Folha de S.Paulo - Poder - Tablet nas escolas vira plataforma de candidatos - 09/09/2012

Por aqui, em Salvador, a promessa de campanha em torno do tema ainda não chegou, e vamos ficando com o bem básico mesmo: construção de escolas e valorização dos professores (embora ninguém explique exatamente como!). Ou seja, enquanto a promessa, lá é de inovações tecnológicas cada vez maiores, por aqui, conseguir o espaço onde se possa instalar uma escola já é considerado um progresso. Claro que tablets e internet móvel são muito interessantes. São parte da demanda de nossos tempo moderno. As crianças da periferia precisam aprender a lidar com esses equipamentos, pois eles serão parte do mundo do trabalho, acadêmico e de suas vidas como um todo. A escola precisa gerar e sanar a demanda social. Mas, professores precisam ser treinados para usar esses equipamentos com objetivos educacionais. Os aparelhos são uteis, mas é preciso que o profissional tenha tempo para operar-los, e montar suas aulas. Isso exige que o profissional tenha o equipamento, tempo para lidar com ele, software apropriado, e dinheiro. Portanto, voltamos a uma velha plataforma básica: salários! As escolas da Bahia, mesmo as particulares e mais conceituadas, parecem como grandes galpões onde gente é colocada empilhada. Pensasse em escolas, como quem pensa num estacionamento. Um lugar para acomodar... no caso, gente. Ninguém pensa em escola como um lugar, realmente, de permanência, ainda que curta. Se assim fosse, teríamos preocupações com os sanitários, com os  espaços para diversão, para socialização, para leitura... escola é lugar para entrada, permanecia e saída. Tudo a seu tempo. Não é a toa que a escola é tida como um lugar desagradável para se estar.

Tablet nas escolas vira plataforma de candidatos

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FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE

Após a onda de promessas de instalação de sistemas de internet sem fio na campanha municipal de 2008, candidatos a prefeito de grandes cidades estão agora prometendo a compra de tablets para alunos e professores da rede pública.
Na esteira do anúncio feito pelo Ministério da Educação da aquisição de 900 mil aparelhos para escolas, eles dizem que é possível disseminar o uso do equipamento para melhorar a aprendizagem.
Em Porto Alegre, o assunto já figurou até em debate na TV. Manuela D'Ávila (PC do B), uma das líderes na disputa eleitoral na cidade, é defensora da ideia e reclamou que houve uma reação "jocosa" de outros candidatos.
Em capitais como Teresina e Recife, e em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), o tema também está na pauta eleitoral. Um dos argumentos de políticos como o tucano Cícero Lucena, de João Pessoa, é que, com a digitalização dos livros, haveria economia.
Na capital pernambucana, Geraldo Julio (PSB) divulga seu plano de distribuir tablets a todos os 70 mil alunos do ensino fundamental.
O MEC já comprou neste ano 410 mil aparelhos, em um investimento de R$ 330 milhões. Eles serão entregues a escolas de ensino médio de Estados cadastrados em um projeto do ministério. No início, só professores receberão os equipamentos. O custo por unidade variou de R$ 279 a R$ 462.
INCERTEZA
A viabilidade e o custo-benefício dos projetos envolvendo tablets são alvo de críticas de especialistas em educação.
O professor da USP José Marcelino de Rezende Pinto, que pesquisa políticas públicas para o setor, diz que as promessas são "factoides".
Para ele, entregar tablets para professores pode ser válido, mas é preciso priorizar a estruturação das bibliotecas da rede de ensino, que não oferecem o mínimo aos alunos.
"Infelizmente, a lógica dos candidatos é achar uma marca para ver se, com aquilo, 'cola' no eleitor. E a educação não pode depender disso."
O economista Gustavo Ioschpe diz que há um "claro viés eleitoreiro" em prometer um bem de consumo para a população. Também considera improvável que se gaste menos dinheiro público com tablets do que com o material didático convencional.
O candidato tucano de Teresina, Firmino Filho, diz que as críticas são "conservadoras". Ele afirma que não há como ter certeza do retorno, mas "é preciso ousar".
"Em cinco anos a escola particular estará toda informatizada, com quadro eletrônico. E a pública ainda no giz e no papel. Não faz sentido."
'DÉJÀ VU'
Não é a primeira vez que promessas de massificação da tecnologia marcam campanhas municipais pelo país. Em 2008, as eleições para prefeito tiveram uma série de propostas de instalação de sistemas de internet sem fio nas cidades.
O acesso gratuito esteve nos debates em capitais como São Paulo, Goiânia e Rio.
À época concorrendo à prefeitura, Marta Suplicy (PT) divulgava um projeto de cobrir São Paulo com antenas para universalizar a internet.
O custo estimado naquele ano era de ao menos R$ 64 milhões. Na TV, um jingle do PT dizia: "Todo mundo vai navegar". Marta chegou a acusar o deputado federal ACM Neto (DEM) de se apropriar da ideia em Salvador.
Dois anos mais tarde, em 2010, o então candidato a governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) usava em sua campanha um projeto de internet sem fio que havia inaugurado na Prefeitura de João Pessoa. Naquele ano, ele renunciou ao cargo de prefeito para tentar o governo.
Em parceria com o governo federal, o "Jampa Digital" iria ofertar o acesso à rede de modo gratuito à população, com pontos espalhados pela orla e centro da capital da Paraíba.
Em maio passado, porém, a Polícia Federal fez uma operação para apurar supostas irregularidades no projeto.
Naquele mês, a PF apreendeu documentos e disse ter indícios de fraude na licitação da empresa responsável por fornecer equipamentos.
A prefeitura, hoje comandada por Luciano Agra (sem partido), diz que tomou todas as medidas cabíveis, como a suspensão temporária do contrato para a apuração dos fatos. Informou ainda que o Tribunal de Contas do Estado não constatou problemas no processo de licitação.
Folha procurou a assessoria de Coutinho, hoje governador, mas não obteve resposta.

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