Bahia Notícias / Samuel Celestino / Coluna A Tarde: Chuva de promessas - 20/09/2012




De maneira geral e, em especial em Salvador, o processo eleitoral continua mantendo os antigos vícios enganatórios. Observa-se uma chuva de promessas dos candidatos de maneira geral, principalmente dirigidos à população carente, de baixa renda que, normalmente, acredita nas promessas porque, submetida a uma subvida e necessitada de serviços públicos básicos, não tem alternativa senão imaginar a possibilidade de melhores dias. Salvador, antes bela, é uma cidade perversa, pobre, enganada a cada quatro anos por candidatos que fazem política estribados em mentiras; voltados exclusivamente para seus interesses pessoais, senão por incompetência.
   
Basta observar os programas que exibem na televisão. Acompanhados de seus séquitos de militantes como se fossem deuses entre esfarrapados, param aqui e ali perguntado se, no bairro, há posto de saúde, escola, creche, transporte digno, emprego etc. para, depois, dizer que as carências serão corrigidas no seu governo. Qual o quê! Depois de ouvi-los, abandona-os com as promessas povoando as suas imaginações e contentes por receber do candidato um abraço, talvez um beijo se for uma velhinha ou criança. É sempre assim. Para quem ouve a promessa, nada resta senão esperar que o prometido se concretize. Esse tipo de campanha é a mais mesquinha, velhaca, antiga, enganatória, mentirosa e vil. Mas é como se faz política. As visitas aos bairros pobres se destinam, em parte, a ser filmadas e exibidas na televisão.
       
Como acreditar em candidatos que repetem o mesmismo de quatro em quatro anos, que abraçam a população pobre e carente como se fosse um autômato e, depois eleito, esquecem as promessas, que são cobradas apenas pela imprensa, porque a população carente não tem força nem voz para reivindicar? Nem, tampouco, é atendida quando procura o bacana já eleito e  empossado? Tentem entrar na prefeitura e procure falar com o gestor, ou entrar na governadoria. Não passam da porta. Para vê-los, somente à distancia, em alguma solenidade, ou quando o político chega acompanhado de comitiva a bairros e municípios, sempre cercados por segurança, que também estão presentes realizando cordões de isolamento em acontecimentos cívicos como o Dois de Julho ou festas populares, como a Lavagem do Bonfim. Quem se aproxima, corre o risco de apanhar.
           
Se fosse possível contabilizar todas as promessas feitas por cada um dos candidatos desde que a campanha se iniciou, daria para fazer uma listagem que daria para atravessar o território baiano. Quem quiser acreditar nas promessas envolvendo recursos que seriam remetidos pela presidente Dilma Rousseff, é só verificar o que já foi encaminhado para a Prefeitura (vide o metrozinho) ou para o governo do Estado que se debate em dificuldades financeiras que, segundo o próprio governo, é quase que insuficiente para pagar os vencimentos do funcionalismo público.
         
Em oito anos de governo, de que maneira Lula retribuiu a estupenda votação que recebeu na Bahia? Bolsa Família, é certo. Mas o programa se iniciou com a bolsa escola e a bolsa gás da época de FHC. E mais, para não ficar na situação do sapateiro batendo seu martelo para amaciar sola, um dinheiro para algumas obras que nem de longe refletem as promessas feitas. Dirão que houve investimento na área social. Houve? A Bahia continua pobre como sempre foi e tende a se transformar em grotão.
           
Salvador teve duas gestões catastróficas. É uma cidade destruída, que se assemelha a uma cidade bombardeada, como bem lembrou, em artigo, o jornalista João Carlos Teixeira Gomes. 
           
Política é feita com dinheiro sujo. Não bastam as provas que emergem do julgamento do mensalão. Para que ocorram eleições limpas, é necessário financiamento público. Para o País é muito mais barato do que ficar no fundo partidário e aceitar donativos de grandes empresas que, posteriormente, cobram em licitações duvidosas, vantagens e outras coisas mais à administração pública. Observem a Delta Engenhar a as tramoias de Carlinhos Cachoeira. E fico por aqui porque se relacionasse todos os bois não haveria espaço. A esperança é a nova realidade que o Supremo Tribunal Federal, por ora, anuncia.


*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (20)

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