Falta de chuvas aumenta conta de luz já no próximo mês - Economia - R7


Falta de chuvas aumenta conta de luz já no próximo mês

Reajuste é feito com base no dólar e inflação. Setor espera chuvas ao final de novembro
Felippe Constancio, do R7
A Usina Hidrelétrica de Itaipu tem 14 mil megawatts de potência instalada e atende a cerca de 19% da energia consumida no Brasil (imagem de arquivo)Rose Brasil / Agência Brasil
Cerca de 30% da energia do Sul e Sudeste do Brasil depende dos contratos de energia da hidrelétrica de Itaipu


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O acionamento das usinas térmicas a diesel e óleo combustível promovido pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) como medida emergencial para falta de água nas hidrelétricas nordestinas provocará impacto na conta de luz já no próximo mês. Isso acontece porque contratos entre usinas geradoras de energia e distribuidoras têm renovação já marcada para outubro. 



Usualmente, as distribuidoras de energia mantêm de prontidão usinas de óleo diesel e de óleo combustível, mais caras e mais poluentes, como medida preventiva. Quando o nível dos reservatórios nas hidrelétricas chega a um ponto crítico por causa das secas, essas matrizes alternativas são ativadas. 




Nas hidrelétricas do Nordeste, a meta para o final de 2012 é de 34% da capacidade para ficar dentro da margem de segurança. Hoje elas estão com cerca de 37%.



O presidente da comercializadora de energia Comerc, Cristopher Vlavianos, explica que é difícil prever de quanto será o aumento por conta de um conjunto de variáveis, como a particularidade de cada contrato entre distribuidoras e usinas, que definem o ajuste. 



— O contrato feito entre as fornecedoras de energia e distribuidoras conta com variáveis como a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), e até mesmo pelo dólar, como é o caso dos contratos de energia de Itaipu.



Segundo Vlavianos, 30% da energia do Sul e Sudeste do Brasil depende dos contratos de energia da hidrelétrica. Localizada na tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, a usina vende seus serviços às distribuidoras em dólar, que atualmente oscila entre R$ 2 e R$ 2,10 sob intervenções do BC (Banco Central).



2013



No mês passado, o governo anunciou um plano de redução tarifária que previa redução média de 16,2% nas contas residenciais, e de aproximadamente 28% para a indústria. O corte foi possível por conta da retirada de impostos federais sobre o serviço, além da renovação de concessões no setor.



Por outro lado, a medida do ONS é um sinal de que as chuvas dos próximos meses podem não se suficientes para normalizar os níveis nos reservatórios. Portanto, a seca pode reduzir os descontos na conta de luz previstos para 2013. Mesmo com o período de chuvas esperado para novembro, ainda não é possível afirmar quando as usinas de óleo não serão mais acionadas.



Vlavianos conta que o custo da operação das térmicas acaba sendo repassado a todos os consumidores.



— Todo ano se tem um reajuste de tarifa das distribuidoras. Então, de quatro em quatro anos se tem um ajuste na parcela A, que é a parcela de custos não gerenciáveis. Essa parcela é calculada pela variação dos contratos das distribuidoras. Essa variação vem com o índice do IPCA. Os contratos têm impacto dos despachos térmicos, e assim são passados ao consumidor final. 



Ele observa ainda que já existem contratos a serem recalculados em 23 de outubro, que serão renovados em relação a outubro de 2011.



Chuva e horário de verão



Enquanto as chuvas de verão são esperadas para que as usinas a óleo não precisem ser utilizadas, o horário de verão chega para aliviar o consumo de energia. O País deve fazer uma economia de R$ 280 milhões durante o período em que vigora o horário de verão, que começa a 0h deste domingo (21) e vai até 17 de fevereiro. 



Graças à menor necessidade de uso de usinas a gás, poderá ser evitado o custo arcado com novos investimentos em usinas térmicas, que chegaria a mais de R$ 3 bilhões, segundo o MME (Ministério de Minas e Energia).



De acordo com os cálculos do ministério, a redução do consumo de eletricidade no intervalo deve ser de 0,5%, chegando a 4,5% nas horas de pico.



O secretário de Energia Elétrica do MME, Ildo Grüdtner, disse nesta semana que a menor demanda durante esse tempo significa mais segurança para o sistema. Para ele, as companhias dispõem de uma folga adicional para poder fazer a manutenção de equipamentos. Além disso, com o nível de reservatórios relativamente baixo, a economia com o despacho de usinas térmicas a gás será maior.

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