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21/09/2012 07h00 - Atualizado em 21/09/2012 18h06

Funcionários da Secult denunciam intimidação por voto em Toinho Carolino

Denúncia foi feita por servidores diferentes; secretário e candidato negam

Erick Issa - Metro1
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Funcionários da Secult denunciam intimidação por voto em Toinho Carolino
Foto: Metropress
"Onde há fumaça, há fogo". Pelo menos no dito popular, quaisquer informações, especulações e afins merecem atenção e devida apuração, a fim de desvendar o que há de verdade por trás do que foi denunciado.

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O Jornal da Metrópole foi contatado por quatro pessoas que alegam sofrer pressão do secretário municipal da Educação, João Carlos Bacelar (PTN), para votar no candidato a vereador Toinho Carolino (PTN) e comparecer a eventos do candidato à Prefeitura de Salvador apoiado por Bacelar, o deputado federal ACM Neto (DEM).

As denúncias ficam mais graves quando os funcionários da própria Secretaria da Educação informam estar sofrendo ameaças de demissão ou transferência de setor caso não votem em Toinho Carolino, que já trabalhou com João Carlos Bacelar, é do mesmo partido do secretário e, além de ter seu apoio, conta com o aparato da secretaria a seu favor.

E como se a coisa não pudesse ficar mais grave, um professor concursado, recém-convocado para assumir sua função, conta que foi convidado para um evento sobre propostas para a educação e diz que, para sua surpresa, encontrou um comício em favor do candidato ACM Neto na casa de shows Espetáculo.

"A secretaria virou comitê"

"A ordem é comparecer a eventos de ACM Neto, votar nele e no Toinho". É desta maneira que Carla Coelho*, que trabalha na Secretaria de Educação, revela os bastidores do órgão. "Acontece o tempo todo. Diretores e gestores recebem ordem expressa para votar em Toinho e Neto. Está demais aqui. O gabinete virou comitê político", denuncia.

Carla conta também que um ex-funcionário da secretaria, candidato a vereador em Lauro de Freitas, tem à sua disposição todo o aparato para se eleger, recebendo, inclusive, salário sem trabalhar. "É gente do gabinete do secretário. Ele trabalhava no setor de computadores, se afastou em abril, mas ainda assim continua na folha de pagamento recebendo salário", diz.

O Jornal da Metrópole apurou que se trata de Cláudio Silva dos Reis, o Cláudio Nem, filiado ao PTN, partido do qual Bacelar é presidente. "Todo mundo está insatisfeito com esta situação, mas tem medo de denunciar para não sofrer represália", completa a funcionária.

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É votar ou 'vazar'

Situação pior vivem os funcionários terceirizados das Coordenações Regionais de Educação. Conforme denúncia de Tiago Sales*, a maioria dos contratados é obrigada a colocar adesivo e plotar seu carro com a imagem do candidato Toinho Carolino. "As pessoas estão sofrendo ameaça de transferência, estão insatisfeitas, mas, com medo de falar, acabam seguindo a ordem. Eu mesmo plotei meu carro por medo", afirma.

"Eles utilizam o telefone e o carro da coordenação para fazer campanha e distribuir material de Carolino. Grande parte não vai votar nele, mas outras vão por medo de perder o emprego. Todos informam que é ordem expressa de Bacelar, de votar no ex-assessor dele, no braço direito, que ele quer 'fazer' pra vereador", completa Tiago Sales.

Caso não é isolado


O Jornal da Metrópole recebeu denúncias de que há intimidação também em outros dois órgãos da Prefeitura: Empresa Salvador Turismo (Saltur) e Companhia de Governança Eletrônica do Salvador (Cogel). Segundo denúncias, na primeira, as pessoas são compelidas a votar em Nelson Pelegrino (PT) e, na segunda, em ACM Neto.

"O problema é que a Saltur está loteada entre pessoas ligadas ao vice-prefeito Edvaldo Brito (PTB) e a Nelson Pelegrino. Uma funcionária ligada ao petista diz o tempo todo que quem não votar nele vai ser demitido, porque ele será o próximo prefeito e vai demitir todo mundo", diz Aline Borges*.

Na Cogel, não é diferente. "Nailton Lantyer, indicado por César Borges para a presidência da Cogel, divulga que já está com o cargo garantido porque Neto será o próximo prefeito. Ele tem feito reuniões com os terceirizados da Casa Civil que trabalham com tecnologia e ameaça de demissão quem não votar em Neto. O povo está apavorado", relata Judite Araújo*.

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Comício disfarçado

Conforme outra fonte, o 'Encontro de Educadores', evento idealizado pelo secretário João Carlos Bacelar com a proposta - segundo ele mesmo - de debater a educação no município, foi apenas um disfarce para colocar Neto em mais um palanque político. O evento aconteceu no dia 31 de agosto na casa de eventos Espetáculo, antiga sede de praia do Bahia.

Professores aprovados no último concurso da Prefeitura foram finalmente convocados para assumirem suas vagas e receberam o convite para comparecer ao evento, mas, no local, perceberam algo diferente. "Pensei que fosse relativo à convocação, mas quando cheguei lá, vi que era um mini-comício de Neto, com discursos dele e de Heraldo Rocha. Eles colocaram adesivos de Neto nas pessoas e todos ficaram constrangidos", conta Edgar Carvalho*.

O presidente municipal do Democratas, Heraldo Rocha, negou a denúncia, atribuindo-a ao PT. "Já estou cansado de responder as mentiras desse pessoal do PT. Não houve nada disso. Isso é uma grande mentira e, em política, se chama desespero. Estive no evento e lá tinham muitas famílias, muita gente conhecida minha e não houve nada disso. O deputado João Carlos Bacelar está incomodando pelo trabalho que faz na secretaria, coisa que Olivia Santana não fez. Ela foi péssima secretária", ataca.

Bacelar nega acusações

Chamado a dar sua versão dos fatos, o secretário João Carlos Bacelar atendeu prontamente a reportagem do Jornal da Metrópole e negou todas as acusações de intimidação. "Isso não existe. Temos tantos candidatos que têm relação com os trabalhadores da educação que não iríamos fazer pressão por um candidato a vereador", diz.

Bacelar afirma que Toinho Carolino trabalha com ele desde a sua primeira campanha. "Ele era meu assessor. É um candidato que tem meu apoio direto, mas dentro da secretaria de jeito nenhum. O corpo técnico da secretaria de educação é altamente qualificado, independente e não se submeteria a uma pressão desse tipo. Ninguém é obrigado a votar em ninguém", diz.

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"É uma denúncia infundada"

O candidato a vereador Toinho Carolino (PTN) afirma que nenhuma denúncia apresentada corresponde à realidade. "É uma denúncia infundada. [Os autores da denúncia] Devem ser  alguns adversários, por eu estar trabalhando com o atual secretário por pouco mais de 25 anos, as pessoas acham que ele está utilizando a secretaria em benefício de Toinho Carolino, o que não é verdade", diz, falando em 3ª pessoa.

Toinho afirma que os eleitores precisam conhecer o seu trabalho. "O que ocorre é que, de fato, eu tenho trabalho prestado na comunidade da Boca do Rio, onde eu nasci, me criei e moro há 47 anos. Alguns adversários meus têm utilizado de má fé essas informações que são levadas aos veículos que noticiam, infelizmente, sem antes saber a verdade dos fatos", afirma.

* Nomes fictícios

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