Partícula de Deus... por Mestre Chassot.


Considerando o brilhantismo com o Mestre escreve seus textos, tomei a liberdade de copiar e republicar seu texto sobre a mais sensacional descoberta feita pela Física essa semana. Com o objetivo de esclarecer sobre o assunto, recomendo sua leitura e pesquisa.


Ontem, quando encerrava a tríade acerca de diários que assuntou terça, quarta e quinta feira, afirmava que fazer diários é uma forma de colecionismo. Como este um tema que me faz atávico, pretendia hoje, me espraiar nele. 
Mas, eis que surge uma notícia que se faz manchete: Avanço da Ciência: partícula de Deus, enfim. Postergo discorrer sobre a mania de colecionar para a próxima semana.
Os jornais desta quinta-feira são repetitivos: Físicos chegaram em 04 de julho de 2012, em Genebra, à descoberta de uma “subpartícula” — o bóson de Higgs —, no interior do átomo, que pode explicar a constituição da matéria, em uma conquista histórica para a ciência desvendar a constituição da matéria.
Primeiro uma observação, quase folclórica, acerca da partícula de Deus, para que este nome não enseje falsas ilusões a alguns fundamentalistas. Parece-me que temos aqui um bom exemplo do desrespeito a um dos mandamentos do decálogo.
A teoria formulada nos anos 60 e ‘agora comprovada’ era praticamente desconhecida, quando em 1993, o estadunidense Leon Max Lederman (Prêmio Nobel de Física 1988), ateu envolvido também na coprodução de uma discutível lista dos 50 ateus mais brilhantes de todos os tempos [http://brainz.org/50-most-brilliant-atheists-all-time/], escreveu um livro sobre o assunto e sugeriu como nome ‘A partícula maldita’ [The Goddamn Particle]referindo-se a dificuldade de mesma vir a ser localizada.
Os editores trocaram o nome do livro para ‘Partícula de Deus’ para torna-lo mais comercial e também porque ‘Goddman’ poderia parecer ofensiva. O nome do livro de Lederman é: The God Particle: If the Universe Is the Answer, What Is the Question? [A Partícula de Deus: Se o Universo é uma Resposta, Qual é a Questão?]. Encontrei, em português, dois livros ‘A Partícula de Deus’ mas nenhum é tradução da obra de Leon Lederman. Não sei se existe versão para o português da mesma.
Acerca da descoberta agora anunciada não há como correleciona-la com uma saborosa obra de ficção: ‘Anjos e Demônios’ de Dan Brown [mais lembrado por Código da Vinci’], onde o professor Robert Langdon se envolve em uma polêmica disputa de poder entre a Igreja e a Ciência. Um tubo contendo antimatéria é roubado do Organização Europeia para Pesquisa Nuclear, CERN (onde agora se anuncia a fantástica descoberta), colocado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em Roma, sede da Igreja Católica, para servir em um atentado orquestrado supostamente pelos Illuminatti. Escreveu-se com propriedade: “Ficções à parte, o CERN existe, o Vaticano existe e a antimatéria... também! Não é um tema de ficção cientifica, mas uma realidade do Universo.”
A nova partícula tem características “consistentes” com o bóson de Higgs, mas os físicos ainda não afirmam com certeza que se trate da “partícula de Deus”. Para isso, eles vão coletar novos dados para observar se a partícula se comporta com as características esperadas do bóson de Higgs.
Foram quase 50 anos de pesquisas, mais de uma dezena de bilhões de dólares gastos, o esforço de mais de 3 mil cientistas de todo o mundo e a construção das maiores e mais pesadas máquinas já imaginadas pela mente humana.
Parece que conseguimos – disse, diante de um auditório lotado de cientistas, Rolf-Dieter Heuer, diretor-geral do Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), responsável pela operação do Grande Colisor de Hádrons, o gigantesco acelerador de partículas localizado na fronteira da Suíça e da França, onde foi feita a descoberta.
Prevista teoricamente em 1964, pelo físico britânico Peter Higgs, de quem herdou o nome, o bóson de Higgs nunca fora detectado, mas sua existência é imprescindível para a sobrevivência do Modelo Padrão, a teoria da física que descreve as partículas e forças envolvidas na estrutura da matéria.
Por enquanto, os cientistas ainda estão cautelosos para assegurar categoricamente que a partícula que surgiu das entranhas do superacelerador, com a colisão de dois prótons a uma velocidade próxima à da luz, é mesmo o bóson de Higgs. A importância histórica do evento é tanta, que eles ficam reticentes.
 É incrível, nunca esperei que isso fosse acontecer no meu tempo de vida – disse o próprio Higgs, que chegou a ficar com os olhos marejados durante o anúncio da descoberta e que, devido à importância desse seu trabalho, tornou-se já o favorito para conquistar o prêmio Nobel de Física, tal a importância da conquista.
O brasileiro Alberto Santoro, professor titular do Instituto de Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que participou dos trabalhos que resultaram no avanço registrado nesta quarta-feira faz, agora, projeções para o futuro da física: Há muita coisa que ainda precisamos compreender melhor. Por exemplo, qual a simetria entre matéria e antimatéria, o que é a energia escura que supostamente está provocando a expansão do Universo, quantas dimensões existem – enumerou.
E que a descoberta representa? Na leitura de Alberto Santoro – É o coroamento de muitos anos de trabalho. Encontramos o que pode ser a partícula que daria massa às demais partículas que formam a matéria. Porém, ainda será preciso aprofundar os estudos, para definir todas as propriedades dessa partícula e confirmar a descoberta.
Santoro responde que muda para a física? De imediato, nada. O que poderemos fazer é comprovar como a matéria adquiriu massa. Mas é o início de uma nova era, que pode nos levar a novas descobertas.

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