A história e o que dela podemos aprender

Como eu disse numa postagem ontem, eu gosto de história desde a minha infância. Tive a oprtunidade de ler a obra de Monteiro Lobato e nela há um livro chamado de Os 12 trabalhos de Hércules. Dona Benta volta na época de Péricles e lá eles tratam de acompanhar eventos ligados ao personagem místico.
Essa leitura acabou por reforçar o gosto pela história da humanidade. Nossa história.
Uma das coisas que aprendi é que estudar o passado nos ajuda a entender o presente, evitando seus erros e, as vezes, corrigi-los; avançando para o futuro com mais firmeza e coragem.
Vejo que alguns erros históricos acabaram por levar nações à ruína. Napoleão perdeu em Waterloo para os ingleses. Mas antes perdeu para os Russos. Entrou na Rússia, e ao chegar em próximo da Capital sofreu forte revés com o uso de uma técnica chamada terra arrasada, ou terra queimada, onde cidades inteiras eram destruídas, o que desfavorecia o invasor que nada tinha a roubar e só podia contar com os recursos que tivesse consigo. 600000 homens invadiram a rússia e apenas 120000 conseguiram fugir ou se espalhar pelo continente. O frio foi outro fator que acabou por atrapalhar os planos de Napoleão. Diante do frio russo, da fome e da completa falta de recursos, os soldados de Napoleão simplesmente caíram e os sobreviventes, simplesmente, fugiram.
A história é trágica... mas Hitler não aprendeu com ela, e quebrando um acordo com os governantes russos, invadiu a união soviética, vindo a sofrer grande derrota repetindo o mesmo padrão sofrido por Napoleão. Como ele ficou com duas frentes de batalha, acabou ficando exaurido de recursos, e como  ao final ficou sem ter rotas de abastecimento de aço, combustível e alimentos, por fim perdeu a guerra.
Ficheiro:Bundesarchiv Bild 101I-020-1268-36, Russland, russischer Gefallener, Panzer BT 7,.jpg
Ou seja não aprendeu com a história. E pagou um preço alto por isso.
Por que estou falando isso? Porque agora corremos o mesmo risco. Nosso país chegou num estágio onde algumas ações precisam ser, urgentemente, tomadas, sob risco de perdermos o bonde da história. Nos anos 70, o país teve um rápido desenvolvimento, porém frágil e mal estruturado. Naquele momento, a ditadura militar criou mega empreendimentos, a indústria cresceu, mas faltava mão de obra especializada, ou seja a educação foi um gargalo que emperrou todo o processo. E o milagre brasileiro não se sustentou na década seguinte, o que gerou quase 20 anos de dificuldades financeiras para o povo brasileiro, tentando pagar por planos economicos mirabolates.
O povo pagou caro. E agora corremos o risco de repetir o mesmo processo. Ou esse governo que aí está faz os investimentos corretos em educação, ou, invariavelmente, cairemos no mesmo processo vivido nos anos 70: forte crescimento, mas sem estrutura coerente. E isso pode nos levar, novamente a declínio nesse crescimento. 
Mas investimento em educação, sem rever a condição de trabalho do professor (seja ele de escola pública ou particular), não garante educação de qualidade.
Professores precisam de tempo para se apropriar de informação. Precisamos aprender informática, dominar esse conhecimento, e aplica-lo. Todos sabemos que procurar informações na internet leva tempo, o mesmo sobre ler e escrever artigos. Preparar projetos e aplica-los. Dar aulas, ler livros, preparar provas, corrigi-las... tudo isso toma tempo. Para ser bem feito, o professor precisa sse aplicar. Ou então corre o risco de fazer tudo de forma atrapalhada. Corrida. Sem muito estudo, sem muita aplicação. Numa repetição do que já foi feito... e isso porque o professor precisa trabalhar em várias escolas. 
Eu sei o resultado final disso: uma trombose, perda da saúde, irritabilidade, cansaço físico e mental, e o trabalho a ser feito de forma inadequada.
É preciso rever esse conceito de que professor que trabalha bem dá aula em batelada. Em muitos casos, o professor que trabalha melhor, trabalha em poucas salas, com poucos alunos, em bem poucas escolas. E ele possui alguma tranquilidade, para fazer seu trabalho, para a formação dos seus.
Nossa economia tem melhorado, mas é certo que as metas de produtividade exigem conhecimento. Nossa gente não pode mais continuar produzindo segundo os padrões dos anos 80-90. Isso vale para a indústria, a agropecuária e o comércio. Serve para quem consome e para quem produz. Não podemos continuar seguindo o mesmo padrão. 
Há hoje uma discussão no congresso sobre o código florestal. Há quem defenda que ele incorre em grandes erros e não contempla produtores e nem ambientalistas. E, segundo alguns, se persistir, vai inviabilizar a produção de alimentos no Brasil, e trará grandes problemas de fome no país. Mas é claro, se continuarmos a produzir segundo o padrão adotado hoje. A aplicação de tecnologia e conhecimento  necessariamente, não exige maior aquisição de terras, nem queimadas, nem caros sistemas de irrigação (e ineficientes), ou plantio com o uso de agrotóxicos, ou adubação em mega escala. De forma semelhante, é preciso rever o processo de colheita, estocagem e transporte de alimentos, com uma concepção nova, seja nas embalagens, seja no armazenamento, e distribuição do alimento. Muito se perde nesse processo, o que é economicamente, filosoficamente, socialmente e ecologicamente tolo.
Mas para tanto, a aplicação de conhecimento... é necessário.
Precisamos rever nossos padrões de consumo. Entre outras coisas, repensar, por exemplo, o uso de automóveis em detrimento do transporte de massa. Para a nação, para o trabalhador e para o meio ambiente não é inteligente o padrão onde carro é mais importante que ônibus ou metro. É preciso investir na construção de motores mais inteligentes: porque não motores que consomem 1litro de combustível para cada 20, ou 30km rodados, em vez dos 9-12 km atuais?
Precisamos consumir menos, mas precisamos aprender a consumir com inteligência e racionalidade.
Precisamos ser mais participativos em nossa sociedade. Aprender a oferecer mais ao semelhante. Não por dinheiro, mas porque ofertar é inteligente. Sociedades onde essa experiência é vivida como uma prática comum são mais atraentes, mais sustentáveis e todos são favorecidos.
Enfim, há um erro cometido pela ditadura militar e que está sendo repetido por esse governo. E se não for tomada providências quanto a isso, infelizmente, pagaremos caro. A história cobra. é pagar para ver.

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