Escravidão, cidadania e conhecimento

A escravidão acabou, oficialmente, no Brasil, com a Lei Áurea em 1888. Entretanto, muitos senhores modernos, donos de empresas de pequeno, médio e principalmente grande porte, desconhecem esse fato, e ainda praticam essa relação abominável onde um homem se assenhorea de outro homem.
Mas diferente das formas do período colonial, hoje, a dominação se faz de forma que não fica claro, mesmo na cabeça do escravo, a sua condição e desfavorecimento.
Vários programas de televisão tem tentado denunciar esses fatos, quando do fechamento de fábricas clandestinas de roupas, ou fazendas, prostituição ou canteiros de obras.
Curioso é que, longe do que o senso comum nos faz perceber, essas empresas que fomentam essa indústria não são de pequeno porte, nem se utilizam de brechas na lei... longe disso, descarada e abertamente contratam mão de obra barata, enganando as pessoas que acreditam que vão trabalhar e ganhar uma vida melhor, quando na verdade apenas contratam uma dívida que nunca conseguem pagar, por mais que o indivíduo trabalhe. Essa realidade desconhece cor, raça, religião, idade, ou qualquer forma de bom senso e tratamento humano.
Mulheres e crianças são aliciadas para a prostituição, o que por si apenas já é desumano e cruel. Mas ainda mais cruel é que essas mulheres muitas vezes desconhecem que estão sendo contratadas para tal prática, ou mesmo quando sabem, desconhecem as condições sob as quais irão trabalhar, o que inclui uma jornada longa, expondo-se ao desejo do cliente apenas, em condições higiênicas insuficientes e sem a possibilidade de deixar o trabalho ao qual se venderam. Algumas mulheres chegam a ter seus corpos usados por mais de 15, 20 ou 30 clientes numa única noite, porque o preço ao qual seus corpos são alugados é extremamente baixo.
Mesmo aquelas que são aliciadas conhecendo a função a qual irão se submeter, desconhecem que  não poderão desistir de seus clientes, ou que terão uma jornada muito longa (15 horas de trabalho ou mais, diariamente), sem uso de preservativo, condições higiênicas, tendo de pagar pelo alimento que consome, a água que se banha, a roupa parca que veste, a cama em que dorme e transa, o quarto em que trabalha, o eventual remédio que precise usar... enfim, realimentando uma dívida que nunca se acaba, exceto em grande número, pela morte.
Além disso sofrem todo tipo de tortura psicológica, ameaças a si e a seus familiares, estupro e, não raro, são levadas ao vício contra sua vontade, para que se mantenham presas ao sequestrador.
Algumas empresas, por exemplo, do ramo das confecções, contratam mão de obra barata em áreas carentes do país e estrangeira. Embora os trabalhadores não tenham de se submeter a atividades sexuais, ainda asssim, são submetidos a condições igualmente aviltantes e degradantes.
Quem compra essas confecções, vendidas em muitos shoppings, pagando caríssimo por uma manufatura que, para quem produz é barata; não se dá conta de que acaba alimentando esse quadro desumano. Igualmente com quem se serve do sexo via prostituição.
As empresas públicas muitas vezes alimentam essas atividades quando contratam empresas para executar serviçoes terceirizados. Estes acabam alimentando essa situação por não fiscalizar, ou por pagar salários que nunca chegam às mãos de quem exerce o trabalho e, portanto, dele faz jus.
É desumano e cruel. Como disse um certo pensador, negro, intelectual, professor; "pagar salário de fome é reescravizar o homem". Ou seja, a escravatura, abolida por decreto, se renova pela incapacidade, financeira ou moral, do patrão em pagar um salário decente, ou do trabalhador receber um salário que atenda as suas necessidades.
Poucos pensam nisso, mas um professor, segundo as condições de trabalho que são oferecidas, as condições exigidas, o salário que é pago, também é escravo. Embora pensador, e "livre" são submetidos a condições que se igualam às da escravidão. Longas jornadas de trabalho, baixos salários, exigencias de tempo, vestimenta, linguagem, atualização, atividade diferenciada, tempo, saúde... até o tempo para diversão e lazer é aviltantemente roubado do professor. E o salário que se paga é financeiramente baixo, moralmente ingrato.
É importante posicionar-se sobre o assunto, informando-se, denunciando e desestimulando essas práticas. Evite comprar de empresas que praticam tal conduta, ou comprando os serviços de pessoas que são colocadas em trabalhos ou em condições degradantes de trabalho. É importante não contribuir para a degradação desses trabalhadores: oferecer um simples "bom dia" a um gari, ou a qualquer trabalhador em seu local de trabalho é sempre inteligente, cativante e estimulante.
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