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Estudo explica efeitos da abstinência de cocaína no cérebro

Experiência com ratos geneticamente modificados mostrou que droga impacta receptor que regula a comunicação entre células nervosas

AFP 
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Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos descobriu parte do que acontece no cérebro, em nível celular, e que faz com que os dependentes em cocaína se sintam tão mal quando sofrem síndrome de abstinência, segundo estudo publicado esta segunda-feira (10).
Os resultados oferecem uma compreensão maior sobre os mecanismos que criam uma avassaladora sensação depressiva naqueles que param de usar a droga e dar pistas aos cientistas que querem mitigar estes sintomas, evitando assim que o usuário em tratamento sofra uma recaída.
Estudando ratos geneticamente modificados, os pesquisadores se concentraram em uma molécula, chamada receptor canabinoide tipo 1 ou CB1, que diminui a comunicação entre células nervosas. 


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Esta molécula é particularmente importante na área do cérebro conhecida como núcleo accumbens, que comanda as emoções e as motivações.
Já se sabia que a cocaína provoca forte efeito nesta área do cérebro. Mas este é o primeiro estudo a demonstrar o impacto da cocaína na produção de CB1 e o que isto representa na área do núcleo accumbes durante e depois de uma elevação provocada pela cocaína.
Quando uma pessoa tem uma sensação motivadora produzida pela cocaína "tudo se acelera e (ela) te empurra a um estado emocional altamente gratificante", afirmou o principal autor do estudo, Bradley Winters.
Nos ratos, a cocaína induziu a produção excessiva de CB1, o que efetivamente afetou a contenção de hiperatividade no núcleo accumbes.
"É parecido com descer uma colina íngreme. É preciso pisar fundo no freio", explicou Winters em um comunicado.
O problema é que o cérebro não parece saber como soltar o freio assim que o efeito da cocaína desaparece.
"Você continua pisando forte no freio. Agora, está descendo uma colina normal, de baixa elevação, mas continua a 3 km por hora porque o teu pé continua grudado no freio", comparou.
"O estado é similar a 'me sinto muito mal e não quero fazer nada'" continuou o cientista, acrescentando que "isto é o que faz com que você volte a usar a droga porque quer se sentir melhor e a droga é a única coisa que te motiva".
O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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