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Gás natural: transição para um futuro de energia limpa?



  • Brendan Smialowski / The New York Times
    Tanques de armazenamento na instalação<br> de gás natural em Lusby, Maryland (EUA)
    Tanques de armazenamento na instalação
    de gás natural em Lusby, Maryland (EUA)
Nós estamos no meio de uma revolução do gás natural nos Estados Unidos, que potencialmente pode mudar o jogo para a economia, o meio ambiente e nossa segurança nacional – se fizermos as coisas certas.


As enormes reservas de gás natural que foram abertas nos depósitos de xisto por todo o país e que agora podemos explorar, graças a avanços em imagens sísmicas, perfuração horizontal e fratura hidráulica, estão nos permitindo substituir grande parte do carvão mais sujo por gás mais limpo como maior fonte de geração de eletricidade nos Estados Unidos. E o gás natural poderá em breve abastecer carros, caminhões e navios. Isso está ajudando a reduzir nossas emissões de carbono mais rápido do que o esperado e nos tornando mais seguros em energia. E, se os preços permanecerem baixos, poderia permitir aos Estados Unidos trazer de volta indústrias manufatureiras que migraram para o exterior. Mas, como coloca o perito em energia e clima Hal Harvey, há apenas uma questão grande e importante que precisa ser feita sobre esse tesouro de gás natural: “Será uma transição para um futuro de energia limpa ou um adiamento de um futuro de energia limpa?”



Essa é a pergunta – porque o gás natural ainda é um combustível fóssil. A boa notícia: ele emite apenas metade dos gases do efeito estufa que o carvão quando queimado e, portanto, contribui apenas metade para o aquecimento global. A notícia ainda melhor: a recente fartura o torna barato para desenvolver. Mas há um custo escondido, a longo prazo: a abundância sustentada de gás poderia minar novos investimentos em sistemas eólicos, solares e nucleares eficientes –cuja emissão é zero– e nos manteria viciados em combustíveis fósseis por décadas.



Isso seria temerário. Os extremos de secas e enchentes no mundo neste ano são totalmente consistentes com os modelos de mudança climática não linear, disruptiva. Após temperaturas quentes recordes na primeira metade deste ano, não causa surpresa descobrir na semana passada que o Departamento de Agricultura já designou mais da metade de todos os condados americanos –1.584 em 32 Estados– como áreas de desastre, onde as áreas de pastagem e plantio foram destruídas pela seca.



Esse é o motivo para o jornal britânico “The Guardian”, de 29 de maio, ter citado Faith Birol, o economista-chefe da Agência Internacional de Energia, como tendo dito que “uma era dourada para o gás não é necessariamente uma era dourada para o clima” –se o gás natural acabar minando as fontes renováveis. Maria van der Hoeven, diretora executiva da AIE, pediu aos governos que mantenham os subsídios e regulamentações para encorajar o investimento em energia eólica, solar e outras renováveis “por muitos anos”, para que permaneçam competitivas.



Além disso, apesar do gás natural ser mais limpo do que o carvão, extraí-lo pode ser bastante sujo. Nós temos que fazer isso do modo certo. Por exemplo, a vantagem em carbono pode ser minada por um vazamento de gás natural não queimado dos poços e gasodutos, porque o metano – o principal componente do gás natural– é um gás do efeito estufa extremamente poderoso, mais poderoso do que o dióxido de carbono. As grandes companhias petrolíferas podem facilmente manter padrões elevados de extração, mas muito da fratura hidráulica é feito por empresas pequenas que não conseguem. Os padrões que podem tornar a fratura hidráulica OK não são caros, mas as grandes empresas querem assegurar que as pequenas também as sigam, para que todos tenham a mesma base de custo.



Em 19 de julho, a “Forbes” entrevistou George Phydias Mitchell, que, nos anos 90, foi pioneiro no uso de fratura hidráulica para libertar o gás natural do xisto impermeável. Segundo a “Forbes”, Mitchell argumentou que a fratura hidráulica precisa ser regulamentada pelo Departamento de Energia, não apenas pelos Estados: “Porque se não o fizerem direito, haverá problemas”, ele diz. Não há desculpa para não fazer certo. “Há boas técnicas que a tornam segura e que devem ser seguidas do modo apropriado”, ele diz. Mas as empresas menores de exploração “são malucas. É difícil controlar essas empresas independentes. Se fizerem algo errado ou perigoso, elas devem ser punidas”.



Fred Krupp, o presidente do Fundo de Defesa do Meio Ambiente, que tem trabalhado com o governo e as empresas em padrões de perfuração, acrescentou: “As vantagens econômicas e de segurança nacional do gás natural são óbvias, mas se você visitar algumas dessas áreas de desenvolvimento intensivo, os impactos ambientais são igualmente óbvios”. Nós precisamos de padrões aceitos nacionalmente para controle do vazamento de metano, para controle da água utilizada na fratura hidráulica – de onde ela virá, como tratar a água poluída que sai do processo de fratura hidráulica e como proteger os aquíferos – e assegurar que as comunidades tenham o direito de dizer não à exploração. “A mensagem chave”, disse Krupp, “é que é preciso cumprir regras. Os Estados precisam de capacidade real de fiscalização e esquemas de cumprimento, onde as empresas possam certificar que estão fazendo as coisas do modo certo e onde haja penalidades severas em caso de perjúrio”.



As empresas de energia que desejam manter a regulamentação frouxa precisam entender que uma série de acidentes em torno do gás natural provocaria –justificadamente– uma reação ambiental para suspendê-lo.



Mas também precisamos acertar os aspectos econômicos. Nós precisamos de mais receita de impostos para chegar a um acordo orçamentário em janeiro. Por que não um imposto sobre o carbono que gere dinheiro suficiente para nos ajudar a pagar o déficit e reduzir tanto o imposto de renda das pessoas físicas quanto das jurídicas, assegurando ao mesmo tempo que as fontes renováveis de energia permaneçam competitivas com o gás natural? Isso asseguraria uma transformação da América por essa revolução do gás, não apenas de nossa rede elétrica.


Tradutor: George El Khouri Andolfato

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