque os funcionários não deixaram sair os clientes considerando tamanho tumulto?
Não houve algum treino ou inspeção anteriormente?
A banda, ao que sei, já tem hábito de fazer esse tipo de movimento em seus shows, mas com que frequência testa seus equipamentos, e prevê possibilidades como essa?
Eu sou professor de Química. Já houve escola onde trabalhei que não me permitiu usar o espaço do laboratório sob alegação de quê poderiam ocorrer acidentes dentro dele. Como se no corredor da escola, ou nas salas de aula, ou mesmo da direção não pudessem ocorrer também. Acreditamos que temos controle sobre determinadas situações simplesmente evitando-as. Na verdade, o mais correto é prepar-se para elas, ainda que nunca tenhamos controle e preparo absolutos. Esse tipo de raciocínio me faz pensar naquele pai que não quer que sua filha adolescente engravide. Então, em lugar de falr de sexo seguro, e das responsabilidades associadas ao ato sexual, incluindo aí as questões afetivas e morais, os pais simplesmente não falam sobre o assunto, e não permitem que seus filhos se informem sobre o mesmo. Resultado? Veja as estatísticas do governo sobre o assunto. É assustador!
Acidentes ocorrem, desde que se crie as condições adequadas para tais. O fator humano é sempre o fator mais importante. Muito mais que equipamentos caros, o fato treinamento conta poderosamente nessas horas.
Uma coisa que se observa quando ocorrem acidentes é que as pessoas invariavelmente se desesperam, o que prova que elas não apenas não estão preparadas para resolver a situação de crise, mas que elas nunca se quer pensaram na possibilidade da ocorrência da crise.
Acidentes de trânsito, matam no Brasil mais que qualquer guerra. As pessoas não sabem como lidar com o transito, e acham que saber dirigir é apenas levar o veículo adiante, ou traze-lo à ré. Dirigir envolve obediência às leis da Física (!), da Química (!), e de trânsito. coisas simples como não avançar um sinal, não eavançar a faixa de pedestres, dar preferência ao pedestre e aos ciclista, evitar fila dupla... fazem toda a diferença entre um transito seguro e este que temos. Mas, mesmo quando todas as leis são seguidas, o imponderável, sempre pode ocorrer. E o que fazer diante de um sinistro qualquer? Imagine u carro que segue trafegando e seu condutor sofre uma dor lacinante como a de pedras nos rins? E se um acidente ocorre em decorrência desse fato e uma pessoa é atropelada. Como proceder? Se um ciclista cai atropelado por um veículo. Que fazer. De forma semelhante, se um incendio se abater sobre nossas casas, um curto-circuito... poucos sabemos como proceder, e aqueles que julgam sabe-lo não tem treinamento para efetuar os passos com a segurança devida.
É preciso que o governo estimule cursos específicos para essa situações. Primeiros- socorros deveria ser um curso básico em qualquer escola, inclusive nas de nível superior. Idem os cursos de prevenção de acidentes e  contorno de crises.
Com eles poderíamos não apenas dificultar a ocorrência desses eventos, mas lidar com eles de uima forma bem mais inteligente.
Força para as famílias, que seus mortos encontrem o merecido descanso eterno .


Revolta e comoção marcam enterros de vítimas da tragédia em Santa Maria

Ao todo, 231 pessoas morreram na tragédia. Cerca de 80 pessoas ainda estão em estado grave

28.01.2013 | Atualizado em 28.01.2013 - 14:18
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Fotos: Wilson Dias/ABr

Agência Brasil 

Mais de 100 enterros de vítimas do incêndio na Boate Kiss estão previstos para esta segunda-feira (28) no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria. Por todos os lados, o adeus é marcado por revolta e comoção dos parentes e amigos. As histórias são quase sempre de jovens na faixa de 20 anos e estudantes da universidade federal e tinham ido se divertir na casa noturna mais badalada da cidade.

“A gente estava junto em um churrasco e ele decidiu dar uma esticadinha na boate. Saiu do churrasco 1h30 e foi para lá. Não devia ter ido, devia ter ficado junto com a gente”, lamentava Everton Revelante, amigo de Silvio Beure, o Silvinho. O rapaz, que gostava de piquete e tinha levado amigas para conhecerem o local, morreu cerca de meia hora depois, no banheiro da boate, asfixiado com a fumaça tóxica do incêndio.

A poucos metros do túmulo onde Silvinho era enterrado, o soldado Leonardo de Lima Machado recebia a salva de tiros dos companheiros militares. Ele estava se divertindo com a mulher na boate quando o incêndio começou. Ele retirou a esposa do local, mas voltou para ajudar outras pessoas e não conseguiu mais sair. “Era uma pessoa competente, disciplinada, muito querida por todos do batalhão”, contou emocionado o sargento Lenois Cassol, que era colega de batalhão de Leornardo.

É difícil encontrar alguém em Santa Maria que não tenha perdido um amigo, parente ou conhecido na tragédia. Nos enterros, além de namoradas, mães, pais e irmãos inconformados, vizinhos e amigos demonstram perplexidade com o episódio. Pai de duas filhas com idades próximas às da maioria das vítimas, João Carlos Côvolo vai passar boa parte do dia acompanhando enterros no cemitério municipal.

“Fui no velório ontem, já fui a dois enterros hoje e vou a mais um hoje a tarde”, contou ainda chocado com o que aconteceu e aliviado por não ver as filhas entre os mortos. “Eu tenho duas filhas, de 23 e 28 anos, e graças a Deus no sábado elas não estavam lá, mas era um lugar onde elas sempre encontravam os amigos”, contou. O alívio, no entanto, não apaga a imagem de dor de amigos que perderam filhos. “Fui a pouco ao enterro de dois irmãos, de 17 e 19 anos. Um fazia agronomia e outro tinha acabado de entrar para direito. É muito triste”, completou.

Além da consternação, a maioria das pessoas também se mostrava confusa com a profusão de boatos e notícias que correm pela cidade - de que não havia extintores de incêndio funcionando na boate e que os seguranças impediram a saída das pessoas por achar que se tratava de uma tentativa de não pagar a conta. Para Cirineo Anversa, de 74 anos e morador de uma cidade próxima a Santa Maria, é inexplicável que ninguém tenha impedido a casa noturna de funcionar sem um plano contra incêndio.

“Eu fico admirado. Lá na lavoura, se você faz um armazém, os bombeiros vão lá ver se tem extintor, mangueira de incêndio, tudo certinho. E um clube como esse, que entra 1.500 pessoas, deixam funcionar desse jeito, com porta estreita para sair, sem extintor funcionando. Era isso que eles deviam olhar”, apontou o aposentado.

O governador do estado, Tarso Genro, e senadores do Rio Grande do Sul visitaram as famílias no velório hoje e defenderam mudanças nas regras para liberação de alvarás para casas noturnas, além de melhorias na fiscalização municipal.

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Neto ordena rigor em vistorias de casas de shows e camarotes

Henrique Mendes
  • Fernando Vivas | Ag. A TARDE
    O prazo para início das inspeções nos camarotes e casas de show ainda não foi divulgado
A tragédia que deixou 234 mortos em uma boate em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, levou o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), a determinar vistorias mais rigorosas nas casas de espetáculo da capital e nos camarotes que estão sendo montados nos circuitos do carnaval. A decisão foi divulgada à imprensa, na manhã desta segunda-feira, 28, após repasse de determinação para a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom). O prazo para início das inspeções ainda não foi divulgado.
"A tragédia de Santa Maria, que ganhou repercussão mundial, serve de alerta para todos nós. Todos nós somos solidários às famílias das vítimas, mas temos de tomar as providências necessárias para evitar que fatos semelhantes aconteçam", disse Neto ao defender a interdição imediata dos locais que não apresentem características de adequação às normas técnicas.
Para aplicação da medida, a Prefeitura promete reforçar a equipe de fiscalização, principalmente nos circuitos do Carnaval. Procurada pela reportagem de A TARDE na manhã desta segunda, a assessoria de comunicação da Sucom informou que os gerentes do órgão estão reunidos desde cedo para elaborar um planejamento que atenda a determinação do prefeito.

Saiba mais

Independente da determinação, a Sucom relata que fez inspeções diárias nos camarotes dos circuitos carnavalescos e realiza mutirões todas as quartas-feiras para verificações mais específicas. Conforme o órgão, para a devida entrega do alvará de funcionamento, os donos dos camarotes devem apresentar projetos que deixem claros planos de prevenção de incêndio, com devidas rotas de fuga, extintores e demais componentes que forneçam ampla segurança ao público.
Sobre a avaliação das casas de espetáculo (boates, casas de shows e eventos, espaços para festas infantis, buffets em geral, etc), a assessoria do órgão aguarda planejamento dos gestores para emitir comunicado à imprensa. A Sucom afirma que realizará uma coletiva na sede do órgão (Avenida ACM), às 14h30, para divulgar as ações de intensicação da fiscalização definidas junto à Prefeitura.  

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