CORREIO | O QUE A BAHIA QUER SABER: Novas técnicas ampliam arsenal contra tumores nas mamas

No Brasil, o câncer de mama ainda é um dos que mais mata, ou mutila mulheres, embora seja um dos mais fáceis de tratar.
E sempre o exame das mamas ainda é o recurso indicado para identificação e inicio do tratamento. Este quanto mais cedo ocorrer, mais eficiente se torna. Embora as campanhas sejam direcionadas às mulheres, homens também podem desenvolve-lo (afinal também possuem mamas).
Embora não seja comum entre homens, também causam grandes prejuízos quando se desenvolvem.  Embora o câncer de mama feminina atinja cerca de 50 mil mulheres, o câncer de próstata pode atingir cerca de 60 mi,l homens no Brasil no mesmo período, segundo estimativas oficiais.


Novas técnicas ampliam arsenal contra tumores nas mamas

CORREIO mostra novidades que ampliam as possibilidades de tratamento contra o câncer de mama

14.10.2012 | Atualizado em 14.10.2012 - 06:20
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Carmen Vasconcelos

A empresária Maria Conceição Santos, 56 anos, nunca havia se preocupado muito com a própria saúde. No corre-corre diário, as prioridades eram os filhos, o trabalho e a família. Mas suas perspectivas mudaram há sete anos quando, por insistência de uma amiga, decidiu fazer uma cirurgia de redução de mamas.


 “No dia da consulta, recebi uma notícia que mudou minha vida, pois o médico, diante de uma mamografia antiga e uma outra feita dias antes, disse que eu deveria estar presa por ter carregado durante aquele tempo um tumor maligno, chamado câncer”, relata.



Casos como o da empresária baiana são mais comuns do que se imagina. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo mais frequente em todo o mundo e o mais comum entre as mulheres. Este ano, a expectativa do Inca é que 52.680 novos casos sejam encontrados no país. Na Bahia, a estimativa é de 2.110 novos casos, enquanto em Salvador a estimativa aponta para 810 casos.



O assunto é tema de um movimento mundial chamado Outubro Rosa, que tingiu monumentos da capital baiana com a cor, além de trazer para a Bahia o 17º Congresso Mundial de Mastologia, considerado o mais importante na área e que discutiu, neste final de semana, inovações para o tratamento do câncer.



Entre as novidades está uma técnica de radioterapia que substitui as 25 sessões atuais por apenas uma, realizada após a cirurgia para retirada do tumor. De acordo com o mastologista Marcos Nolasco, a técnica desenvolvida na Itália consiste na colocação de uma placa de chumbo abaixo das mamas, protegendo o coração e o pulmão, que recebe uma dose maior de radiação de forma direta, quando o tórax ainda está aberto em virtude da cirurgia.




“São muitas as vantagens do método, como o fato de eliminar o tempo das sessões, permitindo que a paciente se recupere da cirurgia e do tratamento ao mesmo tempo”, explica. A outra vantagem apontada é que a dose única se insere no tripé do tratamento contra o câncer que consiste na cirurgia, radioterapia e quimioterapia.



O especialista destaca que, embora tenham um custo alto, algumas adaptações já começam a ser realizadas na Bahia com o intuito de baratear os custos. Uma dessas adaptações consiste em realizar as cirurgias em períodos da semana em que o equipamento tradicional, disponibilizado nas entidades públicas, possa ficar à disposição de um único paciente. “Todas essas experimentações estão muito recentes, mas confiamos que novas estratégias e investimentos possam baratear os custos, tornando mais acessível para a população”, completa.



Além da técnica italiana, o congresso mostrou outras novidades, como a mamografia em terceira dimensão, que amplia a visão dos profissionais da área sobre a mama, facilitando, inclusive, o diagnóstico naquelas mamas mais densas, que costumam esconder tumores no exame convencional.



Informações 
Para Marcos Nolasco, tão importante quanto as novidades científicas e tecnológicas é a disseminação de informações sobre a doença e a detecção precoce. “Com o envolvimento da sociedade como um todo, a ameaça do câncer de mama fica mais fácil de ser vencida”, pontua Nolasco.



Com uma opinião parecida, o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Carlos Ruiz, reforça a postura de que a detecção precoce e a informação formam as bases para vencer o câncer. “Sabemos que boa parte das mulheres evita os exames e o tratamento porque associam o câncer de mama ao sofrimento, à mutilação e à morte. É preciso que se diga e mostre que existe sim vida com qualidade durante o tratamento e que ele pode significar a cura”, ressalta.



Foram essas informações e o tratamento que salvaram a empresária Maria Conceição. Ela conta que a orientação do médico e o apoio da família fizeram todo o diferencial. “Meu filho havia lido que as pessoas que têm motivos para viver lutam mais contra a doença e, pensando nisso, ele me deu uma neta, que era um sonho acalentado, depois me fizeram acreditar que eu poderia superar e superei”, diz.



Ela relata que o medo quase a fez desistir do tratamento, mas o médico mostrou que era possível tratar e encontrar a cura. “Hoje, tenho prazer em dar meu testemunho e lembrar daquelas palavras que ouvi durante o processo de tratamento. Para curar, você tem que ter fé, vontade de viver e tratamento adequado”, diz.



Sintomas 
O câncer de mama, geralmente, não causa dores e se desenvolve de forma silenciosa, daí a importância do autoexame para identificar qualquer alteração ou a presença de caroços (nódulos), dos exames feitos nas consultas ginecológicas e da mamografia anual após os 40 anos.



Em alguns casos, podem surgir alterações na pele da mama, como achatamentos ou entradas na pele, inclusive no mamilo, ou aspecto semelhante a casca de laranja. Secreção no mamilo também é um sinal de alerta. O sintoma do câncer palpável é o nódulo (caroço) no seio. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila. Primeira menstruação precoce, menopausa tardia (após os 50 anos), primeira gravidez após os 30 anos e não ter tido filhos também constituem fatores de risco.



Embora o fator genético responda por apenas 10% dos casos, mulheres com história familiar de câncer de mama  possuem maior risco de desenvolver o câncer. Esse público deve ser acompanhado por um profissional de saúde a partir dos 35 anos. 

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