Agradecimento aos funcionários do Hospital Portugues


Queridos, minha saída do Hospital Português se deu na segunda-feira passada (21/05/2012), mas apenas hoje consegui me sentar em frente ao notebook para enviar essa mensagem. Nesses dias estive cuidando de Junta Médica, avaliações a corrigir, marcando médico, indo a consultas médicas... curtindo minha filha. Não tive tempo para blog. E nem posso na verdade. Agora mesmo, enquanto estou aqui, sinto a perna me dizendo “levanta e vai viver”.
O que segue abaixo, foi escrito ainda no hospital. E não vou mudar nada.
Uma vida nova me espera. Dizem que o que não nos mata, nos torna mais forte. Não me sinto assim. Me sinto perdido. Entre o desejo de sair correndo daqui, e o desejo mais sincero de não voltar, nunca mais, para a vida que para aqui me trouxe.
Difícil entender? Pense: Nosso corpo reage. Somos máquinas complexas. Carbono e outros elementos químicos. Mas não somos apenas isso. Se assim fosse, as pessoas seriam como robozinhos e todos se comportariam basicamente da mesma forma. Na verdade apesar de termos substâncias comuns, os estímulos externos e internos produzem isso que somos: pessoas raras, únicas.
Seja para o bem, ou para o mal, não há outro Lúcio Candido. E o que isso tem a ver com meus medos? É que sei que a alteração bioquímica que desenvolveu a doença auto-imune e que gerou todos esses problemas, na verdade é resultado de emoções mal trabalhadas. Pensamentos auto-destrutivos... tristeza... culpas, sensações de alegria que a gente não exprime com o mesmo entusiasmo que exprime as emoções ruins. Enfim, coisas que todos temos. Uns mais, outros menos. E cada um lida de uma forma diferente. E cada corpo produz um resultado diferente. Mas é impossível passar por uma experiência dessas e continuar do mesmo jeito. Sinto medo. Mas me sinto também mais leve (perdi 8kg), por dentro e por fora.
Precisava dizer que me sinto menos obrigado com um monte de coisas, sobretudo com coisas que estavam me encurtando a vida e tornando-a menos vibrante. Sinto-me também mais obrigado às que podem dar vida. Sinceramente, vou perder peso, ficar bonito, com um corpo que me permita ter mais alegria. Mas vou tomar um sorvete vez ou outra. E comer uma pizza. E correr na praia, sentindo o vento no rosto.
Vou melhorar minhas aulas. Ficarei mais próximo de meus amigos. E quanto aos inimigos, se quiserem rever seus posicionamentos, bom para nós. Se não, problema de vocês. E espero que não acabem aqui. Eu fui abençoado. Talvez, você não o seja...
De qualquer sorte independente desses sentimentos, faço essa declaração sobre os funcionários e do serviço que aqui recebi nesses últimos dias. Uma cartinha, de punho foi escrita por mim e entregue no Hospital. É minha honesta avaliação desses dias em que estive recluso aqui.  Essa carta, tenho de postar na internet, até porque talvez a outra não chegue às mãos de todos os funcionários.
CARTA DE AGRADECIMENTOS

Aos funcionários do Hospital Português, situado no bairro da Barra, em Salvador, saudações cordialíssimas.
Recentemente, estive como paciente nesta instituição, tendo dado entrada através da UTI no dia 25 de Abril de 2012, no turno da noite, descendo depois disso para o quarto 325\1, onde permaneci sendo tratado por alguns dias.
Quero por meio desta agradecer a forte acolhida e cuidado com que fui tratado por sua equipe, tanto na UTI, quanto no quarto.
Senti o cuidado não apenas de “profissionais”, antes de seres humanos atendendo às necessidades de outro ser humano. Foi gente cuidando de gente. Não foi de uma doença que vocês trataram, foi de um ser humano.
Como afirmou um dos técnicos da UTI, “de certa forma, aqui se faz uma família”.
Doutores do Riso fazendo visita: obrigado a vocês!
Precisava dizer a vocês que sou grato, e se não citarei nomes aqui será apenas para não ser injusto com alguém cujo nome possa ter trocado, ou esquecido.

Mas sou igualmente grato a todas as equipes, limpeza, copa, médicos, técnicos em enfermagem, enfermeiros, assistência social, nutrição, doutores do riso, e absolutamente com todos que interagi de uma forma ou de outra durante esses dias.
Agradeço por seus conhecimentos, e técnicas de trabalho, assim como pelos ouvidos e ombros que a mim dispensaram.
Espero que o contracheque de vocês possa, ainda este mês, revelar o tamanho dessa gratidão. Mas, caso os olhinhos de vocês não brilhem quando abrirem seus holerites, por favor, perdoe-me. Provavelmente a tesouraria do hospital não entendeu minha recomendação, e vai paga-los numa relação inversa entre a minha gratidão (grande) e o valor a ser pago a vocês (talvez nem tão grande). Nesse caso, me perdoem, mas não tenho controle sobre isso.
Espero revê-los em breve, fora desse ambiente. Como minha memória me prega peças horríveis, é perfeitamente possível que, fora daqui, eu simplesmente tenha dificuldade em reconhecer alguns rostos, ou simplesmente não os perceba na multidão. Perdoem-me antecipadamente por isso. E, falem comigo. Será um inenarrável prazer conversar com vocês trocando novas idéias e experiências.

Sara, minha filha, faz aniversário em fevereiro. Desde já conto com vocês em nossa comemoração. Afinal, agora, vocês fazem parte de minha família, com todos os privilégios envolvidos no processo de adoção. E será um privilégio recebe-los em meu lar, na data em questão.
Visita de Sara em 09/05/2012

Foi muito especial receber a visita de minha filha aqui, após vários sem vê-la. Agradeço demais a assistência social por entender a situação, e propor uma solução simples. Tô voltando para casa, bem. Para ela.
Estou deixando uma cópia escrita a mão na enfermaria. Nela consta a minha sincera avaliação do serviço que aqui recebi, assim como endereço, telefone, e-mail, blog, facebook, Messenger e tudo o mais para que possamos manter contato. Como vocês sabem, sou professor de Química, e a experiência que aqui passei nesses dias foi única, e de modo algum deixarei passa-la em branco.
Como professor, e pesquisador, preciso fazer vários textos e posta-los nas mídias sociais que tenho. Textos sobre a trombose, as doenças auto-imunes, o trabalho de alguns profissionais (to impressionado com fisioterapia), o trabalho em equipe perfeitamente coordenado com o objetivo de resolver um problema que, na verdade pertence a outro.
Na verdade, a atitude que observei na integração das equipes, assim como na assistência individual feita por cada profissional, reforça a minha conduta no meu trabalho. Conduta que passa a ser mais responsável (não que eu não o seja), e que, de alguma forma, procura honrar o esforço empreendido por vocês. Um homem novo sai daqui. Certamente, melhor.
Obrigado a vocês todos. Que Deus com seus recursos e misericórdia possa paga-los, por mim.
Sem mais, sinceramente, Lúcio Candido.

Postagens mais visitadas deste blog

Professora gostosa foi expulsa da escola por deixar alunos excitados.