Solução à vista: aula para alunos do terceiro ano.

Quem pensava que teria visto tudo quanto a essa greve dos professores, consegue se surpreender com mais essa.
Agora, o governador decide obrigar (xicote?) que o professor REDA, o PST, e os pprofessores em caráter probatório retornem para sala de aula e dê aula para os alunos do 3º ano.
Acabo de conversar com uma ex-aluna pelo Facebook. Ela é estudante em Camaçari, na UNEB. E ela está em grandes dificuldades quanto à matemática de ensino médio. Essa matemática que a gente usa, ou deveria usar, para comprar, medir, efetuar enfim as coisas do cotidiano que envolvem o conhecimento de matemática... e não são poucas. Mas veja a situação da aluna: ela hoje é universitária e nada sabe de matemática. Estava me pedindo ajuda.
Até aí nada demais.
Me preocupa que hajam na verdade um número muito grande de alunos que precisa fazer o mesmo. Veja bem: a grande maioria dos estudantes baianos concluem o ensino médio sem a menor noção de coisa alguma. é aós analisar os resultados das avaliações oficiais do governo. Todas revelam o despreparo e o desconhecimento em relação aos conhecimentos básicos.
A maioria dos estudantes pouco ou nada sabem sobre leitura, operações matemáticas básicas, história, geografia, língua estrangeira...e num mundo globalizado, que almeja a democracia, a sustentabilidade, e dque depende da tecnologia que desenvolvemos, temos um caminho perigoso a percorrer sem conhecimento adequado.
Agora mesmo, a manipulação que faz o governo em torno do número 22... é cômico. Qualquer estudante com um mínimo de conhecimento percebe como esse argumento do governo é falho.
Dilma recentemente falou sobre sua experiência como presa política. Teria ela dito que fazia parte de um grupo de jovens, idealistas que, assaltando bancos, fazendo sequestros ocasionou a morte de vários inocentes, consideradas perdas aceitáveis na luta pela liberdade? Que chances ela e seu grupo deram aqueles que morreram vítimas de seu idealismo? Eles eram melhores que os militares que os torturaram. E se Dilma mesmo e seu grupo não participaram de ações do tipo, outros o fizeram e agora se vêem como vítimas inocentes e inglórias de uma luta que eles venceram. É claro que tudo isso pode ser perfeitamente discutido. Mas como discutir sem conhecimento? Educação não é um projeto para os estudantes do 3º ano. Começa la na creche. Segue por toda a nossa vida. É fato.
Como um estudante, que estudou em escolas onde a ausência de professores é comum (pelos mais variados motivos: professor fica doente, casa, precisa ir à congressso...), ou pior, estuda com profissionais sem formação coerente, em escolas que são apenas depósitos de gente, sem disciplina, sem ordem dentro e fora, sem segurança... (trabalho em uma que sofre ao menos 1 assalto por semana), onde os alunos do noturno não conseguem chegar a tempo, e saem cedo para não serem agredidos... como, pergunto podem não ter deficiencias em suas formações.
E querem que tudo seja resolvido apenas nos últimos meses de formação do estudante? Apenas por causa da prova do vestibular ou do enem?
Como se a vida de uma pessoa pudesse ser resolvida apenas com uma prova! Se aprovado, ou se reprovado... o que exatamente isso prova?!
Fui professor numa escola, que hoje é regida pela Polícia Militar. Na época, a escola ficava no meio de uma disputa de traficantes. Toda vez que as facções entravam em guerra ameaçavam os professores e alunos e obrigavam todos a sair da escola. Isso certamente, na visão do governo, não atrapalhou a formação de estudantes. Mais: trabalhei com 4 turmas no curso noturno, dando aula de matemática para estudantes de 8ª série. Detalhe: eles não tiveram matemática nas séries anteriores. Era uma guerra: a coordenadora queria que eu seguisse o programa de oitava, que óbvio, os alunos não conseguiam acompanhar por falta de conhecimentos prévios. A direção queria que eu lecionasse conhecimentos que vinham desde a 5ª série. E não podia reprovar ninguém.
Recentemente trabalhei em uma escola onde os alunos ficaram sem professor desde a 1ª uidade. Na 4ª a escola me colocou para dar aula. E os alunos, se sentindo desobrigados a estudar começaram a se queixar porque resolveram não fazer as atividades. A direção resolveu dar uma lição no professor e intimidando o mesmo, chamou-o em sua sala e disse tudo o que ele não precisava ouvir, numa clara demonstração de assédio moral.
Um certo pensador brasileiro, muito cultuado fora desse país por suas contribuições }á educação, à sociologia disse "pagar salário de fome é reescravizar o homem". Outro disse que "melhor é morrer que viver de joelhos".
Somos homens, ou ratos? Que tipo de cidadãos, estaremos formando se nos dobrarmos a essa manobra do governo?
Uma pessoa me disse há uns dias atrás no estacionamento do Extra: "Parabéns professor. Sua luta é nossa luta também" Essa pessoa estava lá vendendo bichinhos de pelúcia para divulgar o trabalho de uma ONG que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco. Me senti importante. E que não estou só.
REcebi notícias de que meus colegas de Ilhéus estão retornando para a sala de aula. Pena. Ilhe´su sempre teve esse ar aristocrático, mas com um povo que infelizmente se dobra como folha ao vento. E qualquer brisa faz o povo se dobrar. Pena: muito impáfia, arrogância. Coisas do tempo do cacau. e dos coronéis poderosos, que mandavam e eram cegamente obedecidos.
Quero me dirigir ao governador agora: o senhor se tornou uma grande decepção para o povo baiano como um todo. Não tenho de convence-lo quanto a isso, e sei que minhas palavras não irão comove-lo. Pessoas como o senhor apelam para responsabilidade, lei, direitos, obrigações... coisas que o senhor só conhece quando aplicado aos outros posto que o senhor mesmo pouco ou nada sabe quanto a isso.
A história não trata dos traidores com revelia, nem com cumplicidade. E o senhor sabe que não passa de um assassino: do futuro de nossa juventude, porque afinal em 8 anos de governo poderia ter feito tanto e tão bem. De pais de família que só querem levar o pão para casa com dignidade e orgulho, sabendo que fizeram do seu dia um dia útil. E graças a utilidade desse dia, o futuro ode ser menos sofrido para si, para os seus e para àqueles a quem serve. O senhor poderia ter feito uma mudança na educação para melhor. Mas será conhecido como o homem que destruiu um ano letivo por duas vezes: em 2007 e agora em 2012.
O senhor é incompetente, irresponsável. Pouco digno da luta do partido de que é membro. E se não fossem os companheiros Lula e Dilma, pouco ou nada seria em nosso Estado. Ser carioca, baiano, nada disso muda o fato de que o senhor é irresponsável em suas ações. torça pelo bahia, pelo vitória, pelo raio-que-o-parta. O senhor é persona-non -grata. Indesejável, desnecessário como homem e como político. Representa tudo o que lutamos para ver fora do Estado. Lutamos contra o Carlismo. Pois bem: melhor um canalha conhecido (Carlos Magalhães) do que um paspalho (o senhor mesmo, governador).

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