Governo baiano não negocia para o fim da greve, e chega a gastar 1,5 mi com "aulões"

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Enquanto os professores da rede estadual de ensino penam sem salários há mais de dois meses, a Abaís Conteúdos Educativos e Produção Cultural Ltda fechou nesta segunda-feira um contrato milionário com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC). A Abaís, dirigida pelo professor Jorge Portugal, vai receber exatos R$ 1.591.774,80. O objeto do contrato – com vigência de 180 dias e feito com dispensa de licitação - é a "prestação de serviços educacionais Pré-Enem".
Em entrevista a Rádio Metrópole, Jorge Portugal afirmou que a Abaís só contratou professores de "ponta e acostumados a ganhar bem" para dar aulas suplementares aos alunos do 3º ano.   As declarações do professor revoltaram a categoria. Diversos docentes se manifestaram por telefone e fizeram duras críticas a Portugal.
"Jorge Portugal precisa vir a público para explicar o que é um professor de ponta. Porque eu me considero uma professora de ponta. E queria perguntar aos professores dele se eles sabem o que é trabalhar sem apostila, sem módulo, porque a escola não te dá nem papel", reagiu a professora Rubina Dias em sua participação no programa.
A Abaís foi contratada sem licitação pública por R$ 1.591.774,80. O professor Jorge Portugal está sendo desafiado pelos docentes da rede pública estadual, em greve há 79 dias, a mostrar o contra-cheque de qualquer "professor de ponta" dos colégios citados por ele a mostrar um contra-cheque com uma hora/aula no valor de R$ 250, como citou Portugal.
Os colégios citados por Portugal e de onde os professores teriam sido selecionados por ele foram Anchieta, Grandes Mestres e Mendel.
A contratação da empresa de Portugal provocou reação também junto a vários políticos. O presidente do DEM, Heraldo Rocha, disse que Jorge Portugal estava mais para showman do que para professor.
"A iniciativa do intransigente governo petista, que diz não ter condições financeiras para cumprir o acordo assinado no ano passado de reajuste de 22,2% para os professores, humilha toda a classe dos docentes baianos. Pode pagar a empresa de Portugal mais de R$ 1,5 milhão, mas não pode pagar aos professores estaduais", disse Rocha, acrescentando:
"Para obter essa vultosa quantia que será paga sem licitação, sob alegação de uma discutível situação de emergência, um professor, que ganha R$ 2,5 mil mensais com 40 horas semanais, precisa trabalhar 53 anos ininterruptamente. É mais um absurdo sem precedente do governador Jaques Wagner. Otávio Mangabeira deve está se remexendo no túmulo", diz Heraldo Rocha.
O Sindicato dos Professores Estaduais (APLB-Sindicato) deve entrar na Ministério Público do Estado (MP) com uma ação de resposabilidade fiscal contra o Governo da Bahia por ter contratado empresa de Jorge Portugal para dar aulões aos alunos da 3a série.
O coordenador da APLB-Sindicato, Rui Oliveira, lembrou que o governo alegou falta de verba para pagar o reajuste dos professores, mas contratou a empresa Abaís Conteúdos Educativos & Produção Cultural Ltda., dirigida por Jorge Portugal, por R$ 1.591.774,80.
(Jornal da Mídia 28/06)

Veja também: Aulão e ameaça a professores desafiam qualidade da educação e greve na Bahia

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