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Secretário diz que seca na Bahia se agravou e prevê pior dos cenários em 2013

Eduardo Salles, da Seagri, falou sobre socorro a atingidos por estiagem e crise na agropecuária

Laís Rocha - Metro1
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Secretário diz que seca na Bahia se agravou e prevê pior dos cenários em 2013
Foto: Jornal da Metrópole / 18.05.12
Para quem acha que o grave problema da seca no interior da Bahia regrediu pelo fato de o tema ter praticamente sumido do noticiário, está enganado. A situação continua grave e pode piorar ainda mais, de acordo com o secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), Eduardo Salles. Em entrevista ao Metro1, ele lamentou a persistência da estiagem e previu ainda um preocupante agravamento da situação até o ano que vem. "Mesmo com as intervenções do governo, é quase impossível contornar a situação. Esse é o momento mais difícil que a agropecuária baiana já viveu nos últimos 50 anos", afirmou.


Mais da metade em estado de emergência



Até o momento, 258 municípios decretaram situação de emergência na Bahia por conta da seca, 60% do total. Ao todo, cerca de cerca de 2,4 milhões de pessoas são afetadas pela falta de chuvas.



De acordo com a Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cordec), os municípios têm sido abastecidos prioritariamente por carros pipa. Segundo dados divulgados pelo governo, entre o início de 2011 e agosto desse ano, já foram investidos R$ 4,05 milhões em 153 convênios para abastecimento de água através de carros pipa, atendendo 495 mil pessoas -- cerca de um quinto dos atingidos pela seca.



A Barragem Manoel Novaes, mais conhecida como Barragem de Mirorós, que abastece 14 municípios baianos, está operando com 8% da sua capacidade. 



Segundo Raimundo Neto, gerente da unidade regional da Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa), em no máximo seis meses pode haver interrupção do abastecimento. "Nossa prioridade é o consumo humano, o qual já está prejudicado. A situação está muito complicada", afirmou.



Crise produtiva



Até o início deste ano, a Bahia tinha o maior rebanho caprino, o segundo maior de ovinos e o terceiro rebanho leiteiro, de acordo com a Seagri. No entanto, após a longa escassez de água, 4% dos rebanhos estão perdidos, conforme pesquisa realizada pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).



Quanto ao plantio nas áreas atingidas, o secretário Eduardo Salles conta que somente a região Oeste da Bahia conseguiu colher parte da safra. Nos outros locais, praticamente tudo foi perdido. "As plantações perenes estão afetadas como é o caso do café, mas a lavoura está comprometida. A produção leiteira também está praticamente perdida. Alguns produtores já fecharam as portas", informou.



Cidades há dois anos sem chuva



Estudos da Seagri apontam que a atual seca persiste desde 2010, e por isso é possível que os índices pluviométricos aumentem daqui para frente. "Em alguns municípios não chove há dois anos, mas a situação está melhorando como o caso da região da Chapada Diamantina. Espero que o quadro atual melhore, senão a seca de 2013 será muito pior que a atual", alertou.



Medidas emergenciais



Para auxiliar os agricultores familiares da Bahia, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), por intermédio do governo federal, disponibiliza créditos emergenciais. Segundo a Superintendência do BNB, 18.822 agricultores procuraram o Banco e contrataram R$ 131,3 milhões.



Utilizando essas linhas de crédito, os produtores estão comprando sacas de milho em outras regiões do país através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo Salles, já foram vendidos mais de 160 toneladas de milho produzidas no Centro-Oeste, no entanto, a mercadoria tem dificuldade chegar ao seu destino. "Não se tem carretas que venham trazer o milho para cá. Aqui no Nordeste, na região produtora, não se tem galpões grandiosos onde se possam armazenar esse produtos", explicou.



No entanto, apesar de todas as medidas emergenciais, o titular da Seagri admite que as intervenções ainda não são suficientes para atender toda a população afetada. "Nós temos consciência que a demanda é muito grande e não conseguimos atender a todos como é necessário. Para se recuperar dessa seca, nós vamos demorar décadas com certeza", comentou.



MP da Seca



No final do mês passado, o Senado aprovou a Medida Provisória da Seca (MP da Seca - 565/2012), que cria linhas de créditos especiais para atender aos setores rural, industrial, comercial e de serviços em municípios atingidos por secas e enchentes. O projeto segue para sanção da presidenta Dilma Rousseff.



Se sancionada, os produtores atingidos por desastres climáticos terão a possibilidade de renegociação das dívidas com limite de até R$ 200 mil (em valores atuais) e R$ 100 mil (valor de origem), cujos contratos tenham sido feitos até 2006, com prazo para pagamento em 10 anos. "A MP garante nova negociação de dívidas agrícolas e a suspensão imediata das execuções judiciais, principalmente daqueles que tanto sofrem com a forte seca no país, que terão agora prazo de dez anos para se programarem", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA).



As medidas contidas na MP vão beneficiar cerca de 500 mil produtores, sendo que 125 mil, principalmente no Nordeste, já estão na fase de execução e terão as cobranças suspensas, assim que a medida virar Lei.



PAC do Semiárido



Uma das propostas estudadas para diminuir as conseqüências da seca, segundo o secretário Eduardo Salles, é a criação do PAC do Semiárido. Ele explicou que uma proposta está sendo elaborada, retratando os efeitos da longa estiagem no semiárido baiano, e será apresentada à presidente Dilma.



"Queremos, dentro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a liberação de recursos destinados a perfurar poços artesianos, mesmo com água salobra, para dessedentação animal; plantação de palma adensada, para formação de reserva estratégica de alimentos", informou.

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