Céu de Outubro



Céu de outubro
Céu de outubro é a versão em português para o livro Rocket Boy’s que trata da vida de 4 jovens da cidade de Coalwood, EUA. Os jovens em idade adolescente vivem um drama pessoal típico de adolescentes em fase final da adolescência: que rumo tomar na vida, sobretudo quando as opções que se tem na vida são tão desanimadoras?
Ocorre que a cidade vive da mineração de carvão, e tudo na cidade pertence a mineradora. A própria mina está praticamente exaurida. Aos jovens o futuro é certo: terminar os estudos e ser minerador. Alguns poucos podem, por força do esporte, conquistar bolsas de estudo e seguir faculdade representando suas faculdades.
No momento descrito pelo autor do livro, os soviéticos acabam de lançar o Sputnik ao espaço sideral e causa um terrível tumulto entre os americanos. A guerra fria estava ainda no começo e tudo o que o lado comunista produzia era tido como impróprio e maléfico entre os americanos. Os soviéticos tinham o mesmo sentimento em relação ao que fosse produzido por parte dos americanos.
Ocorre que, com o fim da segunda grande guerra, tanto americanos quanto soviéticos trataram de capturar o máximo possível de engenheiros, cientistas e médicos que trabalharam para os nazistas. Entre eles, haviam alguns que trabalharam na construção dos foguetes V1 e V2, que foram usados para lançar bombas sobre a cidade de Londres a partir de Berlim.São portanto, os precursores dos mísseis balísticos atuais.
Os americanos levaram o próprio Von Braum, criador dos foguetes. Mas os soviéticos lançaram-se ao espaço mais rápido que os americanos e tinham em mente soluções muito mais simples para os problemas enfrentados por ambos os lados. Entretanto, diferente do que ocorre hoje em dia, as descobertas feitas de um lado, não eram dividas com o outro, numa competição que, mais atrapalhou que ajudou nessa corrida ao espaço. É conhecida a história de que os americanos ficaram quase 10 anos tentando resolver o problema de como escrever com caneta em grande altitude, sem que a tinta vazasse por diferença de pressão. Eventualmente eles resolveram o problema, com um custo altíssimo comparado ao custo dos soviéticos. Eles usaram lápis! Ou seja, uma solução barata, rápida, e que adiantou a pesquisa em pelo menos 10 anos...
No cenário do filme, toda a sorte de distorções nas comunicações acontecem. As pessoas julgam que estão sendo filmadas do espaço e que suas vidas particulares passaram a fazer parte de um Big Brother, patrocinado pelo artefato comunista. 
O grande feito dos soviéticos é ter lançado ao espaço um artefato tripulado por uma cadela, a Laika, e ter mantido esse artefato no espaço por dias, monitorando suas passagens por alguns pontos do planeta. A pobre Laika acabou morrendo de fome, sede e estresse...
Diante dessa situação uma professora de ciências (tinha de ter uma heroína) usa o som produzido pelo satélite artificial para impulsionar a sua aula.

Ao falar sobre o assunto, levanta aos alunos a hipótese de que estes nunca mais seriam os mesmos e nem as suas vidas também seriam a partir daquele feito.
Porque tratar desse filme? Porque sei que ele tem tudo a ver com meus alunos.
Há vários elementos que me permitem dizer que o filme pode ser a história de qualquer um deles.
Porque diante das opções que eles não têm, se agarram a oportunidade que aparece para eles. Por não terem aptidões nos esportes, seguiriam como mineradores.
Nesse ponto, julgo importante o papel da família e da escola, como são mostrados no filme. A escola, na pessoa do diretor, segue seu papel institucional de formar mão de obra qualificada. Ou seja, fornece braços para a lavoura, dedos para apertar botões nas indústrias, mentes para criar segundo a necessidade do capitalista. Mas a professora julga que o papel da escola, em particular o dela, é outro. E essa divergência é mostrada em vários momentos. Mesmo as famílias dos jovens não acreditam que eles irão longe em seu projeto. Por isso num primeiro momento apenas deixam, mas no momento seguinte os problemas começam a surgir.
Mesmo a professora acaba, sem querer criando algumas situações que poderiam levar um jovem menos tenaz a desistir, quando ela afirma que eles não poderiam ir para a feira de ciências, por que a eles falta conhecimento para a construção e manutenção do projeto, mas ao mesmo tempo ela não fornece os instrumentos teóricos de que os jovens necessitam. É fácil apontar o que falta aos meninos, mas apontar os caminhos para que estes possam obter o que lhes falta, não é dado a eles.
De fato, falta-lhes tudo. Tempo, recursos, conhecimento científico. E à medida que a idéia segue, eles são obrigados a procurar novas informações para resolver os novos problemas que surgem. A cada novo problema que impede de lançar o foguete, eles precisam buscar novas soluções. Estudar matemática, química, física, materiais adequados, soldagem, local seguro...
A família apresenta um papel curioso. O pai de Homer quer ver seu filho como sua continuidade, e, portanto que siga os seus passos na mina. O jovem tem planos outros, e tenta se desvencilhar desse projeto do pai a todo custo. Enfrentando seus próprios medos, sua falta de conhecimento, o medo dos amigos próximos e colaboradores, a falta de recursos, ele persiste.
Para não contar a história, e não estragar as suas próprias impressões sobre o filme, julgo que vocês deveriam passar na locadora mais próxima e pegar esse filme. A história é verídica, e vários dos personagens ainda estão vivos, inclusive o Homer, que é engenheiro da NASA.
Gostaria de, com esse filme, impulsionar vocês aos estudos das áreas de exatas. Aprender ciências pode ser fascinante. Não apenas pela possibilidade de produzir empregos mais bem remunerados, mas porque o estudo de ciências, como mostrado no filme, pode resolver problemas de ordem prática, cotidianos em nossas vidas.
Os jovens fogueteiros aprenderam a resolver problemas simples ligados a matemática, química, física, e até biologia.

Acredito que filmes como esse possam ser utilizados para  estimular os estudantes, e criar uma aula diferenciada a partir das discussões que podem se seguir.
Afinal, o filme trata de uma história de vida, com problemas reais, e que poderiam muito bem ser as nossas. Fica a lição que, ter objetivos claros na vida, ser um pouco persistente e saber ultrapassar os obstáculos ao derredor entre nós e o cumprimento de nossos desejos é o normal a todos. E, com o devido conhecimento, adquirido ao longo da jornada, e impulso obtido pelos amigos, a jornada fica menos desagradável.
 


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