Desculpas e mais desculpas

Caros alunos e pais, saudações.
Desde o dia 22 passado estou internado no Hospital Português. Como disse em outra postagem, tive alguns problemas de saúde, que aparentemente remetiam apenas a uma exaustão física, mental e até emocional.
Apenas para dar ciência a todos, diante dos comentários surgidos, principalmente no CPM- Dendezeiros, aqui estou não por força de vontade, mas de necessidade.
Alguns alunos viram que, dentro da escola mesmo, tive necessidade de ser carregado (no que a subtenente do corpo de alunos deve ter sofrido um monte), para a sala dos professores. Sinais vitais medidos, pressão ótima, batimentos... mas muita dificuldade para respirar e para me manter em pé.
Desde o início do ano venho aguardando a liberação do Planserv para a realização de uma cirurgia bariátrica, e até a ansiedade por isso foi ventilada como possibilidade para justificar tal estado.
Ocorre que na quinta, dia 19/04, cheguei a ser levado para o Agenor Paiva, onde encontrei professora Norma, às voltas com seus sobrinhos que precisavam de cuidados, e mediante os exames que fiz, nada foi constatado. Recebi um afastamento para o dia seguinte, procurei médico...
E dia 24, cheguei à Emergência do Hospital onde hora estou.
Os médicos, diante do quadro resolveram fazer exames adicionais, onde descobriram o surgimento de uma doença auto-imune (http://www.fmrp.usp.br/revista/1998/vol31n2/sindrome_anticorpo_antifosfolipide.pdf) que tem como característica principal a formação de coágulos, que, se deslocando pelo organismo podem ocasionar situações as mais diversas. O endereço acima trata de uma descrição médica, de uma revista especializada, e que trata com certa profundidade aliada a uma leitura inteligível para leigos.
Bom, o resultado no meu corpo foi que os coágulos estavam se depositando sobre os alvéolos, dificultando assim as trocas gasosas no meu corpo. 
Percebo pelos sintomas que o quadro não é novo, embora nunca tenha sido tão severo como dessa vez.
Com a doença terei de conviver pelo resto da vida, podendo ou não se manifestar. 
Fico feliz em saber, e dizer aos linguarudos, que meu peso, nada tem relação com o assunto, poderia nesse caso ter peso que fosse abaixo ou acima e o resultado seria o mesmo.
Doenças auto-imunes são muitas e se caracterizam pela incapacidade que o organismo tem, em algum momento de simplesmente não se reconhecer... entenda: Todos que somos saudáveis o somos em parte devido ao exército de anticorpos presentes em nosso organismo que atuam de formas diversas, combatendo invasores e em alguns momentos livrando o próprio corpo de  agentes produzidos por ele mesmo, ou que são dele, mas estão com defeito (http://super.abril.com.br/saude/sistema-imunologico-defensores-438664.shtml ).
No caso das doenças auto-imunes, o corpo, em algum momento perde a capacidade de se reconhecer e toma a si mesmo como inimigo, passando a agredi-lo (http://super.abril.com.br/saude/ataque-anticorpos-malucos-621660.shtml). Como existem diversas doenças, com muitas manifestações diferentes, é perfeitamente capaz que alguem passe boa parte de sua vida sofrendo sem ter o o diagnóstico mais correto.
No meu caso, há um agravante, que são as plaquetas que baixam drásticamente... seria fácil resolver o problema dos coágulos, não fossem o remédio que resolve isso, um complicador a mais para as benditas plaquetas. Para quem não sabe, as plaquetas são elementos do sangue responsáveis por coagular o sangue. Imagine que preciso de anticoagulante, mas se toma-los as plaquetas, que já estão baixas, vão fazer o diabo...
Um adulto, homem, normal tem até 450.000 plaquetas. No último exame que fiz, haviam apenas 37.000. Para sair do hospital e continuar o tratamento em casa, preciso um mínimo de 100000.
Ao ser recebido na UTI, fui muito bem tratado pelos médicos todos, interagindo com médicos, enferemeiros, técnicos, pessoal de apoio... alumas coisas são bem vexatórias. Mas tudo bem. Imagine que coisas simples como tomar banho tinham de ser sobre a cama. Apenas no último dia de UTI me permitiram sair ao banheiro. Fiquei do dia 25, ao dia 02/05 sem defecar, simplesmente para não ter mãos outras me limpando.
Curiosa essa postura que assumimos de não se permitir ser cuidado, mesmo quando tudo diz que vc é o centro das atenções e precisa se permitir, se deixar cuidar.
As enfermeiras e técnicas tem salários para isso. Mas, mais que salários, sensibilidade para tanto.
Como eu era o único paciente acordado e lúcido na UTI, A INTERAÇÃO NÃO PODERIA SER MELHOR. Apesar do ambiente ri muito, e fiz rir muito também.
Havia um jovem de 32 anos, paciente terminal de câncer, que foi levado por sua mãe, idosa, para que ele possa passar seus últimos dias com a família e amigos. Espero que o prognóstico médico não se confirme e ele se levante e viva muito. No outro lado, uma senhora idosa e paciente de Alzheimer. Portugueses, adotaram o Brasil. Ri muito com as piadas do portuga... como ele mesmo disse, "esse país me fez um homem melhor e mais leve". Apesar da doença da esposa, vi um carinho e uma cumplicidade dos dois que invejei muito.
Um policial, e um tratorista completaram o quadro de pacientes. Todos desacordados, mas sendo muito cuidados. Não só com técnica, mas principalmente com carinho. Isso tive muito na UTI.
Aqui, já no quarto, também tenho tido uma cota de alegrias, apesar de estar num hospital.
Percebo que a vida não acaba num leito de hospital. Tenho planos. Há muito não os tinha. Não creio no Espiritismo. Acho até uma crença bem bonitinha, mas não creio em comunicação com os mortos e nem na influência direta deles em nossas vidas. Nas novelas e filmes a idéia pode até parecer interessante e produz enredos bonitos, mas não creio, definitivamente.
Creio em anjos, no Espírito Santo, em Jesus. Não acho que os santos católicos possam de qualquer forma influenciar na minha vida, interceder por mim, ou qualquer coisa do tipo. Suas vidas podem inspirar muitas coisas, mas mortos, nada podem interferir. 
E nesse pensamento, um médico com quem conversei disse que meu trabalho como professor é mais importante que o dele. Segundo ele, haveriam menos doentes se houvessem mais professores e uma educação mais adequada. Parece óbvio? Você já ouviu isso antes?
Gosto de ver os comentários que as pessoas fazem nas postagens. Mas seja qual for o comentário, anônimo, eu não posto. Entretanto, abri mão de um hoje pela manhã. A aluna cobrava notas de matemática. Provavelmente uma ex-aluna SENAI.
Bom tenho de informar que a publicação das notas, segundo informação que recebi, é de inteira responsabilidade do SENAI. Cabe ao professor entrega-las em tempo hábil, apenas.
Acredite ou não, eu ainda estou no prazo, se considerar os meus queridos alunos de Lauro de Freitas. Não perdi o prazo. Peço que, ao menos uma vez na vida, tirem os olhos dos umbigos de vocês, e sejam humanos. Estou hospitalizado. Com risco de vida, apesar de estar na frente do micro.
Lá, em Lauro de Freitas, os professores tem grande dificuldade para chegar no horário. Lembro de uma tarde em que cheguei com 15 minutos de atraso, e uma aluna se queixou que o horário do intervalo já se aproximava. Na ocasião pedi que me permitissem ter uns minutinhos apenas para terminar a resolução do exercício que fazia. A aluna, arrogante, prepotente, insensível a si mesma, aos seus colegas e às boas intenções do professor que era apenas não quebrar um raciocínio, disse posuda, e estupidamente "Você chegou atrasado e eu nada tenho com isso, porque no horário da aula eu estava aqui".
Dei o intervalo, e recomecei depois a correção.
Não espero humanidade de uma pessoa dessa. Dizem que as mulheres são mais sensíveis e inteligentes que os homens. Essa aluna, para mim é a prova viva de que gênero não determina nem bons nem maus valores em ninguém.
As avaliações que fiz com vcs, estão corrigidas, mas preciso alinha-las com as da professora que substitui. E infelizmente só o farei ao sair daqui, sabe Deus quando.
Quero que saibam que levei em conta vários fatores, se eu fosse tratar apenas de números, frios e insensíveis, alguns teriam sido reprovados, considerando as avaliações que fizemos. Mas, dependendo do que vcs já tinham com a professora anterior, creio, estão todos aprovados. PERCEBA QUE ISSO NÃO É UMA AFIRMAÇÃO CATEGÓRICA E ABSOLUTA. É UM TALVEZ, COM GRANDE PENDENCIA PARA O SIM.
Quanto aos alunos de Dias D'Ávila, como disse, não postei as notas de vcs porque legalmente não poderia, segundo me foi informado.
Mas àqueles a quem eu tinha essa obrigação, coordenação pedagógica, eu o fiz; e não entendo porque não foram disponibilizadas para vcs.
E nesse caso, o de Dias D'Ávila, todos foram, por mérito próprio aprovados.
Gostaria que vcs alunos fossem um pouco mais humanos.
Os sentimentos de mágoa e tristeza por continuamente conviver com esse comportamento, em parte me trouxeram para a situação onde estou.
Nós professores deixamos de cuidar de nós, nossos interesses e famílias para cuidar dos filhos dos outros.
Lembro quando eu gastava algo próximo de 80,00 100,00 comprando formulário contínuo para elaborar uma avaliação visualmente mais aceitável. Coisa que meus alunos e colegas sabem que prezo e cuido, mesmo nos testes.
E um dia minha esposa, ainda lá no início do casamento me questionou porque em lugar de comprar papel para avaliação de pessoas que não tinham o menor respeito e admiração por mim e pelo meu trabalho, eu não gastava aquele valor com uma calça bonita, uma camisa, um passeio mais descontraído. Lembro que fiquei indignado com ela na época. Mas hoje, tenho de dar as mãos à palmatória. Principalmente depois de ler um comentário como o dessa aluna, colocado sob os comentários das irresponsabilidades nos votos dos deputados, o que significa que a aluna me coloca na mesma conta dessa corja de canalhas.
Se vc, querida aluna não percebeu, talvez a sua aprovação não tenha sido por mérito próprio. Tenha sido pela sensibilidade do professor, muito mais que por sua capacidade cognitiva excepcional. Aliás, se vc consegue fazer essa comparação e me colocar em pé de igualdade a esses homens, infelizmente, percebo que sua capacidade é bem mais inferior do queparece.
O que o Governo do Estado e os membros da Assembléia Legislativa tem feito no caso da saúde, segurança e educação, compromete não apenas o presente, mas o futuro. Nós professores temos tido cuidados exatamente opostos.
Se vc não se lembra, todas as quartas e sextas, ao sair para a escola, eu ficava sem almoço, dava aula a tarde toda, e depois descia para Salvador para ter uma jornada de mais 5 aulas. E tinha de chegar sorrindo na escola.
Se vc não consegue ver a diferença nas ações, seu problema não é de inteligência, ou sensibilidade apenas. E nesse caso, acho bom até nem saber quem vc é.
Eu, professor, tenho me consumido por dentro e por fora em favor dos meus alunos. Fi-lo porque qui-lo! Por decência, por sentido de valor e respeito. A mim, enquanto cidadão, para ser exemplo, para meus filhos, parentes, alunos, colegas, amigos. Fi-lo porque creio que todo homem de bem precisa contribuir para a coletividade.
Mas, minha aluna, se vc me coloca nessa mesma conta desses homens da AL, percebo que falhei. Nenhum deles faria isso. Nenhum. Um deles deu uma camisa para alguém? Pode ter certeza saiu dos cofres públicos, porque até o terno bonito, e o cabelo e barba bem aparados saem dos cofres públicos. Eu pago do meu salário suado.
É praticamente regra essa postura de professores, de se doarem.
Faz parte de nossa matéria. Como disse Milton Santos "Quem ensina, não tem ódio!"
Mas de hoje em diante, vou me cuidar mais. Serei mais atento a mim. 
No dia que sair daqui, sairei do quarto, direto para a praia, pisar na areia branca, molhar meus pés na água fria. Provavelmente terei uns 10 dias de repouso em casa, e nesse caso, levarei minha filha comigo para Ilhéus, e comerei peixe frito na Praia dos Milhonários. Viverei. Depois, quando a folga acabar, cuido do trabalho. 
Se dia 24 eu tivesse morrido, como quase ocorreu em casa, diante dos olhos de minha esposa e filha, as notas e provas e planejamentos seriam feitos. Por outro. Mas seriam feitos. Estou me colocando agora onde devo estar e me dando a importância que devo ter.
Deus me deu uma segunda chance. E vou aproveita-la bem. Em meu benefício, e no do meu próximo também, claro. Nessa ordem. Nunca mais de forma diferente.
Aos que julgarem que usei de mágoa, ou qualquer coisa do tipo... pílulas. Infelizmente não sou responsável pelo que as pessoas pensam. Mas sou responsável pelo que penso.
E penso que hoje estou melhor que ontem. Imagina amanhã!
Em tempo: Infelizmente, como disse todos os médicos que vem me atendendo, o que mais preciso é tempo para me recuperar. Estou fazendo a fisioterapia, tomando os remédios, bebendo água, falando baixo, recebendo visitas, orando, e acima de tudo sendo grato. Estou na fase de mudanças e adaptação. E quero aproveita-las bem.
Forte abraço, obrigado pelas orações, pelas broncas também.
Em tempo II: Fiz do magistério mais que um meio de ganhar o pão de cada dia. Fiz dele minha razão nessa vida. Há médicos, padres, pastores, cientistas imprescindíveis. Fiz do magistério essa maneira de contribuir para o humano. Para o homem. Eu continuo amando meus alunos. De verdade. Mesmo aqueles que nesse momento desejam intensamente que eu sai daqui carregado direto para o campo santo. Amo vocês. Do CESLA, do SENAI, do CPM, do BARRETO, do Pinto de Carvalho... e todos os que passaram por minha vida. TODOS VCS ME SÃO IMPORTANTES, MESMO AGORA, MESMO NUMA MACA DE HOSPITAL. E torço para que vc nunca passem pelo que estou passando. Mas se passarem, que achem forças em si mesmos, e até de fora, de desconhecidos.
Como disse um técnico aqui, de certa forma, esse tempo no hospital amplia nossa família.
Obrigado mais uma vez, e continuem orando. Deus os recompense em sua infinita sabedoria e recursos.

Postagens mais visitadas deste blog

Professora gostosa foi expulsa da escola por deixar alunos excitados.