Debate na Band


No típico outono soteropolitano, frio e seco, e no ritmo dos primeiros dias de campanha, onde a expectativa do eleitor  é conhecer  mais sobre os programas, o primeiro debate eleitoral entre os candidatos à Prefeitura de Salvador, realizado pela Rede Bandeirantes de Televisão, na quinta-feira, 2, foi marcado pela apresentação dos problemas da cidade e por propostas para soluciona-los, como a mobilidade urbana, que aflige todas as classes sociais como a grande vedete. Além disso, falou-se muito durante o encontro televisivo a respeito de saúde, segurança e desenvolvimento econômico. Quase sempre sem muitos detalhes, ou prazos para realização.
Talvez sob a influência de primeiro encontro, os confrontos diretos foram evitados. Clima quente, só do lado de fora, onde partidários das  candidaturas com as maiores coligações partidárias disputaram metro a metro os espaços próximos à emissora. Com bandeiras e equipamentos sonoros , a torcida organizada deu a quem passou pela Avenida Pinto de Aguiar a primeira impressão de que a campanha eleitoral deve começar a esquentar em breve.
Do lado de dentro, logo no primeiro bloco, os postulantes à Prefeitura foram convidados a responder qual é o  maior problema da cidade e a apresentar uma proposta objetiva para solucionar o mesmo. As respostas foram parciais. O foco esteve muito mais voltado para os problemas que para as propostas.
Sem nenhuma citação direta ao prefeito João Henrique , ACM Neto (DEM) destacou que a cidade precisa de ordem e gestão. “Salvador quer um prefeito que coloque ordem na casa”, destacou, citando o “caos” na saúde pública, problemas na educação e no trânsito e o transporte público.
Em meio a frases de efeito e trocadilhos com o sobrenome, Rogério Tadeu da Luz (PRTB) foi o que deu o maior destaque à questão da mobilidade, o que para ele seria a base e solução para todos .
Nelson Pelegrino (PT) optou pela defesa dos governos federal e estadual, mesmo quando questionado pelo candidato Hamilton Assis (Psol) à respeito da educação. “Assim com o governador Jaques Wagner, terei a coragem de administrar para todos. Os professores receberam 30% acima da inflacao. O prefeito Pelegrino terá a mesma postura”, destacou.
Outro questionamento de Hamilton Assis a Pelegrino foi quanto à participação de petistas na pasta da Saúde na administração  João Henrique. “O resultado foi um servidor morto” (referindo-se ao caso Neilton), acusou Assis, num dos dois momentos em que os candidatos pediram direitos de resposta. O outro foi pedido por Mário Kertész a Da Luz. Os dois pedidos foram negados.
Sem poder falar de alinhamento com o governo estadual, Mário Kertész focou na experiência como prefeito da cidade, por duas vezes, antes de se dedicar ao atividade de radialista.. “Vim aqui discutir Salvador, espero que não tenham ofensas, mas se tiver vai ser divertido”, brincou antes de entrar no estúdio.
O Bispo Márcio Marinho (PRB) focou a apresentação em propostas para a assistência social. “Vou trabalhar com Ongs e igrejas”, observou.
O debate foi morno a frio, como aliás não poderia deixar de ser. A tônica foi dar pauladas no prefeito atual, dizer o que a cidade precisa, sem dizer como e nem com qual recursos.
Me chama a atenção a inocência dos senhores candidatos. Dizer que a segurança se resolve com armas, ou que saúde se resolve com mais postos de saúde... dizer que vai pagar salário melhor para funcionalismo é fácil. Isso eu digo todo mês das minhas contas a pagar "vou pagar o carro esse mes, e mes que vem comprarei um novo". Faze-lo... é outra coisa.
O senhor Pellegrino afirma que os salários dos professores estão 30% acima da inflação. Eu ainda tenho alguma dificuldade para entender a matemática feita por esses gestores. Senhores, eu sou professor. E de matemática. Como os aumentos que nós temos recebido nesses últimos 6 anos, pode promover um aumento de 30% acima da inflação, considerando que em alguns anos, sequer tivemos reposição da inflação do ano anterior? Mais ainda: no final do mes, quando eu vou ao mercado, é perceptível que o poder de compra do salário não bate com essa informação! O senhor Pellegrino vir para a TV afinado com o seu partido é natural. Mas julgar que somos idiotas... digo o mesmo em relação a outros candidatos.
Que me perdoem os céticos. E é claro que as pessoas tem o direito de discordar. Nesse debate, considerando o fato de que nenhum deles pode fazer grandes promessas, nem compromissos (o que aliás é muito conveniente), quem melhor se saiu foi o senhor Mário Kertez, ao afirmar que as falas são iguais, que as propostas de todos eram idênticas, mas a experiência e capacidade de liderança definiriam quem seria o melhor candidato. Nesse quesito todos perdem. Nenhum demonstra ter essa capacidade. Não me sinto liderado, nem representado por qualquer destes senhores. Diria de longe que são todos atores bem medíocres, inclusive por julgar que não percebemos a sua atuação. Claro que alguns tem uma atuação melhor. 
Particularmente, julgo que, eu mesmo, seria um péssimo gestor público. Não tenho qualquer pretensão a cargo político. Exerço um cargo público como professor estadual, e só. Levanto minha bandeira e dou minha participação de longe. Não por falta de compromisso. Mas, sabendo que cada um contribue como pode. E como deve.
Não me julgo mais despreparado para fazer o que faço. Nem aceito mais a opinião daqueles que, não tendo mais a ofertar que eu, vem a mim me condenar, julgar, menosprezar. Simplesmente, os ignoro. Não por arrogância de minha parte, mas por não aceitar a arrogância alheia. Apenas isso.
E é dessa forma que estou agindo no plano político. Teremos 4 anos anos bravos, ganhe quem ganhar essa eleição municipal. Não me iludo. Seja quem for o novo prefeito, a cidade e sua dinâmica não permitem grandes manobras de gestão; e com essa leva de candidatos a vereadores que temos... candidatos que claramente não tem compromisso com a cidade, nem com aqueles que dizem representar.
É só olhar para as ruas da cidade. Todos culpam o prefeito, mas alguém vê propostas de melhorias reais para a cidade, vinda desses senhores? Sejam dos que estão hoje, ou dos que se candidatam? Percebe-se que a maioria legisla em causa própria apenas. E esses não são poucos. São a regra.
Vaticino aqui, quem viver, verá: 2013-2017 serão 4 longos e exaustivos anos nessa cidade. Prefeitos culpando vereadores,e governadores, povo desamparado novamente... é só esperar.

Postagens mais visitadas deste blog

Professora gostosa foi expulsa da escola por deixar alunos excitados.