Professora gostosa foi expulsa da escola por deixar alunos excitados.


Quando as pessoas não tem sobre o quê falar, inventam. Os pais cujos filhos nunca foram bons alunos em ciências, culpam a professora pelas baixas notas de seus filhos. As meninas, porque não conseguem chamar a atenção dos meninos, atribuem má fama à professora.
Claro! Ela tem 38 anos, e consegue fazer, sem esforço, o que as meninas, com seus corpinhos bem feitinhos e viçosos, não conseguem: chamar a atenção.
A piada é que a professora foi expulsa da escola por isso! Veja bem, se ela estivesse no programa do Luciano Huck, no Faustão, ou em qualquer outro lugar, ninguém diria nada. Mas, o aprendizado dos alunos, segundo a reportagem, foi comprometido pelas roupas da professora.
Incrível! Se ela viesse como se espera que venha um professor, ou seja, com roupas gastas, compradas na Baixa dos Sapateiros (um famoso lugar de compras conhecido por seus baixos preços aqui em Salvador), certamente não haveria problema algum.
Porque professor tem de ser pobre! Senão humilha os alunos, ao expor, pela diferença, o fato de que o aluno é também pobre. Mesmo o aluno de escola particular precisa desde jovem aprender que ele manda no mundo... e treina aos montes com seus professores, através de suas atitudes, viagens caras, baladas e roupas de griffe. Mesmo que para tanto, o pagamento da mensalidade da escola seja colocado em oitavo plano.
Numa escola onde trabalhei fui advertido que meu vocabulário (!) era apurado demais, e causava constrangimento a alunos e colegas. Deveria ser mais próximo do populacho.
Professor tem de falar de forma incorreta, com vocabulário pouco rebuscado, bem populacho... afinal, quando o aluno fizer a prova do ENEM, ele não entenderá a prova e não se sentirá agredido.
Alguém disse que os alunos do morro não aprendiam a ler, porque os textos das cartilhas traziam palavras como "maça", "pera", "uva", e outros alimentos que não estão no cardápio de alunos que mal conseguem comprar pão. Imagine que na visão desses educadores, o povão tem mesmo é que se acostumar a ser povo, pobre, mau nutrido. Não pode ser aberto para os alunos, segundo essa visão mesquinha, o mundo aos olhos dos alunos. Falar em alimentos, costumes, aparelhos, livros e atitudes que eles verão, se tiverem sorte, apenas na casa de seus patrões, a serviço dos patrõezinhos. Computador, scanner, ressonância magnética, remádio, assistência médica digna, teatro, cinema, tv led de 42' (meu sonho de consumo imediato) ou então, "afeto", "respeito", "sonho", para pessoas que só conhecem a pobre, dura e violenta realidade do morro, ou subúrbio ferroviário, ou dos guetos; é desestimulante. Essa escola que traz esse universo para esses alunos é considerada fantasiosa, mentirosa, atípica...
Na escola real, pública, "de qualidade e gratuita", a professora tem de ser barriguda, desgrenhada, mau vestida, carrancuda, com manchas no rosto e uma enorme verruga na cara.
Bonita, com cabelos arrumados, roupa sexy, ainda que devassa, só no Colégio Multipla escolha de Malhação.
Professor que tem alunos que tem os livros, leem os livros, e entendem perfeitamente bem aqueles 30s de aula, com carros novos, trabalhando em apenas uma única escola, um único turno, sem a necessidade de cursar um mestrado, ou um doutorado de madrugada, só na referida novela juvenil.
Como disse um certo Governador há pouco tempo atrás, "Magistério público é sacerdócio. Se professor quer ganhar bem, então que vá para a iniciativa privada".
Professor tem de usar roupa surrada, com barriga grande, saúde precária, dentes cariados. Afinal, que país é esse onde um professor pode cuidar de sua saúde e qualidade de vida quando seus alunos não conseguem fazer o mesmo? Imgina que absurdo é um professor fazer tres refeições principais comendo alimentos de qualidade: frutas, verduras, legumes, iogurte, queijo, fazendo academia de ginástica, consultando médico regularmente, criando seus filhos em escolas públicas também, andando de carro próprio quitado, com manutenção, IPVA, e seguro em dias... isso é impensável... Professor não precisa disso. Professora bonita, vá procurar outro emprego. Escola não lugar de mulher bonita, bem nutrida, com corpo sexy. E se aparecer alguém com esse perfil, ao menos que não seja professora. Há uma enorme incompatibilidade entre esses fatos: professora  x mulher bonita.
Querer incentivar o aluno a ter um padrão de vida digno, honesto e de qualidade sem que ele tenha um bom espelho para o qual mirar é utopia!
Durante a Recessão de 39, quando ocorreu a quebra da bolsa de valores em Nova York, uma das primeiras ações do governo Norte Americano para estimular a saída da crise, foi aumentar o salário dos professores. Ou seja, na crise, os únicos funcionários públicos que tiveram aumento de salário e salários pagos em dia foram os do magistério. Objetivo? Fazer o estudantes se sentirem obrigados a estudar! O raciocínio é simples: se o professor estuda muito e tem bons salários e recebe em dia, vou estudar muito para obter o mesmo crédito no futuro. Porque estudar alimenta minha casa, meus filhos e minha vida. Posso ser útil, produtivo e viver com dignidade se estudar.
Agora veja a situação do brasileiro: o professor ganha mal, trabalha igual a um condenado, tem saúde precária, reconhecimento nenhum, respeito bem pequeno e mesmo assim, queremos que nosso aluno se veja longe das drogas, da prostituição infantil e, como o professor, estude. Hilário!
Tenho alunos em muitas ocasiões que me disseram que não iam estudar. E era só ver o problema: o senhor estudou tanto e ganha tão mal. Vários colegas meus ouviram algo similar. Imagina estimular esse aluno a não se envolver com o tráfico! Uma aluna há muito tempo atrás me disse que ganhava num final de semana na  prostituição, o que eu não ganhava em dois meses de trabalho.
E ainda há quem se surpreenda com as notas do ENEM...
Finalizo com essa sentença trágica: a minha colega errou! Não soube se colocar no seu devido lugar. Escola pública não é lugar de mulher ou homem bem resolvidos, mas de profissionais infelizes e carrancudos. Professor tem mais é que pastar mesmo. E ai de quem disser o contrário!