Dicionário Aurélio e cotidiano

Aprendi na escola com meus professores, a agora colegas, de Língua Portuguesa, que a herança portuguesa que ora usamos para nossa comunicação não é apenas rica, mas viva, sofrendo constantes mudanças. Ora incorporando, ora deixando em desuso algumas palavras.
Isso mostra a nossa riqueza cultural. Nossa língua-mãe é capaz de se moldar e atualizar às necessidades.
Entrementes o que o dicionário diz sobre uma palavra pode, eventualmente, não ser condizente com o sentido usual que damos às palavras. A língua das ruas é mais dinâmica que a língua dos livros e dicionários.
Essa semana, um verbete incorpou-se ao dicionário-padrão brasileiro, o dicionário Aurélio. O verbete trouxe grandes (e ao meu ver desnecessárias) discussões sobre o seu significado moral. O verbete? PIRIGUETE.
Isso mesmo: piriguete.
Segundo alguns, o verbete desmoraliza a mulher. Segundo outros é apenas a descrição fiel das que admitem ter o comportamento característico.
Certo é que eu não classificaria a maioria das mulheres que conheço como sendo piriguetes. Entretanto, há algumas, poucas, que reconhecidamente o são.
Algo interessante ocorre, por exemplo com "garota de programa" e "prostituta". Ambas as palavras, sinônimas, referem-se àquela mulher que, por dinheiro, ou qualquer outra vantagem que permita a cumulação de bens e valores financeiros, mantem realação sexual com outra pessoa. Pouco importa, nesse caso, se a relação é duradoura ou exporádica. Entretanto no dia a dia, uma mulher que se relaciona com um homem por dinheiro, não se permite ser denominada de prostituta. A maioria das mulheres que se relacionam por dinheiro se sentem profundamente ofendidas se chamadas de prostitutas. Segundo elas o termo é pejorativo e invoca uma condição que elas não tem, seja no sentido físico, moral ou emocional. Para mim é pura besteira. Rameira, puta, prostituta, vagabunda, mulher sem dono, acompanhante sexual, ou qualquer que seja o termo, estamos falando da mesma relação: sexo por dinheiro.
Nunca poderia usar qualquer destes termos para as meninas com as quais tive um envolvimento afetivo, tendo ou não havido algo mais íntimo. Sempre foram meninas com as quais os envolvimentos incluiam sentimentos, emoção, compromisso de querer e fazer bem. os valores envolvidos não se podiam colocar numa carteira, num banco. Não se negociam. São oferecidos incondicionalmente, apenas a quem se mostra igualmente incondicional conosco. Agradeço a Deus por tê-las conhecido, ainda que em algum momento os relacionamentos tenham declinado. Da maioria delas, embora não tenham sido muitas, tenho saudades e sei que o mesmo se dá com elas. Mas, chegamos naquele ponto onde ou os relacionamentos avançam, ou terminam se efetivamente queremos o bem de ambas as partes envolvidas. E apenas por isso, declinaram.
Sou o que sou hoje e agradeço também a elas.

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