Professores e empregadas domésticas

Estava assistindo o Jornal da Record, que gosto muito, e percebi, na nova série de reportagens, o quanto nossos salários estão distante da realidade.
Segundo a reportagem, o salário das domésticas, nos últimos 2 anos, valorizou-se em mais de 70%. Junto com a valorização financeira, uma valorização relativa à qualidade do trabalho. Elas são mais reconhecidas e valorizadas. Claro que isso ocorre nas capitais e regiões metropolitanas correspondentes.
Porque isso? Maior esclarecimento, profissionais com maior qualificação profissional (a maioria estudou cursos profissionalizantes de formação de domésticas),  e leis que as protegem de forma mais eficiente.
Aparentemente, apenas professores não sofrem grande valorização e não tem muito a comemorar.
Perguntado a uma delas se iria trabalhar por um salário mínimo, uma jovem senhora, afirma que não iria. Claro, ela não é profissional de educação, porque senão iria! E provavelmente, ao contrário da doméstica, trabalharia em funções estranhas à sua formação, a título de melhorar a eficiência escolar. E também dando aula em horários não combinados e não remunerados, como sábados.
A doméstica, ao sair do trabalho, não tem qualquer obrigação com o patrão, sua casa e seus filhos. Professores saem da escola e vão preparar aula e corrigir provas em casa. Professores gastam tempo grande em frente a computadores notebooks fazendo pesquisa pela internet, preparando material de pesquisa. Não raro, não possuem formação para o uso dos aparelhos, gastam parcelas significativas de seus salários com internet um pouco mais rápida, ou pagando aparelhos muito caros, em um número elevado de prestações muito altas para seu poder aquisitivo.
Recentemente adquiri um Datasshow. Desejo muito um mimio, que é um tipo de lousa eletrônica portátil. Mas que obrigação eu realmente tenho de te-los? e o notebook que tenho cada vez mais lento e pouco eficiente.
É preciso rever essa relação.
Num momento onde o governo tenta atrair jovens para os cursos de licenciaturas, é bom lembrar que ninguém foge do céu. Mais eficiente que correr atrás de borboletas é atraí-las. Queremos professores cumprindo metas coerentes de eficiência? Nós professores também o queremos. Querem profissionais mais eficientes? Nós o desejamos sê-lo. Nada que uma boa formação não possa oferecer. Mas para tê-la é preciso tempo e dinheiro... duas coisas que faltam aos profissionais de educação. Além disso, numa sociedade que se desenvolve e precisa de profissionais com formação e qualificação cada vez melhores, formar professores mais habilitados exige um investimento poderoso do Estado. Mas é um investimento seguro.

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