As lendas e as verdades

Já disse em momento anterior que gosto de história. Não sei se seria historiador, ou professor de história, mas realmente gosto dela. Saber do passado me ajuda a entender o presente, e com entendimento seguir ao futuro.
Lembrei-me hoje de duas antigas lendas gregas que tratam da sorte dos homens e como os males entraram no mundo.
Diz uma lenda que um  gigante, chamado Prometeu, apaixonou-se pela humanidade e deu-lhe o fogo sagrado do Olimpo para sua proteção contra as feras e males da natureza. Ensinou depois o homem a fazer e moldar com o fogo. Por causa disso, Prometeu foi condenado por Zeus. Preso, seria por toda a eternidade torturado por uma águia que comeria o seu fígado. Este se regeneraria, e novamente a águia viria alimentar-se da iguaria. Um semi-deus, filho de Zeus, chamado Heracles, ou Hércules, acabou por subir ao Cáucaso e soltando Prometeu livrou-o de tal e tão terrível sina.
Prometeu é tido como o bem feitor dos homens, deu o fogo, que produz luz e calor, libertando o homem do medo da noite e das feras. Entre elas, podemos citar a ignorância (lembremos que luz é uma metáfora para conhecimento e sabedoria). Portanto, ao dar o fogo, livrou o homem da necessidade dos deuses, sua proteção e conselho. 
É óbvio que os deuses não gostaram. E resolveram se vingar dos homens.
Deu ao irmão de Prometeu um presente, que foi a primeira mulher. Esta, chamada de Pandora, foi feita a partir dos diversos dons dados pelos deuses. Assim, um forneceu graça, outro beleza, outro meiguice, e de dom em dom, fez-se a mulher. Epimeteu antes avisado por seu irmão para que não recebesse qualquer presente dos deuses, caiu na tolice de se encantar com a criatura. E tomou-a para si. Esta ao descer do Olimpo trazia, segundo algumas traduções, uma caixa. Outros alegam que a caixa já era presenete na vida de Epimeteu, e que esta havia sido dada por Prometeu com a advertência de que nunca deveria abri-la.
Mas ocorre que a curiosidade, condição natural do homem, infernizou a cabeça da mulher até que esta, abrindo a caixa deixou escapar todos os males, deixando presa apenas a esperança.
Numa outra tradição, um pouco mais benevolente para com os deuses, diz-se que a caixa trazia todos os bens dos deuses aos homens. Mas ao ser aberta, estes se espalharam, ficando apenas a esperança, que dá forças para os homens vencerem e lutarem contra todos os males.
Sou professor. E me vejo como o pobre Prometeu. Tentando dar luz aos homens, e sendo por eles esquecido das minhas advertências. Sofrendo nos rins acorrentado em lugar inacessível, tendo águias a comer meu fígado e rim.
Esperando que um dia venha um Hércules, um semi-Deus, poderoso e forte, ainda que chucro e ignorante, a me livrar deste que mina minhas forças.
Acreditando que a todos os males foram libertos num ato de mero desejo de aprender, de conhecer, de saber, de tornar claro aos olhos o que se esconde em caixas sagradas, contamos que a esperança um dia há de se libertar. Ou quem sabe, os bens que se espalharam não voltam para a caixa e lá, junto a esperança encontre o coração dos homens?
Assim as lendas se criam. Elas ajudam a entender o mundo e a nós mesmos.
Essa mesma lenda está na tradição cristã no mito da criação. Quando se diz que a serpente era a mais astuta dos animais, e seduziu a mulher. Seguramente não haveria sedução se não houvesse identificação entre eles.
E a mulher tomou do fruto proibido, enganou o homem, e por isso ambos foram expulsos do Paraíso, passando a ter de produzir seu próprio sustento. Lembre-se que Adão era de inteligência fantástica, pois deu nome a todos os animais e plantas existentes. Conhecia-os bem, portanto.
Falei das lendas. A verdade? Cada um construa a sua! Se puder. Se tiver coragem para tanto.
Afinal, todos os mitos e lendas são apenas isso. Mitos e lendas. Humanos. Verdade em parte, crença em parte.

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