Manifestações na Praça da Piedade.


Hoje é dia 16/10/2012. Ontem foi dia do Professor. E nada tivemos a comemorar. 
Esse ano tivemos a mais longa manifestação de greve na Bahia, com 115 dias em greve. O saldo foi de 8 colegas que morreram, tres meses de aula a pagar, e a frustração de, mais uma vez ter nossas reivindicações  sendo ignoradas pela sociedade e pelo governo.
Nossa maior decepção é ter o governo do PT, que colocamos no poder, nos sufocando e tirando nossos direitos. 
Para os que não sabem da história completa podemos rememora-la.
Em 2011 o governo Wagner assinou acordo com a categoria onde ele iria repassar para todos os professores, integralmente, o índice referente ao piso nacional do magistério. Em janeiro, o MEC anuncia que esse índice seria de 22,22%, mas o governador volta atrás no acordo e oferece apenas 6%, e os 22,22% repassa apenas para os professores de 1ª a 4ª série.
A categoria exige o cumprimento do acordo e o governador se dirige ao Estado afirmando que não fez assinou acordo algum, ou não se lembrava de ter assinado acordo com a categoria. Depois, volta atrás, afirma que assinou, mas que não há caixa suficiente para cumprir o acordo.
Lembrando a todos que ele nada verdade não fez concessão alguma ao assinar o acordo. Na verdade estaria apenas cumprindo com a Lei estabelecida, uma vez que, ao conceder o valor para os professores do fundamental 1, ele deveria obedecer aos interníveis, pois não é coerente que o professor com melhor formação receba menor aumento (estaríamos sendo punidos por ter estudado), quando em todo o mundo civilizado, o profissional com mais estudo recebe mais e melhor que o profissional com menos estudo. Até nisso a Bahia anda na contramão do resto do mundo!
Ocorre que ao fazer esse acordo, o sindicato abriu mão de outros direitos. Esses não foram devolvidos, ou seja, perdemos estes e aquele!
Lembremos que a Lei deve ser cumprida por absolutamente todos, inclusive o excelentíssimo governador.
Historicamente professores são uma das categorias mais massacradas e com salários mais baixos no Brasil, seja na rede pública, seja na rede privada.
E essa não é uma questão apenas de haver caixa para pagar um salário melhor, ou não. 
Durante o período da greve, o mecânico que cuida do meu carro, perguntou-se indignado se queríamos ganhar 7000,00 reais e se isso seria justo. Devolvi a pergunta: "um acessor Parlamentar ganha 15 mi, por mês, tendo este apenas formação média. Professores, após 10, ou 15 anos, tendo doutorado, ganha algo em torno de 8mil. É justo?" Que importância tem um acessor parlamentar diante da importância de um professor? Policiais Federais ganham em torno de 8mil, em início de carreira. Sinceramente, creio que se professores fossem bem pagos, precisaríamos menos de policiais, juízes  médicos e outros profissionais. Nada contra o salário daqueles. A questão é porque justamente professores recebem, no Brasil, salário tão mais baixos que outras categorias? 
Cremos ser uma questão de prioridades. Educação nunca o foi nesse país! Veja que escolas são apenas um espaço pensado para "amontoar" pessoas. Não corresponde a um espaço pensado para que pessoas se aproximem, se organizem para o estudo e produção de conhecimento. Na realidade em que operamos, até as coisas mais básicas como água, produtos de limpeza, papel, e até mesmo professor, simplesmente é negligenciado.
Durante a greve, ficou evidente como o PT age: mentindo, desqualificando, atacando a honra, desmerecendo. Salários foram cortados, direitos foram anulados. Mentiras foram veiculadas em toda a mídia, tentando colocar os profissionais em educação como bandidos, transferindo a responsabilidade, do governo ao sindicato e profissionais.
Fomos responsabilizados pela falta de qualidade na educação baiana pelo fato de estarmos em greve.
Até nosso direito de escolha tem-nos sido retirados. Segundo alguns, a educação pública não funcionaria porque os professores colocam seus filhos para estudar em escola particular. Ou seja, todos tem o direito de escolher onde seus filhos vão estudar, mas professores são obrigados, segundo a opinião pública, a colocar seus filhos na escola pública... de forma idêntica, professores são obrigados a transitar  apenas de ônibus, porque ter um carro, ainda que envelhecido, e caindo aos pedaços é sinal de acumulação, o que, na opinião mais comum não corresponde ao objeto de um professor.
Vivemos numa dicotomia de idéias. O senso comum julga que professores deveriam receber os melhores salários. Mas a mesma sociedade que assim pensa, se coloca contra o professor sempre que este exige de seu patrão, seja ele na escola particular ou pública, que seu salário seja reajustado. Aí, nessa situação, quase sempre, o próprio povo se indispõe contra o professor.
Incomoda a essa sociedade, que o professor faça greve, sobretudo porque a eles fica a preocupação quanto ao lugar onde colocar os seus filhos. Perceba que, não havendo greve, a falta de professor nas escolas, coisa bastante comum, seja na escola particular ou pública, sobretudo quanto aos professores da área de exatas; é tido como algo suportável. Porque mesmo nessa falta de professor, o estudante ainda assim se dirige de sua casa para a escola. Entretanto, a greve dos professores é vista como a responsavel pela falta de aprendizado do aluno. Se os motoristas e cobradores ficarem um mes inteiro sem trabalhar, ou se a polícia ficar um semestre inteiro sem trabalhar, não é visto como problema para o ensino-aprendizado dos estudantes. Mas uma semana do professor, torna tudo insustentável.
É por isso que afirmo, nada temos a comemorar no dia 15/10, exceto nossa consciência tranquila quanto ao dever cumprido.

Postagens mais visitadas deste blog

Professora gostosa foi expulsa da escola por deixar alunos excitados.