APLB-Sindicato – Rede Estadual e Interior – DEVANEIOS SOBRE A COMPLEXA GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA

APLB-Sindicato – Rede Estadual e Interior – DEVANEIOS SOBRE A COMPLEXA GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA


DEVANEIOS SOBRE A COMPLEXA GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA

30 DE JULHO DE 2012 38

DEVANEIOS SOBRE A COMPLEXA GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA
Por Márcia Freitas – Professora da rede pública do Estado da Bahia
Desde a deflagração da greve dos professores da rede estadual da Bahia, no dia 11de abril, temos acompanhado o total descaso que os grevistas vem enfrentando no cotidiano árduo da resistência dos professores diante das ardilosas manobras políticas, impostas à categoria, na tentativa de desestruturar a greve que ultrapassa os três meses de duração.
A negação da legitimidade da greve representa a usurpação do legítimo exercício democrático de organizar-se pela defesa de direitos conquistados que pode ser observada em vários episódios orquestrados pelas mãos de ferro dos maestros regentes e suas orquestras descompassadas pelas tirânicas e incessantes tentativas de vestir o movimento grevista com o manto da completa invisibilidade posto pela maioria da mídia convenientemente obediente que insiste em conservar seus ouvidos moucos quando a sociedade reclama a necessidade de contar ou ouvir a outra versão desta mesma história.
A subestimação da força de uma categoria subjugada em sua capacidade intelectual, de organização e militância política é nítida aos menos incautos. Visto que esta classe de trabalhadores tem sido submetida a vários episódios de segregação e assédio moral por parte dos vários aparelhos institucionais, simpatizantes e quem mais se proponha a autorizar-se a reprimir ou insultar os professores como se estes fossem indignos dos valores da cidadania, para não ferir a etiqueta das conveniências econômicas e partidárias momentâneas ou em nome da defesa do direito quase sagrado dos meninos à educação e que, ironicamente, tem sido relegada há muito por muitos destes pretensos defensores da educação…
A negação do repasse dos salários aos professores é apenas mais uma das tentativas reiteradas de retaliação do movimento, por meio de coações veladas ou formais. Uma tosca aposta de todas as fichas na conhecida histórica fragilidade financeira destes trabalhadores, na certeza que a classe sucumbiria à fome pela falta de crédito financeiro junto à sociedade. Contudo, para indigesta surpresa de alguns, verifica-se o ledo engano: O corte da única ou principal fonte de subsistência da maioria destes profissionais conduziu o movimento à resistência, como jamais se viu neste estado, contrariando todas as expectativas e expondo os cortes puídos do tecido que reveste o cenário político-administrativo da terra de todos nós. E, mais uma vez, a emergência dos infortúnios faz reafirmar a sapiência do homo ludens faber sertânico que sabe reinventar seu cotidiano na adversidade para manter-se firme na luta pela subsistência e dignidade e, neste caso, também pela garantia dos direitos conquistados historicamente. Uma aula de cidadania!
Para além dos descalabros numéricos, que ora faltam aqui e escorrem em demasia acolá e da inconsistência explicativa das verdades forjadas ao gosto daquelas que brincam com os destinos alheios, como se fossem semideuses exercitando seus poderes acima do bem e do mal, torna cabível o questionamento: Haveria mais nobreza na fome de aula de mais de um milhão de estudantes do que na fome de respeito e privação de alimentação de pouco mais de trinta e sete mil professores e suas respectivas famílias?
Urge a necessidade de despertarmos mais uma vez desta letargia que nos acomete, tal qual uma febre terçã eleitoral que parece conduzir, intermitentemente, nossa memória ao rio do esquecimento dos caminhos percorridos por nós próprios e pelos outros, sobretudo, daqueles que desejam seguir guiando a nau encarregada de conduzir as deidades transitórias, o baú com as riquezas do reino e a eterna caixa de pandora de onde surgem as facetas paradoxais da inversão de princípios como honestidade, esperança e respeito.
Entretanto, vale lembrar que os esforços erguidos para as manifestações sociais contra os problemas atuais não deve conduzir esta marcha, necessariamente, à busca insana pelos protagonistas das mazelas de outrora, numa dança frenética e saudosista como se não houvesse mais esperanças… Os cenários caóticos do agora e de tempos pretéritos devem ser registrados na memória coletiva, principalmente das classes mais desrespeitadas em seus direitos civis, não para serem seguidos ou minimizados, mas, sobretudo, para balizar as escolhas e as conduções futuras, pautadas no respeito, na justiça e principalmente na esperança que juntos, poderemos erguer uma sociedade verdadeiramente democrática!
Márcia Freitas  é professora da rede pública do Estado da Bahia

Colega Márcia, concordo com tudo isso, inda mais ao final da dita greve.
Somos uma categoria historicamente explorada, mal conduzida, mal tratada. Tentaram nos parar, intimidar, desqualificar. Mesmo agora, para que recebamos aquilo que até aqui é só promessa, exigem de nós que nos qualifiquemos. Considerando o número de profissionais que podem ser alcançados por esses 7%, tempo até Novembro e a necessidade de reposição de aulas, a mim fica claro que é apenas promessa. E nada mais.Cortaram nossos salários como quem tenta cortar o ar de um asmático em plena crise. E resistimos. Nunca mais seremos os mesmos!

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