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Carne frita agrava câncer de próstata, aponta pesquisa americana

O hambúrguer apresentou um potencial cancerígeno maior que o do bife, segundo pesquisa que investigou dois mil homens

09.09.2012 | Atualizado em 09.09.2012 - 13:31
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Carmen Vasconcelos

carmen.vasconcelos@redebahia.com.br

Se você é do sexo masculino, adora hambúrguer, não dispensa um bife frito, carne de sol bem gordinha ou um peito de frango na frigideira, vale o alerta: um estudo da Universidade do Sul da Califórnia e do Instituto de Prevenção do Câncer da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que homens que consomem muita carne  frita apresentam um risco 40% maior de desenvolver um câncer de próstata mais agressivo que os homens cuja dieta não privilegiam o consumo das carnes preparadas dessa forma. 


A pesquisa, publicada pela revista Carcinogenesis e que investigou dois mil homens, trouxe outro dado curioso: o hambúrguer apresentou um potencial cancerígeno maior que o do bife.



A hipótese defendida pelos cientistas é que a junção da carne, seja vermelha ou branca,  e do óleo da fritura, quando submetidos às temperaturas muito altas e por longo período de tempo, leva à formação dos chamados aminos heterocóclicos, que são substâncias que se ligam ao DNA das células da próstata, alterando a estrutura e originando tumores.  A explicação dos pesquisadores para os hambúrgueres apresentarem um potencial de prejuízo maior estaria no fato de que eles aquecem ainda mais rápido, ampliando a formação dos aminos heterocíclicos.



Gorduras

De acordo com a coordenadora da nutrição do Hospital Espanhol, Kelly Adan, no aquecimento excessivo das gorduras, como na fritura de alimentos, são formados produtos tóxicos ou cancerígenos, entre os quais acroleína e peróxidos. “Isso ocorre porque temperaturas elevadas aceleram os processos oxidativos e de degradação das gorduras(lipídios)”, esclarece.



Ela pontua ainda que nas frituras, três componentes são responsáveis pelas mudanças ocorridas na estrutura dessas gorduras: a umidade do alimento (promove hidrólise dos triglicerídios), contato do óleo ou gordura com o oxigênio (promove alterações oxidativas) e alta temperatura do processo, de, aproximadamente, 180 graus. “Deve-se ter cuidado, portanto, com a produção de alimentos fritos por imersão sem o controle da qualidade do óleo ou da gordura vegetal”, lembra a nutricionista. Kelly Adan explica ainda que os óleos e gorduras podem ser menos danosos se a fritura for realizada com pequena quantidade de gordura, em panelas altas e estreitas, diminuindo o contato com o oxigênio. Daí a restrição com as frigideiras. 



“Além disso, o processo de rancificação, que é quando as gorduras ficam tóxicas, pode ser diminuído se o óleo for guardado em recipientes de vidro ou de plástico e não ficar exposto à luz”, sugere, destacando que há 10 anos, a indústria dos fast foods tenta encontrar um forma de controlar a qualidade do óleo usado para as frituras, mas os resultados estão longe de ser considerados ideais.



Ela lembra que é importante retirar os resíduos alimentares liberados durante a fritura, aqueles restos que ficam na panela,  assim como certificar de que não haja detergente ou materiais de limpeza no recipiente no qual o óleo será aquecido. “Caso isso aconteça, o produto deverá ser descartado”, diz, ressaltando que as aminas heterocíclicas (AH) são substâncias indesejadas produzidas durante a exposição de alimentos a altas temperaturas. “Muitas AH são formadas ao assar, fritar ou cozinhar alimentos por longo período, principalmente os ricos em proteínas, como carnes e pescados”, completa.   



Cuidados 

O chefe do Departamento de Urologia da Universidade do Estado de São Paulo(Unesp), o professor Carlos Marcio Nóbrega, ressalta que mesmo com a realização desse estudo, ainda não é possível determinar indicações de saúde sobre as carnes e as frituras. 



O médico que é doutor em urologia, no entanto, ressalta que vários estudos apontam para as contribuições que uma alimentação rica em fibras, verduras e frutas tem para a  saúde masculina. “O aspecto cultural da alimentação tem um componente forte, mas o ideal seria que os homens limitassem o consumo de carne para uma vez por dia, sempre intercalando com muitas folhas, verduras, grãos em geral”, recomenda o médico.



Mais não é só a alimentação que pode ser um aliado da saúde sexual e reprodutiva masculina. Nóbrega chama atenção também para os hábitos saudáveis, como a necessidade dos banhos de sol, uma vez que a vitamina D sintetizada pela radiação solar também atuaria como um fator de proteção contra o câncer de próstata, além da prática da atividade física constante e a prática sexual segura. O professor também chama atenção para o fato de que os homens brasileiros não cuidam da saúde como deveriam, principalmente quando o assunto é a próstata. “Muitos mitos são criados em torno dos exames preventivos, mas os homens esquecem que essa prevenção não assegura apenas a virilidade e o desempenho sexual, mas sobretudo, garante a sobrevivência com qualidade de vida”, enfatiza.



Segundo o Instituto Nacional do Cãncer(Inca), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Segundo estimativa da pesquisa Incidência de Câncer no Brasil em 2010/11,  a população masculina do Rio Grande do Sul deve ser a que apresenta mais casos:80 para cada 100 mil homens.

Exames preventivos devem ser realizados a partir dos 50 anos
Além da exposição ao sol nos horários anteriores às 10h e após as 15h, o urologista baiano Manoel Juncal lembra que substâncias como o licopeno, presente no tomate; o selênio da castanha do Pará e a vitamina E também são muito  bons quando o assunto é realizar prevenção do  câncer de próstata. 
O médico  destaca que essa doença  possui fatores que ampliam a predisposição do indivíduo, a exemplo da idade e do fator hereditário. Daí a necessidade de  fazer os exames preventivos a partir dos 50 anos.  “As pessoas que possuem casos na família devem ficar ainda mais atentos e iniciarem a investigação mais cedo, a partir dos 40 anos”, orienta. 


Completando a fala, o pesquisador Carlos Nóbrega destaca que se há um paciente com um parente com histórico da doença, o risco aumenta em três vezes, mas se há dois parentes acometidos com o câncer de próstata, o risco aumenta em nove vezes. Ele ressalta que na maioria dos casos,  o câncer da próstata é assintomático ou apresenta sintomas parecidos com a hiperplasia de próstata, que é o aumento da glândula, a exemplo da diminuição da força e do jato da urina, a ida constante ao banheiro e a retenção da urina.

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