“Em três anos, neuromodulação vai controlar depressão e obesidade” - Jornal O Globo


“Em três anos, neuromodulação vai controlar depressão e obesidade”

O neurocirurgião Alexandre Novicki aponta o implante de eletrodos no cérebro como o futuro do tratamento de algumas doenças

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Estudos avaliam quais as regiões do cérebro que geram sentimentos como fome e tristeza
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Estudos avaliam quais as regiões do cérebro que geram sentimentos como fome e tristeza
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RIO - Em no máximo três anos, depressão e diabetes poderão ser tratados pela neuromodulação, um procedimento que consiste na introdução de eletrodos no cérebro para modificar as funções das células que não funcionam corretamente. Desta maneira, será possível controlar sentimentos como fome e tristeza. Quem garante é Alexandre Novicki, chefe do setor de neurocirurgia funcional do Hospital Universitário Uruju, em Curitiba. Considerado um dos maiores especialistas no assunto no país, ele participa de mesa sobre o assunto nesta terça-feira, no Riocentro, como parte do XXIX Congresso Brasileiro de Neurocirurgia.
O que a neuromodulação é capaz de tratar?
O método já é usado para modificar as funções das células que não funcionam da maneira correta e provocam males como doença de Parkinson e dor crônica. A grande novidade, porém, é que já há estudos em andamento, em todo o mundo, para entender a real possibilidade de usar o método no tratamento a distúrbios psiquiátricos como depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), mal de Alzheimer e até obesidade.
Já há algum resultado concreto?
Nenhum estudo foi concluído, mas já há dados preliminares que dão boas notícias. Acredito que, em no máximo três anos, poderemos tratar estes distúrbios através do implante de um eletrodo no cérebro do paciente. Será um grande avanço na medicina. Talvez seja possível controlar sentimentos como fome e tristeza. A grande dúvida ainda é encontrar a área do cérebro adequada para a cirurgia.
Onde são realizados estes estudos?
Em diversas instituições ao redor do mundo. No Brasil ainda não houve início.
Por quê?
O custo é alto e ainda tem um caráter experimental. Não há condições financeiras. Mesmo assim, é importante salientar que há diversos profissionais brasileiros extremamente competentes e que têm sido recrutados para continuar os estudos fora do país.
Como exatamente funciona a neuromodulação?
É uma espécie de aparelho de marca-passo capaz de gerar impulsos elétricos que controlam doenças e atuam onde os remédios não conseguem dar uma resposta eficiente. Os dispositivos modificam as funções das células que não funcionam da maneira correta.
A neuromodulação já é um costume no Brasil?
Começa a se tornar popular, apesar da tecnologia ter surgido há 40 anos. Houve uma certa desconfiança em relação ao tratamento, mas os resultados positivos o deixaram em destaque nos últimos anos. O grande problema é o custo.
Por qual motivo?
A taxação ostensiva em relação aos dispositivos usados na cirurgia faz com que saia até três vezes mais caro do que na Europa ou nos Estados Unidos. Médicos e pacientes já reclamaram muito com o poder público e, aos poucos, vemos algumas pequenas soluções serem tomadas, como a diminuição de alguns impostos.
O possível tratamento de distúrbios psiquiátricos será acessível financeiramente à população em geral?
Com certeza, não. Acredito, porém, que com a ampliação do método e a adoção de tecnologias mais modernas o tratamento venha a ficar mais barato.
Passo a passo de um típico procedimento de neuromodulação:
1 - É colocado no paciente um arco cirúrgico, com a ajuda de anestesia local.
2 - O paciente, então, passa por uma tomografia no crânio ou uma ressonância magnética.
3 - Com o resultado do exame, cálculos magnéticos determinam onde o eletrodo será instalado.
4 - O paciente então segue para o centro cirúrgico, onde o eletrodo é implantado através de um pequeno orifício no crânio. A anestesia é local




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