E se?


Saudações cordiais aos leitores do blog Aulas de Química e Cidadania.
Apenas para informação, sigo internado, recebi notícia da Reumatologista, afirmando que agora estamos mudando a medicação, e que por esta mudança as coisas ficam um pouco mais céleres. Entretanto, ainda não há sinal algum referente a alta médica, seja para esta ou para qualquer outra semana. Portanto, mais um tempo de molho. Sem querer ser ingrato, e já pedindo perdão se estiver sendo, bom mesmo seria estar em casa.
Como dizem “Não há lugar como o lar”. O problema é que nem sempre casa = lar... mas essa é uma consideração para outro dia.
Como fico algum tempo longe das questões do trabalho acabo gastando tempo pensando nas coisas da vida e do cotidiano nosso.
E acho que os que me seguem no blog e os que furtivamente me leem, vão entender e concordar com minhas mais recentes considerações. Espero, inclusive, comentários sobre o assunto, e que estes possam repercutir de alguma forma positiva. Nunca fui muito bom com argumentações, e talvez isso tenha determinado uma certa fuga da área do direito.
Mas vamos a elas...
Dentro daquilo que chamamos prioridades, e das coisas que realmente mudam o nosso cotidiano, creio que temos tido inversões de valores monstruosas nesses últimos anos, e eu diria aí, há pelo menos 20 anos.
Por exemplo: O governo Lula conseguiu trazer uma copa para o Brasil. É até interessante, promover o país fora dos seus limites, mostrar nossa cultura... e dentro dessa proposta, criar infraestrutura para que, não apenas os jogos possam correr com certa margem de segurança e satisfação, mas que se criem estruturas urbanas e interurbanas para a satisfação do povo. Afinal, a Copa passa, seja quem quer que seja o vencedor.
Mas a cidade, os citadinos e seus problemas continuam. Seguindo essa linha de raciocínio, acho “comovente” a fala do senhor Joseph Blater (espero ter escrito corretamente), quando ele afirmou que o Brasil  merceia um ponta-pé na bunda em decorrência dos atrasos nos estádios, ao que muito se gerou de mal estar e de desagrado por parte do governo brasileiro, em particular do Ministro das Cidades.
Acho que o tamanho desagrado, ao final, foi porque ouvir a verdade, invariavelmente dói e nos desagrada, se esta não nos é favorável. E como a verdade não é amiga de absolutamente ninguém,  sendo uma fala grosseira, poderia ter sido dita de forma mais elegante, sem fugir com a verdade.
Pensemos nos problemas atuais de estrutura da cidade:
·         Abastecimento de água;
·         Deslocamento urbano e transporte público de massa;
·         Moradia;
·         Oferta de leitos hospitalares;

      ·         Logística de transporte de bens e serviços, qualidade no transporte;
Se pensarmos em problemas outros, como segurança, educação, ordenamento do solo, lazer entre tantos e tantos outros, a lista realmente vai ficar grande.
Mas pensando em qualquer deles, percebemos com muita clareza que há uma cidade em caos, e que as prioridades estão completamente invertidas.
Como uma seca, de grandes proporções é claro, pode atrapalhar planos tão bem elaborados de permanência do homem no campo, fazendo-o conviver com sua realidade. Ao menos essa é a propagando que temos ouvido na tv a anos, afirmando que é possível conviver com o Semi-árido e que todas as ações cabíveis para tanto vem sendo tomadas por parte do governo no sentido de fixar o homem no seu meio de origem.
De repente, a verdade vem a tona e a propaganda de anos, simplesmente põe esse castelo de faz de conta abaixo. O mesmo se dá com a educação, com seus recordes de aprovação, recordes de matrículas, recordes e mais recordes, de ações corajosas e audaciosas, que não tem produzido nada além de uma geração cada vez menos competente, crítica, atuante e participativa.
Uma arena como a Fonte Nova é útil dentro de um contexto, de práticas esportivas para o lazer do baiano. Mas é na escola onde os talentos são revelados: em todas as áreas.
O esporte, aliás, é uma prática curiosíssima, pois promove formação de caráter: nem sempre o melhor time ganha, apesar de todos os esforços. De forma idêntica, saber ganhar, saber perder, saber o valor do esforço para se alcançar uma meta, de forma digna, honrosa, respeitando seus próprios limites e os dos outros... comemorar uma vitória alcançada, sabendo que o vencido é digno de honra por se esforçar... lições preciosas que nossos jovens não tem aprendido a anos.
O metropolitano, no qual foram gastas fortunas imensas até aqui, está sendo criado para a Copa, ou para as necessidades de nossos homens, mulheres e crianças que diariamente saem de suas casa, ainda muito cedo, e após um dia de trabalho estafante tentam retornar seguros para suas residências? Que metro é esse que como um vampiro, suga nossos recursos financeiros, suga nossa esperança, posto que nunca se torna uma realidade, e que a despeito de toda a dinheirama envolvida, simplesmente apresenta tamanho e itinerário questionáveis? Como pode um Metropolitano, numa cidade do porte e da importância de Salvador, ser tão curto, demorar tanto tempo para ser construído, e mesmo assim não abarcar em sua construção conceitos modernos e úteis, como carros voltados apenas para as mulheres, um sistema de coleta de lixo competente e sustentável, banheiros em condições de uso contínuo...
Como esse metropolitano, mesmo que estivesse já construído em sua totalidade, estaria indo apenas da Lapa para Pirajá, não contemplando uma continuidade no sentido oposto, indo ao Subúrbio, talvez se integrando ao sistema de trem, com mais conforto e dignidade?
E porque não leva-lo a outros bairros? Cajazeiras, Valéria... e porque não criar uma linha que, passando pela Paralela, ou mesmo pela BR324, possa integrar outros municípios da RMS. Tempo e recursos tivemos de sobra. Não tivemos governantes para isso. Não tivemos homens preocupados com nossa população.
E vemos agora em plena campanha para a Prefeitura, homens que por lá passaram, e muito pouco deixaram, falar mal uns dos outros, e tocar nas falhas uns dos outros. Falhas que eles mesmos não tiveram de corrigir quando pela Prefeitura passaram.
Perdoe-me tocar nessa ferida... mas se o Vitória ganhasse o campeonato, e se esse ano ele voltar a 1ª divisão... que mudanças isso realmente promove na qualidade de vida?
Antes de o campeonato baiano acabar, não se falava noutra coisa, uma semana após não se se fala noutra coisa. Mas há mais de 7000 trabalhadores honrados que estão nesse momento sem seus salários, e sem uma solução para o impasse. E ninguém se importa com isso!
O governo diz pagar um salário que não corresponde à verdade: meu salário é de apenas novecentos e poucos reais. O que engrossa o salário é um conjunto de uns poucos adicionais. Isso é vergonhoso, considerando todas as iniciativas pessoais dos profissionais de educação (na maioria das vezes não reconhecida), e que todos têm noção de que educação é uma forma de promover melhoria na qualidade de vida das pessoas. Isso é real, não é propaganda.
E esse impasse entre governo e professores é promovido muito mais por picuinhas políticas, barganhas do que por contenção de gastos, ou assemelhados.
Há escolas sem merenda, sem carteiras, sem professores formados, sem materiais dos mais simples, como piloto, quadro branco e papel... O governo afirma não ter verba, mas a Sefaz afirma que nunca um governo arrecadou tanto. É só olhar para o valor do IPVA, IPTU, ICMS, IPI, IOF, COFINS, SELIC e tudo o mais que pagamos de impostos todo ano. Segundo a SEFAZ, estamos pagando hoje 60% a mais de impostos. Onde eles estão? Na polícia mal aparelhada? Na escola sucateada? No hospital que falta seringa, remédios, pessoal especializado, torniquetes? Onde está esse dinheiro público, sagrado, suado, honrado, sangrado? Dizem que ele não pertence a ninguém. Mentira! Pertence a cada cidadão com permanente, ou transiente passagem por esta cidade. Pertence a mim, na forma de serviços e de bens de qualidade.
Precisamos nos indignar, digo novamente, e voltar nossa indignação contra nossos governantes. Dentro da Lei e da Ordem, mas precisamos dizer a eles que não concordamos com eles e que eles, apesar de eleitos, em suas práticas, não nos representam.
E isso não pode ser feito apenas numa eleição que ocorre a cada 4 anos. Antes, que essa indignação e esse desejo de mudança estejam estampados em nossas caras.
Achar que tudo tem de ser assim, e que só um super-homem, um Jesus, um Dalai Lama, ou qualquer entidade, física, mística, temporal ou atemporal virá para nos socorrer, é tolice.
Precisamos sim é de atitude. É de ação. Precisamos de voz. Precisamos de usa-la em benefício nosso. Merecemos ser felizes, dentro da cidade que escolhemos.
Assisto com frequência alguns programas que tratam de cidades brasileiras e estrangeiras que são muito ordenadas,  muito organizadas. Em todas elas percebemos que a ação do cidadão comum é o o motor que a torna uma lugar gostos de se viver.
E é exatamente essa atitude passiva e de empurrar com a barriga que nos fragiliza diante desses que sobre nós governas. E aí, senhores, para encerrar, lhes pergunto: e se tomássemos outra atitude? E se agíssemos, em vez de simplesmente esperar que as coisas mudem por si apenas? E se tivéssemos coragem de nos organizar e fazer escolhas melhores?
Pense: esperar pelo governo é fácil. Fazer é difícil. Mas traz sobre nós a responsabilidade. E com a benção celeste, um lugar  melhor para se viver.

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